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Cássio – A trajetória do maior goleiro da história do Corinthians

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Créditos: Reprodução

Cassio e sua aprendizagem para se tornar Corintiano. Gaúcho de Veranópolis, participou das bases do grêmio, que o levaram a disputas nos campeonatos da seleção brasileira sub-20.  Tendo sido campeão holandês em 2008, estava sem jogar, isolado, quando seu empresário Carlos Leite, que atuou para sua saída da Holanda, onde jogou (2007-2011). Aprendeu por lá a se dedicar ao rock, acompanhando grupos como Linkin Park, AC/DC, Foo Fighters, adotou sua cabeleira. Veio da Holanda para o Corinthians, com um propósito, disposição, dedicação e esforço para corresponder com o time.

O goleiro, quando esteve com o grêmio jogando no Pacaembu, observou a paciência da torcida com o time, na época o Corinthians não estava bem, mas a torcida não vaiou em nenhum momento. Um bando de loucos mesmo, mas loucos que só ajudam. Durante seu aprendizado em ser corintiano, registrou marcas importantes.  Em 444 jogos com a camisa, teve 195 jogos sem sofrer gol.

Em sua trajetória vitoriosa, com episódios marcantes, como Maradona presente para torcer para o Boca em jogo contra o timão. A faixa da vitória de Cássio veio das mãos de Basílio. Sempre antecipando informações sobre seus próximos adversários, checando o time do Chelsea, com os brasileiros David Luiz e Ramires, Ivanovich e Moses, um time a se respeitar.

Cassio havia estado no Japão com a base do Grêmio, mas ao entrar no estádio, para o jogo contra o Chelsea, a Fiel Torcida havia tomado o estádio, fazendo com que parecesse o Pacaembu, faixas pretas e brancas espalhadas com nome de bairros paulistas, Vila Moraes, Capão Redondo, Interlagos, Mooca, Tatuapé.  Além de bicampeão do mundo, recebeu a bola de ouro do mundial de clubes da FIFA. Não só como goleiro, mas como melhor jogador de toda a competição e da final. O carro Toyota que recebeu foi convertido em cestas básicas distribuídas a população da sua cidade, Veranópolis.

As condições físicas sempre exigem dos atletas dedicação mesmo quando o corpo não esteja correspondendo. Tinha que treinar para adquirir ritmo e jogar a Libertadores, jogava na base da injeção. Não conseguia fazer movimento nem para defender a bola. Quando a bola batia no braço, parecia estar tomando uma facada no ombro, não aguentando mais a dor, admitiu a necessidade de cirurgia, mesmo tomando injeções em dois meses, fazendo fisioterapia, não conseguia treinar com a dor extrema.

Estava no jogo na Bolívia, onde o torcedor Kevin espada, 14 anos, morreu na arquibancada após ser atingido por um sinalizador, o que veio a prejudicar o rendimento do time.  Apresentou outras lesões, como uma de grau três no músculo posterior da coxa direita. Nas mãos, os dedos dobravam, mas travavam, não tinha força para voltar à posição normal. Uma pequena operação, após a qual estaria apto a treinar em uma semana, teria resolvido o problema. Foi nessas condições desfavoráveis que foi surpreendido pela genialidade de Riquelme, que o encobriu com um chute longo, quase um cruzamento, desde a lateral da grande área.  Mesmo assim, assinala que em 109 anos de timão, somente um goleiro ainda tem mais pênaltis defendidos: Ronaldo Giovanelli.

Com os resultados desfavoráveis do time, estava no vestiário, quando o Centro de Treinamento foi invadido pela torcida, no dia 01/02/2014, centenas de torcedores enfurecidos. Do nada, todo mundo saiu dizendo: “corre que o pessoal invadiu”, estava na transição do vestiário para o campo. Não era uma invasão de dez pessoas, era uma situação de duzentas, trezentas. Os jogadores, vendo tudo isso da janela, corremos para dentro do vestiário. Os caras nos campos e os jogadores, alguns dentro do hotel, foi uma experiencia muito ruim que sofreu. Os jogadores chegaram a se recusar a entrar em campo contra a Ponte Preta.  Quando veio a desclassificação, Cassio, afirmou em entrevista que havia jogador que não estava preparado para jogar no clube, causando polêmica no grupo.

Em um jogo contra o Palmeiras no Allianz, Cassio foi expulso do jogo por fazer cera. Em outra partida contra o São Paulo, Cássio defendeu pênalti de Rogério Ceni.   O Time passou a enfrentar dificuldades, após o mundial, haviam saído do time, Ralf, Renato Augusto, para a China e Vagner Love e Malcom para a França.  Começou a encontrar dificuldades e cobranças da torcida, foi procurar o técnico Tite, chegando a chorar.

