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Força Jovem Guarany – 20 Anos | Conheça a história da maior do interior do Brasil – Parte 1

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Créditos: Força Jovem Guarany, final do brasileiro Série D/2010 (Foto: Junior Magalhães)

Esta semana a maior torcida organizada do Guarany de sobral chega ao seu vigésimo aniversário, por esse motivo faremos uma série de matérias sobre a trajetória desta torcida do interior do Nordeste que por muitos anos tem servido de espelho para o surgimento de novas agremiações.

O Gremio Recreativo Torcida Organizada Força Jovem Guarany, foi fundado no início da primeira década dos anos dois mil, época em que o Cacique do Vale mostrou suas armas no campeonato brasileiro Série C,concluindo a competição na terceira posição e subiu para Série B de 2002, herdando a vaga do paranaense Malutrom (PR).

Mas essa história começou no ano 2000, quando um grupo de estudantes entre 12 e 18 anos, residentes no Bairro Sinhá Saboia, zona leste da cidade de Sobral, no Ceará, começaram a cogitar a organização deles próprios para irem ao estádio carregando faixas e bandeiras.

Com propriedade, posso falar que não foram épocas fáceis, nós tínhamos que atravessar toda a cidade para chegar a outra extremidade, no bairro do Junco, onde fica localizado o Estádio Plácido Aderaldo Castelo, popularmente conhecido como “Junco”, o mesmo nome do bairro, mas carinhosamente apelidado de “Juncão”.

Em uma das várias conversas que tínhamos na esquina da antiga rua B com rua G, resolvemos pensar em um nome para a torcida, éramos “moleques”, não tínhamos ideia de, para onde iríamos ser transportados, exatamente, torcida organizada é uma viagem no aprendizado que só os estádios e a convivência coletiva pode proporcionar aqueles que embarcam.

No dia seguinte, nos reunimos novamente no mesmo lugar, era ali, na calçada do amigo José Filho “Zezinho”, onde as conversas noturnas aconteciam e de onde saiam as odeias mais mirabolantes. o ponto de encontro nos servia também para ver a galera das aulas noturnas passarem indo e voltando das aulas, já imaginou, nós ficávamos longas horas por lá.

Adiantando a cronologia, nós escolhemos o nome numa manhã, não lembro do dia, mas acordei e resolvi acordar Ítalo e Leandro, irmãos e meus vizinhos, a mãe deles me deu um grito. claro! O relógio marcava 6 da manhã, então aguardei, mas antes eu fui na casa do Fabrício, mas não o acordaram, era só ansiedade, essa que até hoje está comigo, nunca me abandonou.

Enfim reunidos novamente, o nome era Força Jovem, confesso que se fosse hoje, escolheríamos outro, mas a mística que carregamos com esta definição, é simplesmente surpreendente, porque ao longo dessas duas décadas, essa torcida faz valer com exatidão a definição do seu próprio nome. Afinal, em muitos momentos, nós carregamos literalmente “nas costas”, o Guarany a vitória e até mesmo quando não havia nenhuma perspectiva, estávamos no estádio empolgando e empurrando o time.

Consentimos com o nome e partimos para os próximos passos, mas nesta etapa precisaríamos de dinheiro para tintas e tecido, foi então que cada um “raspou” as economias, pedimos “emprestado” as famílias, minha avó Maria tornou-se a costureira oficial da torcida, ela que trabalhou por muitos anos nas bandeiras e faixas, graças a ela economizamos para comprar tintas para pintura do material que nós mesmos produzimos.

Janeiro de 2001 chegou e nós apressamos a produção que pela escassez de recursos demorou um pouco para ficar pronto, mas nós estreamos as duas bandeiras pequenas e a faixa que media apenas depois metros, ficou perdida no estádio, mas era nossa estreia.

O dia 14 de janeiro de 2001, marcou o ponto de partida da maior torcida organizada interior do Norte e Nordeste do Brasil, jogo válido pelo Campeonato Cearense de Futebol, Guarany de Sobral 1 x 1 Ferroviário. neste jogo ficamos segurando as bandeiras na arquibancada, erámos entre nove e doze jovens torcedores, sem muita intenção, queríamos apenas levar nosso apoio ao clube do coração.

Esta partida que terminou empatada, foi à tarde, no horário em que Sobral, historicamente uma cidade quente, marcava nos termômetros entre 35 e 38 graus, no setor de arquibancadas denominada “geral” o sol fica de frente, ou seja, os torcedores sentem no rosto a fúria do calor das terras sobralenses, logo abaixo da linha do equador.

E foi por esse motivo que nos destacamos, aquele grupelho de pessoas no sol, segurando bandeiras e arriscando gritos logo em seu primeiro jogo chamou atenção da imprensa local, que elogiava e procurava saber quem eram aqueles, erámos nós, os “Loucos da Jovem”, frase que virou bandeira semanas depois.

Ali surgia uma nova forma de torcer na região norte do estado do Ceará, que até então não existia, víamos torcidas nesses moldes, quando as da capital – Fortaleza, Ceará e Ferroviário – viajam à Sobral.

O que se via nas arquibancadas do “Juncão” era a extinta Guara-raça, que levava uma banda e tocavam durante o jogo, mas nós mudamos essa realidade, a partir daquele dia, muita coisa mudaria, mas são assuntos para as próximas publicações, continue acompanhando, até domingo (17), mais momentos históricos serão publicados.

Esta é uma série de reportagens sobre a história da maior torcida organizada do Guarany de Sobral, contada por mim, Rondinelly Mota, colunista do Atrás do Gol, fundador, ex-presidente e puxador desta torcida.

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