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A crítica ao futebol moderno e a lógica do desejo

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Créditos: medium.com

De Aristófanes (448-380 a.C.) a Freud (1856-1939), o desejo é ligado experiência da perda e ao sentimento de falta. O primeiro é citado por Platão (428-348 a.C.) em seu célebre diálogo O Banquete e defende que os seres humanos eram, inicialmente, completos. A sensação de completude, todavia, teria os exacerbados a ponto de desafiarem os deuses, que, contrariados, os teriam partido ao meio. Dividido, o ser humano teria, assim, começado sua espinhosa, tortuosa e incansável procura pela sua metade perdida (SANTIAGO, 2011).

O segundo, por sua vez, para o escândalo da sociedade de seu tempo, argumenta que os desejos sexuais das crianças nascem muito cedo e se dirigem para os genitores. Todavia, como a realização desse desejo é interditada, a criança renuncia o objeto do amor, redirecionando seu desejo. A despeito da sua plasticidade, que nos permite depositar nossas energias em qualquer lugar, o desejo, na visão freudiana, não consegue se livrar totalmente das marcas do primeiro amor fracassado, buscando sempre revivê-lo de alguma forma e, assim, reestabelecer uma situação de satisfação original (SANTIAGO, 2011).

Mas qual a relação dessas considerações sobre a lógica do desejo com as críticas ao futebol moderno, ou seja, com as críticas ao processo de (hiper)mercantilização do esporte, cada vez mais determinado pela lógica midiática e do capital? Notemos que essa crítica vem, quase sempre, acompanhada de um discurso saudosista, que clama pela volta do passado, que teria sido mais autêntico do que o presente. Nos seus primórdios, o futebol, nesse discurso, estaria livre das forças que hoje o controlam, como o dinheiro, a mídia, os organizadores e os patrocinadores. Em outras palavras, a crítica ao futebol moderno é mobilizada por um sentimento de perda e pela vontade de se retornar a um estado original (supostamente) pleno. É mobilizada, portanto, por uma falta.

O fato de essa falta referir-se a uma percepção, em certa medida, idealizada e romantizada do passado (a mercantilização e a midiatização do futebol, bem como a repressão da festa na arquibancada, são fenômenos complexos e mais antigos do que se costuma crer), todavia, não anula a legitimidade da crítica em questão. Afinal, essa crítica busca transformar um conjunto de situações que são concretamente experimentadas como insatisfatórias por uma parte significativa dos(as) torcedores(as) atuais. Nesse sentido, é preciso reconhecer que ela possuí um caráter crítico, podendo, portanto, fomentar a resistência.

Referências

SANTIAGO, Homero. Amor e desejo. Martins Fontes: São Paulo, 2011.

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