HOME CLUBES PRINCIPAL COPAS MUNDO DO FUTEBOL FUTEBOL FEMININO MERCADO DA BOLA CULTURAL CONTATO

 

 

 

SERIE A

SUDESTE

NORDESTE

SUL

CENTRO-OESTE

NORTE

25 anos da maior revolução do futebol brasileiro

Card image

Créditos: CAP Oficial

Um clube de futebol no Brasil para se tornar grande precisa dar vários passos e atravessar diversas barreiras, seja financeira, social, e cultural muitas vezes. O Club Athletico Paranaense era um clube que vivia de lampejos de craques que se aventuravam a vestir a camisa rubro-negra, porém, nada mais que isso, um clube fadado ao fracasso ou a marginalização do futebol nacional. Depois do icônico time de 1949 e do início dos anos 50, o Furacão entrou em um martírio por títulos estaduais, quebrado em poucas oportunidades, como no time dirigido por Jofre Cabral, ou o time comandado por Washington e Assis, o casal 20. Mas toda a história do Rubro-Negro mudaria completamente no ano de 1995.

Em 1995 o Furacão estava na segunda divisão e era dirigido pelo presidente Hussein Zraik, até que a Páscoa chegou e com ela, o maior clássico do estado do Paraná, o Athletiba, naquela ocasião jogo no Couto Pereira, o resultado foi um acachapante 5 a 1. Neste dia o presidente do Athletico pediu renúncia e quem assumiu foi Mario Celso Petraglia, que prometeu mudanças e elevar o Athletico a um novo patamar. 

Era Petraglia

A princípio poucos o levaram a sério, mas o tempo mostraria que somente ele, o tempo, é o senhor da razão. Nos anos que se seguiram, Petraglia fez com que o Athletico quitasse suas dívidas, e começou a projetar um novo estádio para o rubro-negro. No bairro do Água Verde, o estádio do Athletico sempre se chamou Joaquim Américo Guimarães, um espaço reduzido e com pouca estrutura, mesmo para a época, era o mesmo estádio utilizado desde 1924, Petraglia o demoliu, e construiu um novo por cima, o mais moderno da América Latina, e elogiado pelo mundo inteiro. 

Além de estádio, Petraglia, construiu um Centro de Treinamento, tão qualificado que em 2001, a Seleção Brasileira, utilizou para se preparar para a Copa do Mundo de 2002, que traria o penta para o Brasil; a intenção era fazer dali um “celeiro” de jogadores, futuramente os resultados seriam monumentais, com jogadores de diversas funções, posições e até profissionais de fora do gramado se especializariam dentro do CT do Caju, ou CT Alfredo Gottardi, em homenagem ao goleiro Alfredo Gottardi, que passou 18 anos no clube e fez parte de diversos times marcantes. 

Com a parte da estrutura pronta, restava ir atrás de títulos e de exposição de marca, e é neste período que o primeiro título nacional do Rubro-Negro é conquistado, a Seletiva da Libertadores da América de 1999. Nessa competição o Furacão foi campeão, o que credenciou o clube a jogar sua primeira competição continental em 2000, na qual o time paranaense caiu frente ao Atlético Mineiro nas oitavas de final. Com remanescentes de 2000 e com a chegada de jogadores com rodagem nacional, o Athletico montou um dos times mais históricos de sua história, o Furacão de 2001.

Campeões brasileiros

O Athletico teve um início de campeonato ruim, ficando mais abaixo do que gostaria na tabela de classificação, porém, com o time embalado pela conquista do Campeonato Paranaense, havia a esperança de recuperação. Na virada do returno, o Athletico demitiu o treinador Mário Sérgio e contratou Geninho, que descobriu uma lista de dispensa de jogadores, entre eles, estavam Nem, Kléber Pereira e Alex Mineiro, que a pedido do novo treinador permaneceram. Kléber Pereira foi fundamental para a classificação para o mata-mata daquele ano, e Alex Mineiro foi decisivo nos jogos agudos da competição, fazendo oito gols em seis jogos, culminando com o primeiro título de expressão do Athletico. Este seria o catalisador do Athletico, e o marco que significaria que o Furacão se transformaria em um dos grandes clubes do futebol brasileiro. 

Nos anos que se seguiram o Furacão começava a se ambientar nas competições continentais, o time entraria na Libertadores de 2002, mas pouco produziria, mas o suficiente para saber que voltaria.

Em 2004, formou-se um dos times mais fortes que o Athletico já teve, um time comandado por Levir Culpi, e que liderou praticamente o campeonato inteiro, indicando que o bicampeonato chegaria á Arena da Baixada, porém um tropeço na parte final fez com que o time perdesse a ponta da tabela, e ficasse com o segundo lugar no campeonato. Com o vice-campeonato, o Athletico ingressou na Libertadores 2005, e avançou para a final da competição, eliminando em seu caminho, o Santos que havia sido campeão em 2004 nas quartas de finais e o Chivas Guadalajara do México nas semifinais. O Furacão acabaria derrotado, mas com a sensação de que fez uma boa competição, e com a certeza que seria um participante recorrente da Libertadores. Em 2006 o Furacão disputou sua primeira Copa Sulamericana, naquela competição chegou até a semi-final, quando foi eliminado pelos mexicanos do Pachuca.

