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A Chape e a Entropia

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Créditos: Marcio Cunha / Chapecoense

Evolução irreversível para um sistema caótico. Não há definição melhor para o que foi a partida entre Chapecoense e Confiança. Antes do apito inicial a tensão já tomava conta de todos os presentes na Arena Condá. O aguardo pelo início do jogo do América MG, a chuva incessante que teimava em encharcar o tapete verde. Estavam postos os primeiros ingredientes de uma noite que terminaria de forma épica.

Já nos primeiros minutos, o Verdão dava indícios de que faria tudo para sair com a taça da série B. O gol de Anselmo Ramon aos três minutos, a bola na trave no lance seguinte. Tudo se desenhava para uma vitória histórica. Porém, como o destino gosta de brincar com os corações alviverdes, o Confiança melhorou, dominou as ações a partir dos 20 minutos da primeira etapa, e os gols do Coelho em Minas Gerais caíram como dois gigantescos baldes de água fria nos torcedores da Chape. Não bastasse isso, o roteiro de tensão se incrementou com o pênalti perdido pelo Avaí na Arena Independência.

Fim do Primeiro Tempo.

No intervalo, esperava-se mexidas no time por parte do comandante Umberto Louzer. Ele voltou com a mesma equipe. E com a mesma formação, a equipe sergipana continuou a pressionar o Verdão, buscando o empate. A taça esvaía-se das mãos da Chapecoense, e o roteiro de um drama sem precedentes começava a ser escrito.

Vieram a campo Foguinho, Bruno Silva, Perotti. Juntamente com Roberto e Alan Santos, Louzer mudava os atores buscando o protagonismo de um dos capítulos mais bonitos da história da Chapecoense. Gol do Avaí. Gol de Perotti. O caos estava posto. Já não havia mais esquema tático, posição, organização. Havia disposição, luta, vontade de vencer um título inédito mesclada com a realidade de defesas milagrosas do goleiro João Ricardo.

Com partículas movimentando-se aleatoriamente dentro das quatro linhas, desprendendo energia ao infinito do universo, nem o melhor roteirista poderia escrever o final da odisseia. Na verdade, fosse um filme, todos diríamos ser “exagerado”, “irreal”. O pênalti aos 49 minutos da segunda etapa, finalizado no melhor estilo Loco Abreu de Anselmo Ramon foi o toque final de uma história construída com luta e entrega. A frieza do camisa 9 do Verdão em meio ao turbilhão de emoções que o lance representava demonstra o contraste icônico que somente o futebol é capaz de proporcionar.

Confusão, expulsões, camisas tiradas, cartões amarelos. O juiz Anderson Daronco ainda deu mais dois minutos de jogo para testar o coração dos presentes na Arena Condá e dos que roíam as unhas de olho na TV ou tremulamente seguravam seus radinhos de pilha esperando o apito final.

E finalmente aconteceu. No dia 29 de janeiro de 2021, exatos 50 meses após o fatídico acidente que vitimou o time finalista da Sulamericana de 2016, a Associação Chapecoense de Futebol conquista seu primeiro Título Nacional. Pelas mãos de Alan Ruschel a taça foi levantada, pelas mãos do ex-zagueiro Neto, agora dirigente do clube, a conquista foi construída. Pelo trabalho do saudoso Paulo Magro a Chape resgatou o amor e a cumplicidade com seu torcedor, que voltou a sentir-se respeitado, valorizado, representado.

Parafraseando Deva Pascovicci, como é rica, (bonita e vitoriosa) a história da Chapecoense.

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