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ALAMBRADO: Ciao, Paolo!

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Paolo Rossi. Como eu te odiei. Para mim, a Tragédia do Sarriá é viva até hoje! Não consigo ver uma matéria que fale daquele jogo. Se aparece, troco o canal. 36 anos depois do maior trauma que o futebol me proporcionou, estivemos num jantar, no Rio. Os amigos – da minha idade, mais velhos e mais novos – me zoavavam sem parar. Diziam que eu me sentaria ao seu lado, que faríamos fotos juntos. Cheguei antes. Quando você chegou, Zico chegou juntos e vocês dois desceram as escadas conversando, como dois grandes amigos que eram. Eu só pensava “Como o Zico conseguia ser seu amigo???” – coisa de torcedor, claro.

Quando você foi cumprimentar aos que já se faziam presentes, eu fui desviando de apertar sua mão. Ao final do evento, uma foto com todos. Os amigos tentaram me empurrar para perto de você, mas escapei outra vez. Você numa ponta, eu quase na outra. Porém, numa distração minha, na hora das despedidas, senti um leve toque no ombro. Quando olhei, era você, sorrindo, com a mão estendida para mim. Aí, naquela hora, a educação falou mais alto. Te cumprimentei com um sorriso, soltei um italiano macarrônico. E, confesso, quis lavar a mão. Tudo o que eu não queria era falar contigo!

Eu me considero um cara moderado, tranquilo, sem uma grande desavença no mundo. Mas, com você, infelizmente, não dava. Lembro, até hoje, eu no sofá de casa, chorando de soluçar, inconsolável, acompanhando os últimos minutos daquele jogo. Como, a primeira Copa do Mundo que acompanhei de verdade – tenho apenas alguns flashes de 78 – acabaria daquela forma para o Brasil? Como não conseguimos fazer mais gols? E, até hoje, inclusive enquanto escrevo, o sentimento é um misto de raiva e tristeza.

Dois dias após o citado jantar, nos encontramos outra vez, agora, no CFZ. Ao final do evento, tomei a iniciativa de cumprimentá-lo. Sorrimos um para o outro, fizemos uma brincadeira sobre a partida que acabara de acontecer ali. Confesso que, naquele momento, fiquei aliviado em relação ao meu sentimento por você. Aquilo foi bom para mim – para você, com certeza, foi mais um dia apertando várias e várias mãos de pessoas que, provavelmente, não voltaria a ver. Mas, por outro lado, quando lembro daquele jogo, como agora, enquanto escrevo, a emoção vai tomando conta. Você destruiu um sonho de criança. Não por culpa sua, mas por culpa da grande e indecifrável força que o futebol têm sobre bilhões de pessoas pelo mundo.

De minha parte, aquele jogo ainda não acabou. Continuo acreditando que foi interrompido por algo que não sei o que é, e será retornado em breve, com o Brasil marcando mais um gol. Quem sabe, o árbitro vai até à cabine do var e confere o pênalti que o Zico sofreu – tendo, inclusive, sua camisa rasgada. Aí, o Telê escolhe entre ele, Sócrates, Falcão, Éder, Serginho para fazer a cobrança, marcar o gol que faria a partida terminar empatada e vocês, que já tinham deixado suas malas no saguão do hotel, contando com a eliminação, voltam para casa com a sensação de terem sido eliminados pela mais bela seleção de todos os tempos.

@fabiobiao21

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