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Palmeiras e River Plate: Reencontro de gigantes

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Créditos: Palmeiras x River Plate – GettyImages

Um relato da semifinal de 1999 assistida atrás do gol.

Pouco mais de 21 anos depois do grande duelo de 1999,  Palmeiras e River Plate voltam a se encontrar em uma semifinal de Libertadores da  América. Se não pude estar na partida em Buenos Aires, pois era bancário e faltar no trabalho era complicado, encarei a fila e garanti meu lugar nas arquibancadas de concreto do saudoso Parque Antártica para assistir ao emocionante e glorioso jogo de volta.

No dia 19 de maio de 1999 o Palmeiras foi à Argentina desafiar o River Plate, uma das equipes mais tradicionais da América do Sul na disputa por uma vaga na final da Taça Libertadores da América. O River era treinado por Ramon Diaz e tinha um belo toque de bola e jogadores técnicos como Sorín, Saviola, Gallardo e Berti. Era um jogo difícil, mas no caminho já havíamos atropelado e eliminado o Vasco e o então badalado Corinthians.

Mas o jogo de ida foi um sufoco terrível. Felipão armou o time mais defensivamente e sentíamos a falta do lateral esquerdo Júnior, que estava suspenso. O River foi muito mais ofensivo e criou inúmeras chances de gol. Mas a noite era de São Marcos que fez inúmeras defesas milagrosas. Porém, aos três minutos do segundo tempo, após duas bolas na trave, o atacante Berti acabou conseguindo colocar a bola na rede.  O placar de 1 x 0 para o River Plate acabou sendo um bom resultado graças ao nosso goleiraço.  Só por essa partida já mereceria mesmo o busto no clube.

No dia 26/05/1999 aconteceu o jogo de volta, no saudoso e glorioso estádio Palestra Itália, apelidado de Parque Antártica. Consegui meu ingresso após enfrentar uma longa fila. Na época, não havia ainda sócio torcedor, ingresso pela internet e as facilidades atuais. Era lá na fila mesmo, fizesse chuva ou Sol.  Mas valia o esforço. O Palmeiras de 1999 merecia esses sacrifícios, pois jogava com uma raça impressionante. A classificação para a semifinal da Copa do Brasil, em uma partida inesquecível contra o Flamengo e o histórico 4 x 2  conquistado nos instantes finais confirmava isso.

Sentei-me  literalmente “atrás do gol”  onde Marcão nos defenderia no primeiro tempo, ou seja, o Palmeiras atacava para o “lado das piscinas”. Como cheguei cedo, consegui sentar num ponto muito bom, pois possibilitava ótima visão do campo.

Como não podia deixar de ser, o Palestra Itália lotou totalmente, incluindo os prédios vizinhos, com muita gente nas janelas para assistir essa histórica partida. Jogo tenso, tínhamos que tirar a vantagem dos argentinos, mas Felipão armou bem o time. Continuávamos sem Júnior e agora também sem Júnior Baiano, expulso na primeira partida. Mas Roque Júnior e Agnaldo formavam uma zaga segura, com o excelente e inesquecível Arce na direita e Rubens Júnior na esquerda.

Jogo nervoso, mas bem jogado, os dois times se estudavam. Conversava com torcedores ao meu lado, gente que nunca havia visto na vida, mas que estavam ali na mesma torcida, Palmeirenses, irmanados naqueles noventa minutos cruciais. Dali de atrás do gol, deu para ver muito bem a matada no peito de Alex, a limpada no lance e a bomba de pé esquerdo que estufou as redes aos 17 minutos do primeiro tempo e que fez o estádio explodir em comemoração e alegria. Um pouquinho antes Alex já havia mandado uma bola na trave.

foto: palmeiras.com.br

Dois minutos depois e Roque Júnior de cabeça aumentaria o placar e reverteria a vantagem do River, tudo isso em vinte minutos de partida. Agora, eles é que tinham que correr atrás do resultado. E o Palmeiras administrou o jogo até o final do primeiro tempo, ameaçando de vez em quando, mas sem se arriscar tanto. Era o estilo Felipão, mais inteligente que retranqueiro.

No segundo tempo o River Plate, precisando fazer gol, colocou mais um atacante e adiantou a marcação, pressionando a saída de bola do Palmeiras. Nossa zaga, entretanto, fazia grande partida. Até destaco o jogador Aguinaldo, que não costuma ser muito lembrado quando comentamos a conquista de 1999, mas que jogou muito nessa partida e ganhava quase todas pelo alto. A pressão do River aumentou, e em bolas paradas obrigaram Marcão a fazer ótimas defesas. A tensão aumentava lá na arquibancada. Eu e meus eventuais companheiros de torcida pedíamos a entrada de Euller, o filho do vento. Mas tivemos que esperar.

Rubens Júnior, que estava substituindo Júnior na lateral, sentiu dores e foi substituído pelo jovem Tiago. Todo mundo ficou meio apreensivo. Era uma improvisação e a preocupação foi geral. O menino daria conta do recado?  O River apertou mais ainda a marcação e tínhamos dificuldade de encaixar contra-ataques. Felipão tinha opções no banco, mas cauteloso, resolveu esperar mais um pouco. O dois a zero era dramático. Um gol do River e teríamos que encarar decisão por pênaltis.

Enfim, para alegria e comemoração da torcida, Euller foi para o aquecimento. E entrou incendiando o jogo. Com o River cada vez mais exposto, a velocidade de Euller começou a abrir buracos na defesa argentina e as chances foram surgindo. Porém, Euller não estava tão inspirado para finalizar e acabou perdendo chances incríveis de gol. Numa delas, quase matou meu vizinho de arquibancada do coração. Ele driblou o goleiro e chutou na trave. O  cidadão até sentou para respirar melhor e praguejou, dizendo que Euller já havia nos tirado de uma Libertadores e ia nos tirar de outra, se referindo aos gols do atacante quando defendia o SPFC  de Telê Santana em 1994.  

Aos 42 do segundo tempo, o Palmeiras encaixa um magistral contra ataque, Paulo Nunes, caindo pela esquerda, puxa a bola e vê Alex entrando pela direita. Lança com categoria para nosso meia, que com categoria ainda maior  mata a bola, domina e bate de forma genial no canto direito de forma indefensável. A bola foi tão precisa que parecia ter sido colocada com a mão. Bem de frente para mim, para ficar para sempre em minha memória. Golaço de Alex, 3 x 0 no marcador e classificação garantida para a final.  Uma semifinal de dois Gigantes. O juiz nem deu muitos descontos. Quase que aos 45 cravados ele apitou  e consolidou o que já estava decretado : Palmeiras finalista da Taça Libertadores de 1999. Uma partida que está muito bem guardada em minha memória. Uma partida que assisti da nossa saudosa arquibancada, bem ali, atrás do gol.

José Carlos Fubalee.

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