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Virada do século

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Créditos: NetVasco

Salve salve galera futebolesca! Que semana foi essa hein? Estadual sub-20, gol de Cano nos acréscimos, golpe político, desrespeito a vontade do sócio e a comemoração dos vinte anos da nossa inesquecível vitória da Mercosul. Foram várias sensações de alegria com esperança, de alívio com insatisfação, de tristeza, nojo, revolta e hoje de orgulho e nostalgia, obviamente tudo respectivamente.

Vamos nos ater nessa coluna de hoje a data especial, pois é isso que faz o Vasco ser gigante, as nossas conquistas (e claro, nossa torcida, tão machucada e desrespeitada).

O ano de 2000 foi muito especial, tinha acabado meu Ensino Médio, respirava Rock n’Roll, Teatro e o Club de Regatas Vasco da Gama, que vivia a melhor fase da sua história, se igualando ao período do Expresso da Vitória.

Começamos o ano com o maior esquadrão que o Vasco já formou no papel para o Mundial de Clubes, que infelizmente não veio, perdido nos pênaltis para o Corinthians. Que injustiça, mas o futebol é o que é graças ao imponderável, a imprevisibilidade, vide a Hungria de 1954. Fui a todos os jogos daquele Mundial e tive o prazer de ver Edmundo e Romário juntos, destruindo o Manchester United.

Mesmo com o timaço, e algumas mudanças no time durante o ano, com a saída de Edmundo, Ramon, Donizete, Amaral e Carlos Germano (sim, ele estava no banco) e a chegada de outros importantes, como Juninho Paulista, Clebson e Euller, o Vasco, mesmo com Romário voando e sendo artilheiro de todos os campeonatos, sempre sucumbia nos momentos decisivos. No Rio-SP e no Carioca, perdendo nas finais ou na Copa do Brasil, saindo nas quartas. Somada a derrotas sentidas no Basquete, Futsal e nas Olimpíadas de Sidney, no qual tínhamos a maior parte dos atletas da delegação e o país não conseguiu ganhar nenhuma medalha de Ouro.

Foi um prato cheio para a imprensa rubro-negra apelidar nosso clube de Vice e virarmos chacotas, principalmente por inveja e raiva dos adversários por nos ver lutando sempre pelos títulos, em um período que alguns lutavam para não cair, ou literalmente estavam vindo de outras divisões.

Chegamos no dia 20 de dezembro de 2000, eu com 19 anos, coração a mil, peças, banda de Rock, fazendo inúmeros shows e já carente de um título, que não vinha desde março de 1999, com a conquista do Rio-São Paulo. Mal eu sabia que o jejum seria muito maior…

Meu pai dizia: hoje vai dar Vasco! E eu prontamente acreditei. Deixei o carro velhinho que minha mãe tinha na época, uma Panorama 1985, na calçada de casa para curtir pela Curicica, Jacarepaguá, buzinando madrugada adentro, sem deixar os adversários dormirem. 45 minutos depois e três gols tomados, eu silenciosamente guardei a Panorama na garagem, aos berros da vizinha rubro-negra (hoje vascaína).

Continuamos assistindo o jogo em silêncio, no quarto dele, não muito pela esperança, mas pelo amor ao clube, ganhando ou perdendo, eu jamais iria abandonar. Mas eu pensava: “Um gol até os 15 minutos dá pra sonhar.” Ele veio aos 14 minutos em um pênalti convertido por Romário e eu fui até a janela em direção a vizinha e gritei: GOL! E voltei para a cama do meu pai. Aos 23 minutos outro pênalti e mais uma vez convertido por Romário. Os olhos do meu pai já eram de luta e fui mais uma vez para a janela e dessa vez em um tom maior: “Goool Vascoooo! Nessa altura eu já não estava mais deitado, mas sim com o coração acelerado e sentado na cama esperando o terceiro que veio aos 41 minutos com um gol do inesquecível Juninho Paulista. Ali já levaria o jogo para os pênaltis e eu e meu pai fomos ao delírio e no meio da festa, veio o quarto e derradeiro gol aos 48 minutos de Romário em um rebote de Juninho Paulista. A Virada do Século, quatro gols em um tempo, na casa do adversário, técnico recém chegado, com um jogador a menos e em uma final intercontinental. Nunca o mundo viu isso e dificilmente voltará a ver!

Eu e meu pai em êxtase, telefone toca e era minha prima palmeirense querendo dar os parabéns e eu achando que era uma namorada da época falei que a amava e desliguei o telefone na cara. Tirei o carro da garagem com amigos já chegando na porta e fomos Curicica a fora, buzinando na casa de todos os adversários que conhecíamos, paramos em frente ao antigo Fórmula do Gol (hoje Supermercado Mundial) e fomos aplaudidos, ofendidos e só voltamos com o sol já raiando.

Hoje aos 39 anos, ainda sou um privilegiado por ter meus pais, sou ator, ainda faço shows,  não temos mais a Panorama que acabou em uma árvore em 2005, quando quase morri. O Vasco não tem mais aquele esquadrão e o mais triste, ta longe de ver o sol raiar em sua direção. Aqueles meninos que rodaram a Curicica com menos de vinte anos, são hoje quase quarentões, carentes de títulos, alegrias e principalmente respeito, pois o que fizeram com a nossa voz e nossa vontade nessa semana na justiça, foi uma derrota da moralidade e principalmente da esperança.

Volta meu Vasco, eu te espero de braços abertos!

Vasco: Hélton; Clebson, Odvan, Júnior Baiano e Jorginho Paulista; Nasa (Viola), Jorginho (Paulo Miranda), Juninho e Juninho Paulista; Euller (Mauro Galvão) e Romário. Téc. Joel Santana

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Comentários

  1. Aderval disse:

    Esse jogo parei de ver com 3 x 0 e o futebol como sempre revelou surpresas e boas para o nosso lado na época, q só um elenco com a qualidade q o Vasco tinha seria capaz de reverter o resultado, na casa do Palmeiras e de um time competitivo na ocasião.

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