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Web Série: Racismo, Futebol e Sociedade. PARTE 1

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Antes de mais nada, quero que você saiba que esse tema será muito debatido por aqui, não em um único texto, tentarei fazer uma serie de textos a respeito do racismo e cada vez mais aproximando esse tema ao futebol e esporte, dito isto, boa leitura.

Você já foi acordado com uma sensação de entalo na garganta? Como se você precisasse falar e não conseguisse? Pois, foi assim que acordei e quando ao abrir o twitter me deparei com o vídeo aos prantos do garoto Luiz Eduardo ao ter sofrido atos racista diante de um amistoso de divisão de base, 11 anos e ele sentiu na pele o que sinto e o que nossos irmãos de cor sentem. Citei nesse dia:

Os dias se passaram e após muito pensar, no dia 20/12 decidi que o racismo seria a minha próxima pauta, era por volta de 14h e eu sentei na frente do notebook e se quer saia uma palavra, eu não conseguia escrever, logo eu que escrevo mais que tudo. Já que as palavras não saiam para formar um texto, apenas salvei o documento com o título “Racismo & Futebol”, mas eu nem imaginava que o destino ali me dizia que logo mais eu entraria em colapso justamente por esse tema. E assim foi, chegou a noite e o Bahia entrou em campo contra o Flamengo, o resultado foi uma derrota, mas a pior derrota veio na entrevista que me faria surtar e não mais querer escrever sobre o assunto (naquele momento), Gerson jogador do Flamengo usou seu espaço para denunciar um suposto caso de racismo vindo do jogador Ramírez do Bahia, do meu clube. Foi naquele momento que tudo parou, eu me desesperei, o Bahia não se pronunciava, os clubes repudiavam o ato, os comentários iam ficando cada vez mais pesados, a mídia em si só falava nisso e nada do Bahia se pronunciar, horas passaram e eu não conseguia dormir, não conseguia comer, só chorar, até que o Bahia soltou uma nota na madrugada, meu alivio começou a ser anunciado, mas ainda assim eu não me conformava em incluir meu time no texto, não de modo negativo, queria que ele fosse exemplo, que ele não largasse a minha mão (ele não largou, mas isso será em outro texto).

O texto de hoje não é para falar sobre o caso envolvendo Gerson, Ramírez e Bahia, o enunciado acima serviu apenas para que saibam que eu estou atenta ao caso Gerson e posteriormente irei fazer um texto exclusivo para falar desse caso (talvez o caso não esteja mais nos holofotes, mas eu não tenho pressa).

Eu quero falar de racismo, do racismo que está matando as nossas crianças, os nossos jovens, do racismo que faz com que não tenhamos esperanças no futuro, do racismo que faz com que meus irmãos e irmãs entrem em depressão, não sejam contratados, sejam demitidos, subjugados ou humilhados no dia a dia. Aquele racismo que faz muita gente justificar que falta qualificação, quando na verdade falta é oportunidade e igualdade.

Falar de racismo no Brasil ainda é um tabu, a gente sabe que a população é racista, mas a gente nega que sejamos racistas ou que temos atos racistas, assim buscamos sempre diminuir e esvaziar esse tema quando ele é colocado em pauta, estamos sempre buscando justificar que vivemos numa democracia racial e por isso não temos racismo no Brasil. Mas vamos fazer uma reflexão rapidamente? Quem é que sempre está nas noticiais negativas? Quem são as crianças que mais morrem por bala perdida? Quem são as famílias que protestam após perder seu familiar que estava indo ou voltando do trabalho? Você pode tentar justificar que é porque somos a maioria da população e eu vou continuar meus questionamentos, por que então não somos maioria nos cargos de expressão nas empresas? Por que ainda temos que lutar para chegar a algum lugar? Por que temos que brigar para que nossas vozes sejam ouvidas e levadas a sério? Essa maioria só serve para justificar as atrocidades é? Peço licença para citar esse trecho de uma música de Fantasmão “Com um conceito renovado, andará nossa nação, sou filho de preto, quero respeito, quem mora no gueto não é ladrão!”

Agora você talvez esteja se perguntando, o que isso tem a ver com o futebol? TUDO, o futebol é o reflexo da nossa sociedade, o nosso maior talento é negro, os jogadores em sua maioria são negros e crias das diversas favelas e comunidades do Brasil, e mesmo assim o racismo ainda é presente no futebol e no esporte de maneira geral, e ele está nas pequenas coisas, não necessariamente precisa ser alarmado ou escancarado aos quatros ventos, facilmente eu poderia lembrar de casos de racismo no futebol, vindo de torcida, de dirigente e etc. Mas o texto ele não tem a intenção de julgar ou analisar caso a caso, tem a intenção de fazer com que você reflita sobre o racismo. Ao olhar o racismo no esporte podemos perceber como ele impacta diretamente os clubes esportivos no Brasil, dai a gente se pergunta quantos treinadores negros existem em atividade no momento? Quantos dirigentes negros? Quantos presidentes de clubes são negros? Quantos diretores de futebol são negros? Quantos negros estão participando ativamente das decisões das federações e da CBF? Você terá coragem de me dizer que faltam negros qualificados para todos esses cargos? Então vamos lá, os técnicos são ex-futebolistas certo? Quantos ex-jogadores negros tiraram credenciais para técnico e quantos receberam uma oportunidade? E os que receberam uma oportunidade, quantos deles caíram nessa primeira oportunidade?

A desconfiança não é por ser inexperiente, é pela cor da pele mesmo. Aqui no Brasil é mais fácil contratar um técnico estrangeiro do que um técnico negro e isso diz muito a respeito do racismo velado e estrutural. Mas para inicio de conversa, acredito que essas perguntas já servem para reflexões, faça além, não se prenda unicamente ao espaço futebol e esporte, comece a olhar além, se for preciso revisite o seu passado e veja quantos negros você viu e vê crescer em algum ramo e quais as dificuldades que ele percorreu ao longo do caminho, se você for branco e tenha amigos negros, converse com eles sobre vivências, tente enxergar onde seus caminhos se encontram e onde se separam, é importante saber para construir a mudança que o mundo precisa, aqui peço licença mais uma vez para citar uma música, dessa vez da Bia Ferreira “Chega junto, e venha cá, Você também pode lutar, E aprender a respeitar, Porque o povo preto veio para revolucionar”. Com isso finalizo meu primeiro texto sobre o racismo, e lembre-se o racismo é um problema meu, seu e nosso!

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