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Lugar de torcida é cantando alto dentro do estádio e calada fora dele

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Créditos: Fotos: Pedro Souza/ Atlético

Para quem conhece uma torcida de perto sabe qual a sensação do coração acompanhar a batida do bumbo. Sabe o calor que emerge da pele e do arrepio a cada explosão. Sabe também, o poder de cantar e pular para calar o mundo, os problemas do futuro e do passado. Estar em bancada dentro da torcida organizada só existe o presente. Hoje no meio da pandemia os locutores lamentam a ausência da mesma cantando e fazendo aquele pano de fundo natural de uma partida de futebol. Tentam de qualquer forma substituí-las com poderosos sistemas de som, mas falta o calor e a imprevisibilidade que dão graça ao estádio e ao jogo. As diretorias lamentam a falta de retorno financeiro de um estádio lotado. Os torcedores lastimam a falta de apoio que empurram um time a reação.

Todos endossam e endeusam sua própria torcida, até ela se aproximar demais das decisões do clube. Toda vez que a torcida decide tomar iniciativa numa decisão direta na administração ou com os jogadores, ela passa a ser vista como radical e desnecessária. “Vão atrapalhar a produção. Vão estragar o bom momento. Vão implantar a crise.” E a grande mídia segue o discurso de ser contra movimentos populares e a favor das instituições. A torcida como qualquer movimento social é indesejada ao poder vigente e ao se organizar, causa repúdio e desconfiança. Lugar de torcida é cantando alto dentro do estádio e calada fora dele, o que sair disso deve ser repudiado. “Mas na rua num é não.”

No meio de uma segunda onda da pandemia que assola nossa geração, existem pessoas que promovem uma balada e tantas outras que as frequentam. O campeonato segue o curso, o presidente releva, o ministro se cala e vida segue. Aliás, a vida não segue para muitos. Nesse cenário, o Galo disputa um campeonato que não obtém há alguns anos e a torcida fará de tudo para trazer essa taça pra casa. A reação da torcida a um erro cometido por funcionários que representam a mesma, não foi desproporcional. A violência, seja ela física ou verbal, é ferramenta vital da nossa sociedade. Não digo que ela seja a solução, ou aprovada por mim, mas o próprio estado e as instituições possuem mecanismos de violência legalizada para controlar. Por que a massa não poderia usar dessa ferramenta?

O que falhou ali? Foi a falta de informação passada pela diretoria? A falta de consciência dos jogadores? A conivência do treinador? Mais uma vez o mundo do futebol retrata nossa sociedade e agrava a situação. Temos um governo negacionista, setores da sociedade que relevam a pandemia e as mortes pelo bem estar econômico, e nesse meio, temos a torcida, a massa, a população que se cala ou se revolta como reação legal. Precisamos nos acostumar a ouvir a voz da massa fora da época de eleições. A vontade do povo é ouvida nas ruas também.

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