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FUTEBOL À ESQUERDA

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O resultado das eleições municipais brasileiras evidenciou um fato curioso, vários ex-jogadores de futebol profissional apresentaram algo em comum, seus partidos eram todos reacionários com posturas atrasadas, superadas, ou seja, não aspiram nenhuma mudança, agindo para que tudo fique como está. Outro fato, de não terem sido eleitos, pode ser um indicador de modificação na desanimadora conjuntura política e econômica atual.

Com suas candidaturas retrogradas, surge outro lado constrangedor, o completo despreparo dos candidatos, sem nenhuma formação, sem qualquer proposta para a postulação ao cargo além da ambição apoiada em sua experiência como jogador na recordação do torcedor que desconfiado não elegeu tais candidatos.

Apresento ao pessoal da arquibancada  uma nova leitura, uma recomendação a todos aqueles que acessam o portal atrásdogol.com, para que ampliem seu repertório e comparem  a postura  de jogadores engajados nas lutas do povo, que resistiram junto ao povo,  um livro que seguramente motivará os torcedores aos constatarem a ilha de ignorância política em que estamos mergulhados.

O livro, FUTEBOL À ESQUERDA de QUIQUE PEINADO, trata-se de uma investigação minuciosa do autor, sobre jogadores que se declararam comunistas, socialistas e anarquistas enfrentando perseguições e violências por terem tido a ousadia de defenderem os interesses do povo.  O autor em suas pesquisas investigou numerosas situações em que jogadores tomaram posições denunciando e enfrentando governo e pagando corajosamente por este gesto.

Durante a ditadura militar, o cerco mais violento aconteceu nos anos de 1969 a 1975. O modelo para os torcedores, foi o jogador e militante político Doutor Sócrates, mas sempre será importante lembrar três jogadores que estiveram na linha de tiro: Nando, irmão de Zico, Reinaldo e Afonsinho.

Nando (Fernando Antunes Coimbra) era muito bom como seus irmãos, Zico (Arthur Antunes Coimbra) e Edu (Eduardo Antunes Coimbra), todos profissionais.  Nando teve que abandonar o futebol aos 26 anos, embora jogasse bem e tivesse talento. Em 1963, aos 18 anos, ele acabava de começar a estudar filosofia e decidiu ser voluntario no Plano Nacional de Alfabetização, uma campanha organizada por movimentos sociais que conseguiu alfabetizar 5 milhões de brasileiros em dois anos, até ser enterrado pelo golpe militar de 1964. Nando passou a fazer parte das listas de subversivos, um carimbo do qual não se livrou nem como jogador de futebol. Formado na base do Fluminense, em 1966, era profissional no Santos do Espírito Santo, até haver mudança no treinador, substituído por um capitão do exército. Na semana seguinte foi despedido. Dali foi para o Ceará Sporting Club, jogou bem até ser convidado para jogar em um clube português.  Em 1968, Portugal estava nas mãos da ditadura Salazarista e logo identificaram Nando. Ao chegar no clube, o combinado não estava sendo cumprido, o time queria pagar metade do que havia sido acertado, protestou e a polícia política portuguesa foi ao seu hotel e explicaram que ele havia levado as atitudes subversivas do Brasil, foi separado da equipe e teve seu passaporte confiscado, tinha 22 anos e tudo eram ameaças e pressões. Conseguiu deixar a Europa rumo ao Brasil graças à ajuda econômica do lendário Eusébio, o melhor jogador português da história.

Em 1970, Edu não foi à Copa no México por ser irmão de um jogador subversivo. Depois das partidas Eliminatórias para o Mundial, o treinador João Saldanha, reconhecido comunista, foi destituído do cargo em março de 1970. O ditador Médici, exigia que Saldanha convocasse o jogador Dario, o treinador se negou, contra o conselho do presidente da CBF João Havelange. Saldanha demitido, assume Mario Jorge Lobo Zagallo, que convocou Dario e comandou a equipe que foi campeã. O outro irmão de Nando, Zico, em 1972, ficou fora dos Jogos Olímpicos de Munique, decisão que quase o fez abandonar o futebol. Percebendo o que estava ocorrendo com os irmãos, Nando decidiu “se afastar para não os prejudicar”, abandonou o futebol aos 26 anos e se tornou vendedor. Em 1988, foi reintegrado em seu posto no Ministério da Educação. Em 2003, a Comissão da Verdade provou que ele havia sido preso e abandonado a carreira devido a repressão dos militares. Em 2010, foi indenizado, convertendo-se no único esportista brasileira que obteve essa condição.

