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Tão perto, tão perto, tão perto

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Créditos: Chapecoense Oficial

Deus e o diabo moram nos detalhes, dizem. São as mínimas coisas, aquelas que deixamos passar, que definem o sucesso ou o fracasso de uma tarefa difícil. Deus e o diabo moram naqueles momentos de cansaço, em que duvidamos da importância de ser um pouco mais. Deus e o diabo moram na aceitação do mínimo pelo resultado “suficiente”. Deus e o diabo moram na diferença entre acertar mais e errar menos. Mas vale lembrar que há vastos domínios em que nem Deus nem o diabo jamais teriam se manifestado, mesmo quando tudo parece ter suas marcas (Cohen, 2017, a quem interessar possa).

Tipo essa 38a rodada da Série B.

Nem Deus, nem o diabo, relaram um dedo nessa final.

Créditos: Márcio Cunha/Chapecoense

Tudo que levou a Chapecoense a essa final teve contornos de dúvida. Não fomos absolutos na Série B, a verdade é essa. Agora, na empolgação do título, parece que tudo foi perfeito e os erros entram na malandragem de achar que “Chape é assim mesmo”. Algumas sequências de vitórias foram incríveis, mas derrotas para times previsíveis e falhas técnicas causadas por desatenção também nos fizeram perder a noção em alguns momentos.

Não posso dizer que não houve medo de ver a Chape presa nos detalhes – porque no decorrer do segundo turno, principalmente, os detalhes foram o diabo. E o diabo passava tão perto, tão perto, tão perto… mas nas guinadas, se via que os detalhes eram Deus. Ações defensivas que funcionavam, que aplacavam a nossa fome que fosse por 1 ponto mesmo. Todo mundo foi vilão e mocinho. Todo mundo foi uma aposta que deu certo. Todo mundo encontrou um limite, dentro ou fora de campo. Todo mundo sofreu com suas perdas.

Umberto Louzer deve ser craque em enxergar esses “troços loucos”, aí. Que profissional. Que grande achado foi esse técnico para a história da Chape. Que grande professor pra nós, que viajamos na maionese comentando que a tática isso, a técnica aquilo, para aprender, no fim das contas, que ser um líder é muito mais importante que ser um gênio. Ser Chape é a tal da coisa de ser humano demais. A liderança que Louzer conseguiu imprimir para manter a ponta firme do elenco mora em um reino paralelo às divindades.

É que não teve nada de divino nessa decisão de Série B. Foi tudo de carne e osso, e ligamentos estourados e corações batendo a toda velocidade. O negócio estava fadado a ser decidido na pele, na queratina das unhas.

Os números, praticamente iguais. Os critérios de desempate sendo espremidos do regulamento como um júri popular. O tempo, bom… esse foi então o próprio advogado do diabo.

21h30. Gol da Chapecoense. Gol do América. Outro gol do América. Intervalo, resignação, engolir seco. Volta. Gol do Confiança. Gol do Avaí. Gol da Chape. Corre Perotti e outro gol da Chape. Anulado. Tempo. Acréscimo. Pênalti. Anselmo Ramon. Cavadinha. Um gol de saldo que valeu uma taça, uma estrela, uma homenagem, uma coroação, um “troço louco” que vai ser lembrado com amor e desespero e taquicardia para sempre.

No fim, sobe a taça nas mãos de Alan Ruschel e, de novo, chuva, meu Deus, como chove para diabo nessa cidade quando a Chape faz essas coisas.

A taça ficou em Chapecó e vai morar ali, entre os humanos. Bem longe dos detalhes. Agora, eles não importam. Podem ficar com Deus. Ou com o diabo.

Créditos: Márcio Cunha/Chapecoense

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