Passou a ser visto como baladeiro, recebeu xingamentos, Tite o aconselhou que ele tinha que mudar, o Corinthians já teve, Gilmar, Ronaldo, Tobias, Dida, Solito e Solitinho, o gigante é sim o maior goleiro da história do clube. Empenhado, foi para a seleção brasileira como um dos goleiros na copa do mundo na Rússia em 2018, jogou a copa américa, em 2019.

Sempre participou da igreja católica e evangélica, após sua conversão, parou de beber, manteve o rock e passou a ouvir música gospel. Afirma que sua obediência a Deus, teve mudança na vida e conquistas. Chegar a uma copa do mundo, só Deus mesmo. Nesse período veio a conhecer e conviver com um filho de cinco anos que não conhecia.

O tricampeonato paulista consecutivo em 2017, teve uma firme participação de Cássio, pegou dois pênaltis, um de Diego Souza e outro de Liziero, conseguindo a classificação do Corinthians. Pegou ainda cobranças de palmeirenses como Dudu e Lucas Lima. O grandioso momento no Pacaembu, com o mando santista, é considerada a maior de todas as atuações de Cássio com a camisa corintiana, não pegou pênalti, mas Kaio Jorge e Vitor Ferraz chutaram nas traves.

Em decisões por pênaltis, igualou-se a Gilmar dos Santos Neves. Ficou quatro anos na Holanda e não havia jogado, não imaginava como era São Paulo, como era o Corinthians.  Aprendeu o que era ser corintiano, é um clube onde aqueles que não gostam, odeiam, é um time diferente de todos. Encontrei momentos difíceis, como a invasão do centro de treinamento, momentos de protesto, sair do estádio com ônibus apedrejado, baixarem o vidro do carro para discutirem comigo, te ofenderem.  São coisas que transformam a gente, entrar no mundial e parecer que estava no Pacaembu. Assistir no youtube a invasão de 76, a torcida vai para apoiar cem por cento, cobram é claro, mas durante os noventa minutos é aquela que empurra o time.

Você vê gente da classe baixa à classe rica torcer para o Corinthians, isso gera uma paixão pelo time. De viver intensamente, de se dedicar, a ponto de, se alguém falar mal do Corinthians, querer brigar, discutir, querer defender o time em qualquer situação.  Quando vencemos a Libertadores e eu peguei aquela bola do Diego Souza, eu ficava com muita vergonha.  Eu ia a lugares, ao shopping, naquela época, e pessoas se ajoelhavam, se atiravam, beijavam minha mão, quando ganhei o mundial, fui ao programa Altas Horas do Serginho Groisman na televisão Globo, a cantora Luiza Possi, que também estava lá, se ajoelhou e começou a beijar a minha mão e gritar: “Cassio, gigante”.  Na rua, também as pessoas se ajoelham, abraçam. Teve uma senhora idosa que fez aniversário de 87 anos e o tema da festa dela foi Cássio, tinha pessoas com a máscara do Cássio, a festa Cássio, o bolo Cássio.

Atualmente tem mantido discrição, joga, vai para casa, treina, vai para casa. Minha intenção é encerrar minha carreira no Corinthians. Mas a gente nunca sabe por que o futebol é muito dinâmico. Muitos jogadores têm problema quando param de jogar futebol porque não sabem o que querem fazer, esperam para decidir isso depois. Eu pretendo trabalhar no Corinthians, penso em ser treinador, quero me preparar. Hoje me cuido, me alimento, tenho uma vida regrada, com tudo, quando a gente quer ser exemplo, temos que fazer por onde. Esta é minha forma de agradecer ao Corinthians, de agradecer à torcida.  O Corinthians tem presidente, tem treinador, o que eu puder agregar, eu vou agregar, no que eu puder ajudar, falando de coração, sou muito grato.

O Corinthians me deu oportunidade de mostrar meu futebol. Deu total suporte quando eu passei por situações difíceis. Consegui prêmios individuais, títulos inéditos, mas quando eu caí, eles me apoiaram. Obrigado Corinthians, obrigado Fiel.

Sobre o autor, Celso Unzelte, é jornalista, pesquisador, comentarista esportivo, professor universitário e escritor. Entre seus livros estão o Almanaque do Timão, O Livro de Ouro do Futebol, Os Dez Mais do Corinthians e 20 Jogos Eternos do Corinthians. Atualmente, participa dos programas BB Debate, da ESPN Brasil, e Cartão Verde, da TV Cultura.

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