Nos anos que se seguiram o Athletico pouco produziria, até que em 2011 com Marcos Malucelli como presidente, o rubro-negro acabaria o ano rebaixado para a segunda divisao do Campeonato Brasileiro, a primeira vez desde que subiu em 1995. Este foi o último rebaixamento do Athletico até hoje. Com a queda, Petraglia retornou ao Athletico, e conseguiu o acesso do retorno para a primeira divisão do Brasileirão. 

Após esta campanha, foi anunciada a Copa do Mundo, e um dos estádios selecionados para receber jogos foi a Arena da Baixada, o que significaria que o estádio estaria interditado por pelo menos três anos, até o encerramento da Copa. Porém um dos orgulhos do torcedor athleticano é ter tido um estádio sediando partidas da Copa do Mundo.

Logo no retorno em 2013, o Athletico emplacou uma campanha memorável, cravando terceiro lugar no Brasileiro, e um vice-campeonato na Copa do Brasil, depois de eliminar times considerados mais fortes. E mais uma vez o Athletico estaria participando da Libertadores. Nesta Libertadores, o rubro-negro acabaria eliminado na fase de grupos.

Em 2016 o Athletico voltaria a ter protagonismo, com Paulo Autuori, e com as chegadas de jogadores como Lucho Gonzalez, Thiago Heleno e Nikão, o time se classificaria para a pré Libertadores de 2017, após ficar no G7 do Brasileirão de 2016. Na competição continental daquele ano o Rubro-Negro avançaria para as oitavas de finais, porém seria eliminado pela equipe do Santos. Começaria aqui a colheita de 25 anos de espera.  

Campeões continentais: a conquista da América

Em 2018 o Athletico havia anunciado que o treinador para o Brasileiro seria Fernando Diniz, que havia tido boa passagem pelo Audax em São Paulo, o time também teria uma mudança no gol, goleiro titular dos últimos cinco anos, Weverton, havia sido negociado com o Palmeiras, o substituto Rodolfo foi para o Fluminense, dando a oportunidade para Santos, goleiro que estava há 12 anos dentro do Athletico e que teria enfim a chance de ter sequência como goleiro titular da meta athleticana. 

O inicio do Campeonato foi bom, e empolgou a torcida, porém, logo os resultados começaram a não ser positivos e o Athletico foi parar na zona do rebaixamento. Consequentemente Fernando Diniz foi demitido e Tiago Nunes assumiu interinamente. Com o interino, o Athletico se recuperou no Campeonato, e conquistou o seu primeiro triunfo internacional, depois de bater na trave em 2005 da Libertadores, o Athletico estava determinado a ser campeão da Copa Sul-Americana de 2018.

Na segunda fase, eliminou o Penarol, venceu o pentacampeão da Libertadores, em Curitiba e em Montevidéu, por um acachapante 4 a 1, o que totalizam no agregado, 6 a 1. Depois eliminaria o Caracas, e os brasileiros, Bahia e Fluminense respectivamente. E na final dois empates por 1 a 1 contra o Junior Barranquilla da Colômbia, levaria a disputa para os pênaltis, isso depois de no segundo tempo da prorrogação um pênalti marcado a favor dos colombianos, Jarlan Barrera cobrou a por cima do gol para delírio da torcida que lotava a Arena. Nos penais, os colombianos erraram duas cobranças, e Thiago Heleno, soltou a “bomba” para fazer do Athletico finalmente campeão internacional. 

Donos da Copa do Brasil

Em 2019, embalados pela inédita conquista da Copa Sul-Americana, o ano começou com o time enfrentando o River Plate, campeão da Libertadores, pela Recopa Sul-Americana, o Furacão até que venceu o jogo da Arena, mas os Millonarios foram mais fortes ainda no Monumental de Nunez e ficou com a taça.

Mas o ano não foi abalado com a derrota para os Millonarios, em nova participação na Libertadores, caiu no mesmo grupo do Boca Juniors, e classificou-se em segundo, em jogo decidido na Bombonera. Na fase de oitavas de finais acabou decidindo e sendo eliminado pelo mesmo Boca Juniors.

Porém ainda restava a Copa do Brasil, por participar da Libertadores o Athletico já entrou direto nas oitavas de finais e eliminou o Fortaleza por 1 a 0 no segundo jogo na Arena. Depois eliminou o Flamengo com dois empates e com efetividade quase total nos pênaltis, em um Maracanã lotado.

Nas semifinais o adversario seria o Gremio, na outra chave estava o Internacional, a expectativa era de que a final da Copa do Brasil fosse entre Internacional e Gremio, porem, havia um Furacao no meio do caminho, depois de perder por 2 a 0 no Rio Grande do Sul, o Nikao e Marco Ruben igualaram o confronto, e a decisao foi para os penaltis, o goleiro Santos, defendeu o ultimo penalti da serie e classificou o rubro-negro para a segunda final de Copa do Brasil da historia.

