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O desabafo de uma jornalista: a paixão e a tristeza de um rebaixamento

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Créditos: Figueirense FC

Hoje quero falar como torcedora, mas antes é importante frisar que todo jornalista esportivo em algum momento da vida se apaixonou por algum time, nem que seja aquele do bairro ou da pelada de domingo. É impossível controlar a emoção de sentir ou de ter mais identificação com esse ou aquele clube – a diferença é que uns escondem melhor que os outros. 

Esse assunto não deveria ser um tabu, mas pelo medo de admitir o clube do coração e acabar sendo uma ‘’arma’’ para quem nos acompanha para desmerecer nossos trabalhos ou um motivo para agressões sejam elas verbais ou físicas, muitos preferem se omitir quando se trata desse assunto.

Mas prefiro sair de cima do muro, até porque é difícil tentar esconder tamanho sentimento e gratidão por um time que foi o motivo para me apaixonar pelo esporte e pelo jornalismo. Fora que, desde que me conheço por gente, sempre foi um prazer estar na arquibancada, torcendo e vibrando como qualquer torcedor. 

Já fui uma das torcedores mais fanáticas, ao ponto de criar inimizades por causa do futebol, de ficar brava quando alguém me zoava ou de zombar do rival. Já viajei para lugares inimagináveis para acompanhar meu time do coração, já participei de várias ações que deram resultados imediatos dentro de campo, já sorri e já chorei. E eu jamais poderia esconder tudo isso.

A diferença agora é que eu tenho papel também de agir como jornalista e durante a minha trajetória jornalística eu guardei a emoção dentro do bolso e passei a agir com a razão. Aprendi a apreciar o futebol na sua melhor essência, compreendendo que esse esporte vai muito além do sentir, mas do entender os bastidores, o esquema tático, o toque de bola, as polêmicas. Me obriguei a entender as vitórias e aceitar as derrotas, porque faz parte e ponto.

Quando comecei a de fato estar nos estádios, aprendi a criar ainda mais respeito pelos adversários, pelas suas conquistas e por sua torcida. Entendi que o mais importante é conservar as amizades nesse meio, a valorizar o crescimento dos rivais e a analisar cada jogo como se fosse o do teu time. Amadureci como pessoa e principalmente como profissional.

Hoje tenho propriedade para analisar e falar de cada time do estado. Mas isso só foi possível porque lá atrás, uma paixão por um determinado time, me deu essa condição. Eu falo daquilo que eu tenho a convicção de falar, quando eu não tenho, eu prefiro o silêncio. Deixo que quem sabe, fale mais, análise mais. 

Mas o porquê de tudo isso? Pra poder falar com você torcedor do Figueirense, que assim como eu também está sofrendo com esse momento. Hoje, o clube que eu aprendi a amar e respeitar, chega a mais um descenso, só que desta vez ainda pior, para a Série C do Campeonato Brasileiro. Um cenário que jamais poderíamos imaginar há 10 anos atrás.

Em um ano de pandemia, sem torcida no estádio, com problemas financeiros, sem credibilidade no mercado para contratar e atrair patrocinadores, o improvável aconteceu. O torcedor que levou o time nas costas nos últimos anos, apenas assistiu ao descenso pela televisão. A voz que tanto empurrou a equipe e fez o Scarpelli pulsar, foi calada por causa de um vírus mortal. O descenso chegou sem ao menos termos um último grito de esperança das arquibancadas!

É difícil acreditar que um time que um dia calou um Itaquerão lotado, um Maracãna cheio, uma Arena do Grêmio fervendo e que também fez frente com outros gigantes do futebol brasileiro, tenha chegado a esse terrível cenário. Se o presente é assustador, o futuro parece um buraco que está longe de chegar ao fim. 

Com uma dívida de pouca mais de R$ 160 milhões, o que o Figueirense está passando agora é reflexo de uma sucessão de erros que começaram quando o PPP decidiu deixar o Scarpelli – antes de endeusá-lo, lembre-se que ele também queria um contrato semelhante ao que foi feito com a Elephant e por esse e outros motivos, optou por sair do clube – deixando a entidade zerada, mas ainda sim, com uma base profissional, % de jogadores e dívidas controlavéis.

Com o baque da saída de uma gestão que por 10 anos trouxe muitas glórias, a falta de opções para assumir a diretoria do Figueirense – a justificativa na época era que o clube precisava de um presidente com poder aquisitivo para controlar as finanças, fez com que ações impulsivas fossem tomadas para tentar profissionalizar a administração do clube – tudo diante dos olhos do conselho deliberativo

Com a falta de planejamento, as dívidas tomaram proporções gigantes, levando o clube a acreditar que somente uma terceirização resolveria todos os problemas, como se com suas próprias pernas, essa realidade não existisse. E mais uma vez, aos olhos do conselho deliberativo, com uma aprovação em tempo recorde, o Figueirense vendeu a sua alma para a Elephant. 

Agora é fácil julgar tal atitude, naquele momento obscuro, sem opções viáveis e concretas, aquela alternativa parecia a mais coerente. E se a gente achou que não tinha mais como piorar… Piorou. A empresa que deveria ser responsável por gerir o clube e arcar com a dívida e suas responsabilidades financeiras dentro e fora de campo, não cumpriu com suas obrigações e quase levou o time à falência – provocando o famigerado W.O contra o Cuiabá.

Se em 2019, a torcida levou o time nas costas e evitou o pior, esse ano pouco pode fazer. Nem mesmo a mudança na gestão, evitou o improvável. A falta de ações concretas, o silêncio e a pandemia, foram um prato cheio para o rebaixamento à terceira divisão do Campeonato Brasileiro. Um golpe tão duro que será difícil de digerir. No ano do centenário, nem os deuses do futebol foram capazes de ajudar.

A reconstrução será árdua, mas só ficará quem acredita que o Figueirense Futebol Clube pode novamente ser aquele clube que aprendemos a amar e respeitar. Só vai ficar aqueles que deixam a emoção tomar conta de si e acreditam que nenhuma divisão é tão importante quanto o fato de sentir tanto amor por um clube de futebol, porque só ficará aqueles que acreditam em dias melhores e um retorno triunfal.

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