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A força de um acesso

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Créditos: Chapecoense Oficial

Conviver com a Chapecoense nos últimos anos me fez perceber o futebol como algo espantosamente sobrenatural. Enquanto eu devorava livros sobre tática, sobre história do futebol, livros de crônica esportiva escritos com atilamento, a Chape entrava em campo e contrariava tudo aquilo. Desafiava a lógica tradicional. Ganhava jogos sendo imperfeita e perdia pontos jogando bonito. Enquanto eu pesquisava nos jornais amarelados sobre a realidade da Chapecoense no passado, ela chegava lá, longe, e reescrevia tudo do seu jeito bronco e elegante ao mesmo tempo.

Hoje, vejo que foi como Vitor Ramil disse na canção “Joquim”: “…nau da loucura, no mar das ideias” (ouça aqui).

Uma das teorias que a Chapecoense me ensinou a contrariar é a de que só o título importa em uma competição. Diante do que já vi a Chape fazer, não posso acreditar nisso. A vida ia veloz nessa casa, no fim do fundo da América do Sul. Tem de haver algo igualmente mágico, mas mais fortuito e mais singular em um acesso a uma divisão superior ou uma competição internacional. Digo porque são felicidades diferentes – não maior x menor, mas com outro gosto.

Porque enquanto o título vem para coroar uma jornada certeira que se encerra, um acesso vem para oferecer a delícia de uma nova história, uma nova trilha. A chance de ser melhor diante de adversários mais competitivos. Há algo de incrivelmente bonito em poder se reinventar.

A Chapecoense vai se despedir de sua segunda participação em uma Série B nacional deixando uma pista de loucura, de medo, de satisfação, de vitórias merecidas e derrotas muito mais. Nessa pista, a Chape tem em mãos um elenco que abraçou um objetivo, uma comissão técnica de plena consciência sobre a realidade do time, e com a confiança em uma gestão que eternizou Paulo Magro e seguirá exatamente assim: sabendo quem é e onde pode chegar. Todos falavam, e todos sabiam, que o cara não se entregava.

Encerrando de vez um ano tão cruel como foi 2020, a Chapecoense nos permite sonhar com um 2021 mais estável – quiçá mais brando, embora ninguém possa prever como será a vida no novo normal. (O mundo ardia na guerra, quando Joquim Louco saiu da prisão.). A Chape vai embarcar em mais uma Série A com menos vulnerabilidade, mais madura politicamente e com um troquinho valioso no bolso.

De pronto, é o que se sabe. Se a Chapecoense será capaz de demonstrar essa maturidade dentro de campo, ou se a Chapecoense será capaz de ainda coroar essa jornada com o título da Série B, bem… isso está guardado na beleza do sobrenatural. Ainda não está escrito.

Uma eterna inquietude e virtuosa revolta conduziam o libertário…

Créditos: Márcio Cunha/Chapecoense

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