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Flamengo corre contra o tempo por vacina da ‘volta por cima’

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Créditos: Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Jogadores do Flamengo reunidos antes do jogo contra o Racing
Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Após uma temporada quase utópica em 2019, o sonho de manter uma hegemonia no continente sul-americano e no Brasil margeou o início do trabalho na atual temporada ainda sob o comando de Jorge Jesus, o ponto mais alto da atual gestão.

Para alcançar novos títulos importantes, Rodolfo Landim e Cia. apostaram alto. Foram ao mercado após um ‘boom’ nas finanças e trouxeram outros reforços. Mas, toda contratação é um risco, já dizia um ex-VP do clube. E realmente 12 meses depois, podemos classificar que apenas Pedro e Thiago Maia foram tiros certeiros. De resto, o clube acumula dívidas e críticas com aquisições que vão dos 5 milhões de euros investidos em Léo Pereira ao empréstimo de Pedro Rocha, que por ora, entra na galeria dos atacantes que vestiram a camisa rubro-negra sem deixar saudades.

O legado em contratações ainda tem um peso. O Flamengo é responsável direto por quitar esses investimentos. Mas, com que grana sem bilheteria e com um programa de sócio-torcedor combalido, por exemplo? Sem acreditar que a COVID-19 iria arrebatar o país, Landim apostou alto, assumiu riscos, criticou a política de austeridade da antiga gestão e por fim, desprezou até os direitos de transmissão do Campeonato Carioca (18 milhões de reais) por acreditar que iria revolucionar o modo da torcida assistir as partidas, desta vez, pela internet, tendo apoio do Governo Federal em uma nítida queda de braço com a TV Globo.

Veio a paralisação, o crescimento exponencial do novo coronavírus e após três longos meses, o Flamengo encabeçou o movimento pela ‘bolha de segurança’ que iria dar proteção à volta do futebol em meio à vulnerabilidade de todo protocolo em uma pandemia.

Pois bem. O Flamengo ganhou a batalha com apoio do co-irmão, Fluminense, e da FERJ. Como era esperado, foi campeão carioca. Dali em diante, quem viu, viu. Jorge Jesus deixou o Flamengo. Um contrato sem amarras que protegessem o clube da Gávea e com a desculpa que não era possível competir com o desejo do Mister de voltar à Europa um dia.

E agora? A vinda de JJ já apresentava um ‘racha’ interno em 2019. Gávea x Ninho. Na sede, para não dar o braço a torcer, Abel tinha apoio de parte do Conselho Gestor, que apostava em sua vinda antes mesmo da contagem dos votos nas eleições presidenciais. No Ninho, o fraco desempenho sob a batuta do treinador brasileiro abria espaço para o fortalecimento das sugestões do departamento de futebol a Landim. O sucesso dos portugueses não deixa dúvida que a mudança de comando do time fez bem.

Mas, repito: e agora? Braz e Spindel foram ao Velho Continente em busca do mesmo raio. Um estrangeiro que tivesse características semelhantes a Jorge Jesus. ‘Não’, ‘não’ e ‘não’. Após negativas e sem querer voltar ao Brasil de mãos vazias, a dupla apostou em Domènec Torrent, ex-auxiliar de Guardiola. Na Gávea, o nome de preferência era Miguel Ramirez.

Com a promessa da manutenção do trabalho de sucesso, Domè não conseguiu deixar legado. Tentou implantar um estilo próprio em uma filosofia já enraizada. Caiu uma semana antes das eleições municipais, que Marcos Braz concorreu e ganhou como vereador.

Rogério Ceni chegou e em três semanas assumiu o papel de ‘salva-vidas’. Recorreu ao estilo do ‘portuga’, porém cometeu pecados para duas eliminações (Copa do Brasil e Libertadores). Escolhas foram feitas que se fosse Torrent seria um escândalo. Pedro no banco de reservas contra o Racing após 15 dias fora e Rodrigo Caio titular com 70 dias de inatividade. Qual critério? O artilheiro do time estava 100%, diga-se de passagem. Esperou sair em desvantagem nas oitavas de final da competição sul-americana para reagir com Pedro. E Vitinho, que havia perdido dois gols, estava mantido em campo.

Nessa eliminação, abro parênteses. Como capitão, Diego Ribas deu a cara a tapa após o jogo contra o Racing e foi decisivo na cobrança de escanteio que culminou no gol de empate nos acréscimos. Mas, tanto o camisa 10 como Vitinho e Bruno Henrique não cobraram nenhuma penalidade. Por que? Cartas para a Estrada dos Bandeirantes, 25997, endereçada a Rogério Mücke Ceni.

Frágil emocionalmente, o time virou presa fácil dentro de si. No jogo dos ‘7 erros’, Braz foi contrário a um psicólogo no elenco profissional. Discurso que contrastou com as palavras do próprio treinador em sua estreia. Não que fosse a solução de todos os problemas, mas ‘mente vazia é oficina do diabo’. E toda eliminação é um inferno em um clube gigantesco.

Somando-se a isso, o Centro de Excelência e Performance virou uma espécie de ‘cabide de empregos’, onde profissionais próximos viraram funcionários. Alexandre Sanz, que estava encostado, foi reincorporado; Rafael Winicki, personal trainer de alguns jogadores, foi contratado; e Diego Paiva, fisioterapeuta de Marcos Braz, chegou ao Ninho. Profissionais deixaram o clube, mudanças drásticas foram feitas no CEP, embolando toda a construção de uma engrenagem que mais parecia uma equipe de F1, ao trocar pneus em um pit stop, tamanha a agilidade para recuperar jogadores machucados no estaleiro no ano passado.

O discurso que chega a soar como soberba ao dizer que não havia mais nada a se conquistar em 2020 tem um duro reflexo no ano que se aproxima. Que sequelas ficarão nesse elenco marcado agora por eliminações precoces? Onde arrancar dinheiro para pagar pelos atletas contratados, multa de rescisão do Domènec Torrent e demais obrigações? Pedro e Diego Alves ficam? O plano era audacioso: chegar às semis da Libertadores e a fase final da Copa do Brasil. Não deu.

Landim, que prefere terceirizar satisfações à torcida em momentos de crise, precisará encontrar um antígeno com eficácia para curar os efeitos da(s) derrota(s). Caso contrário, terá que colocar para zarpar uma verdadeira fragata. A torcida tem até alguns nomes para incorporar essa embarcação.

Ah, a torcida. É a que mais sofre. Uma geração não conseguirá esperar mais 38 anos para soltar o grito de ‘É campeão’. A hegemonia fica pra depois. O Flamengo voltou a ser Flamengo.

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