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As minhas memórias de Luisinho Lemos

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Créditos: FotoÇ FACEBOOK OFICIAL AMERICA-RJ

Poucos meses atrás, em participação numa live para o canal oficial do America no YouTube, Edu Coimbra, ídolo do clube e irmão de Zico, relembrou uma história em que Luisinho Lemos certa vez o contou: ” A família Lemos marcou mais gols que a dos irmãos Coimbra”.

Verdade ou não – e não vou checar a veracidade por não fazer parte do escopo deste texto – o folclore da frase dita, externa a grande personalidade e atleta que Luisinho foi dentro e fora nos gramados, além da bandeira ilustre de torcedor do America que sempre carregou consigo.

Maior artilheiro da história do clube rubro com 311 gols e irmão mais novo dos também atacantes Caio Cambalhota e César Maluco, Luisinho “Tombo” Lemos marcou época não só America, mas também no futebol carioca. Afinal, ainda é o terceiro maior artilheiro do Maracanã, atrás apenas dos ícones Zico e Roberto Dinamite.

Como todo clube histórico e centenário, o America tem seus diversos ídolos ao longo de sua histórias e gerações. Porém, mensura-los em uma espécie de ranking de importância é uma tarefa árdua, e possivelmente infrutífera, pois ao mesmo tempo em que despertaria atenção também traria muita discussão e polêmica para qualquer que fosse a combinação delineada.

Em respeito à memória do ídolo, usaremos este espaço apenas para descrever como Luisinho continuou cativando o torcedor americano, mesmo muitos anos após encerrada sua carreira de atleta e, literalmente, até o fim de sua vida.

Luisinho Lemos sempre se declarou americano. Sempre. Mesmo quando os anos de ostracismo começaram ao fim dos anos 80, perdurando até os dias atuais, Luisinho sempre esteve envolvido emocionalmente com o clube. Seu primeiro emprego como treinador foi no America em 1994, assim como seu último, iniciado em 2018 e interrompido pela morte precoce, enquanto ocupava o cargo no ano passado.

Sobre o falecimento, posso rememorar que estava acompanhando aquela fatídica partida. Era a estreia do America na Série B1 do Campeonato Carioca de 2019, realizada em Nilópolis, no Estádio Joaquim Flores, contra o Nova Cidade, no dia 25 de maio, num sábado a tarde no característico calor da Baixada Fluminense debaixo do sol escaldante, em que o America venceu por 3-0.

O placar é o menos importante daquele dia. O America dominava amplamente a partida, vencia por 2-0 com gols de Pedrinho e Matheus Babi quando, aos 28 minutos do segundo tempo, Luisinho passou mal, queixando-se de dores no peito. A ambulância foi acionada, o socorreu e o encaminhou para o Hospital Juscelino Kubitschek, em Nilópolis. Lá chegando, foi constatado que ele havia sofrido um infarto.

O jogo ficou paralisado por um bom tempo. Minha apreensão e preocupação à espera de informações enquanto ouvia a transmissão da partida pela finada Rádio FutRio tomou conta. Estava em preces. Logo que o prélio foi reiniciado, o America logo marcou o terceiro gol com Pedrinho, mas naquele momento o resultado esportivo não passava de uma mera nota de rodapé. Não tivemos atualizações até a noite.

Luisinho viria a ser transferido para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, apresentando pequenos progressos durante a semana, porém acabou não resistindo e nos deixando aos 66 anos, no dia 2 de junho de 2019.

Nessa última passagem, conduziu a equipe ao título da Série B1 do estadual em 2018, e preparava o time para novamente disputar a B1, uma vez que a equipe não teve sucesso na Seletiva da Série A de 2019, sendo rebaixada de volta para a B1 após não conseguir se manter na disputa do Grupo X, que determinava quem se salvava e rebaixava.

Esse foi Luisinho Lemos. Uma vida dedicada e com imensa dedicação ao America. Figura carimbada nos títulos de Taça Guanabara de 1974, Taça Rio e Taça dos Campeões, ambas em 1982. Duas vezes artilheiros do Cariocão, em 1974 e 1983, e estava também na histórica campanha do America no terceiro lugar do Brasileirão de 1986. Em suas entrevistas ao longo dos anos, sempre manteve viva a esperança de colocar o America de volta na elite nacional.

Pessoalmente falando, pela pouca idade, não acompanhei sua carreira de atleta, porém a passagem como treinador acompanhei de perto, e não posso questionar sua competência, dedicação e devoção ao clube. O próprio America aproveitou bem a última passagem de Luisinho como treinador para promover vários vídeos no Instagram do clube com ídolo, com trechos do treinamento e/ou entrevistas, criando essa reaproximação do ídolo com o torcedor. E acredite, quando temos conteúdo do Luisinho, nós americanos sempre olhamos.

O guerreiro goleador do America também marcou outros 95 gols vestindo a camisa do Flamengo, levantando outras nove taças por lá, entre os anos de 1975 e 1976. Um ano antes, ainda pelo America, recebeu a Bola de Prata como melhor centroavante de 1974.

Entretanto, para nós, sua bola foi sempre dourada e ele é sinônimo de alguma das maiores alegrias do que representa ser America. E essa é razão suficiente para nunca ser esquecido e sempre ser lembrado.

Como disse a nota oficial do America Football Club no aniversário de um ano do falecimento de Luisinho, em junho: “Porque o America é Luisinho. E, assim, ele segue presente entre nós.”

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