Na decisão, o Internacional, visitou o Athletico pelo primeiro jogo e foi derrotado por 1 a 0 com gol de Bruno Guimarães em jogada de Marco Ruben, após jogada pela esquerda. E foi assim que o primeiro jogo acabou, com o Furacão em vantagem para o jogo da volta na quarta-feira seguinte no Beira-Rio em Porto Alegre. 

No início do segundo jogo, o Inter ameaçou fazer uma pressão, fazendo com que o sistema defensivo fosse exigido e que o goleiro Santos fizesse defesas importantes logo no começo. Porém aos 23 minutos Rony encaixou um contra-ataque, lançou para Marco Ruben que cruzou para trás e a bola chegou para Léo Cittadini que ajeitou a bola e fuzilou o gol de Marcelo Lomba fazendo 1 a 0 e encaminhando o título da Copa do Brasil, porém aos 30, em um bate-rebate dentro da grande área athleticana, Nico López aproveitou e empatou a partida, deixando o Colorado a um gol de empatar no agregado. 

No segundo tempo, o Athletico mostrou maturidade e controlou o ímpeto dos gaúchos que pouco perigo próximo ao gol produziram, apenas chutes que ao passar do tempo, foram ficando mais desesperados e menos precisos. É aí que entra um herói improvável, Marcelo Cirino.

Marcelo surgiu nas categorias de base do Athletico em 2012, e participou da final da Copa do Brasil de 2013, em que o Furacão foi derrotado, logo depois ele saiu do Athletico e foi defender outros clubes no Brasil e no exterior. Em 2018 ele fez o seu retorno ao rubro-negro e estava determinado a deixar sua marca como ídolo.

Cirino entrou aos 35 do segundo tempo no Beira-Rio, logo na sua primeira oportunidade cabeceou uma bola cruzada pelo Rony e ela passou raspando a trave esquerda do gol. Mas foi aos 51 com seis minutos de acréscimo, e este tempo esgotando, que ele fez o seu truque de mágica. Ele recebeu a bola de Bruno Guimaraes e disparou pela esquerda para prender a bola e esperar o apito final, dois marcadores o cercaram tentando roubar a bola, e ele puxou a bola com a perna direita, e ela passou por baixo das pernas de um dos marcadores que ficaram discutindo enquanto ele fintava mais um marcador e rolou para Rony fazer o segundo gol, e decretar o título da Copa do Brasil para o Athletico Paranaense, uma redenção para o clube e para o próprio Cirino, que depois de 7 anos conseguiram conquistar a segunda taça nacional, desta vez pela Copa.

25 anos após 1995

Em 2020, o Athletico disputou a sua sétima participação na Conmebol Libertadores, a maior competição continental, todas elas depois dos anos 2000 e todas elas sob gestão de Mário Celso Petraglia. O Athletico nas oitavas de finais enfrentou o River Plate pela segunda vez na história, coisas que pareciam impossíveis a 30 anos atrás, e que atualmente se tornaram fatos recorrentes e que pouco surpreendem o clube. Em duas partidas equilibradíssimas, na qual o Rubro-Negro enfrentou uma equipe fortíssima os argentinos levaram a melhor e após um 1 a 1 em Curitiba, e um 1 a 0 para os Milionários em Avellaneda, o Athletico dava adeus a sua sétima participação na principal competição continental.

E é assim que foi e continua sendo escrita a maior revolução dentro de um clube de futebol no Brasil nos últimos 25 anos. Um clube que era de bairro, e que nunca deve se esquecer disso, foi mudado para ser um dos grandes times do Brasil, que emanam respeito por parte de seus adversários, principalmente os argentinos e uruguaios. Esta revolução ainda está em curso, pois o objetivo do clube é conquistar o maior troféu possível de ser disputado por um clube, o Mundial de Clubes da FIFA, parecia tão distante em 1995, hoje já não parece tanto assim, hoje os athleticanos já sabem que nada é impossível de ser conquistado se acreditarem o suficiente.

Ver mais

mm

Sobre o autor

Ver mais

Comentários

  1. Luana Schafer disse:

    Textão Markinhos! Parabéns!

  2. Nayara Alves disse:

    Baita texto!

  3. Henrique disse:

    Parabéns Marquinhos

  4. Gisa Ferreira disse:

    SENSACIONAL, para um coração apaixonado pelo clube é reviver esse revolução mágica duas vezes, na prática agora na teórica….Amei PARABÉNS em breve estará digitalizado nosso Taça da Libertadores. 😍❤🖤👊

  5. Rodrigo Linhares disse:

    Deu aula, meu amigo. Baita texto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

 

Siga nossas redes sociais

© 2020 Atras do Gol é uma marca registrada da Atras do Gol Limited Liability Company.  Todos os direitos reservados. O uso deste site constitui aceitação de nossos Termos de Uso e Política de Privacidade