Reinaldo comemorava seus gols com o punho erguido, jogava no Atlético Mineiro e ainda hoje continua como o maior artilheiro da história do clube (com 255 gols), foi o goleador do Campeonato Brasileiro de 1977. Um ano antes de explodir como centroavante, Reinaldo tinha concedido uma entrevista ao jornal Movimento (1978), onde defendeu a saída dos generais da vida política, a anistia para os presos políticos e a restauração da democracia. Passou por um perrengue na recepção da seleção que iria a Copa de 1978, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, com o general Ernesto Geisel, um sujeito agarrou Reinaldo e o fez entrar em outra sala. Ali estava Geisel. “Este é o rapaz”, o militar disse ao presidente. “Filho, dedique-se a jogar futebol. Só isso. A política, você pode deixar para nós”, disse o general ao jogador. “Sim, senhor general”, respondeu o atemorizado Reinaldo. Mas não cumpriu sua palavra: em 3 de junho de 1978, ergueu o punho ao marcar o gol contra a Suécia, em Mar del Plata. Reinaldo conta que o presidente da CBF, o almirante Heleno Nunes, exigiu que ele fosse sacado da equipe titular juntamente com Zico.

Afonsinho, o da barba proibida, era suspeito, porque tinha duas características consideradas pecaminosas no futebol brasileiro, usava cabelo comprido e barba, além disso estudava.  Jogador do Botafogo, capitão do time com apenas 21 anos, foi campeão carioca duas vezes, reconhecido como opositor do regime militar, se reunia com militantes de esquerda, seu prontuário dos serviços de informação, era classificado como “comunista de carteirinha”. Decidiu que lutaria contra a ditadura, com o futebol. Estava no restaurante Calabouço quando o estudante Edson Luís foi assassinado. Em 1970, Afonsinho foi cedido ao Olaria Atlético Clube, o vice-presidente do clube Xisto Toniato, empresário do ramo de carnes, havia decidido que não queria jogadores que estudassem, assim seus jogadores foram transferidos para outros clubes.  Participou de uma excursão à Europa e quando voltou foi apresentar-se no Botafogo, Afonsinho não se dava com Zagallo, que acabara de ganhar um Mundial. Conta que um dia Zagallo o chamou canto: “Ele me disse que eu parecia um cantor, que não podia ser diferente dos outros. Que eu tinha que tirar a barba e cortar o cabelo”, percebeu que essa exigência era uma desculpa para censurar suas atividades políticas.

A história da luta de Afonsinho foi levada ao cinema no documentário Passe Livre (1974), de Oswaldo Caldeira. Gilberto Gil, dedicou a ele a canção Meio de Campo, que se iniciava com “Prezado amigo Afonsinho”. Depois de encerrar a carreira, Afonsinho trabalhou durante trinta anos como fisiatra no Instituto Philippe Pinel em Botafogo, inovando seu trabalho com seus pacientes e terapias ministradas no campo de futebol. “Hoje, mais do que nunca, não paro de lutar contra a injustiça e a perversidade de um sistema que já se acabou, mantido apenas pelos que se beneficiam dele. Não consigo aceitar a fome e a existência de meninos de rua, principalmente neste pais, que é rico em tudo”.

O livro com inúmeras histórias sobre jogadores engajados na luta política em seus países, sempre pensando na necessidade de justiça, liberdade e no fim da miséria que o sistema capitalista gera e alimenta. Um dos jogadores maravilhosos desta luta chama-se: Cristiano Lucarelli.

“Tem jogador que compra Ferraris. Eu comprei a camiseta do Livorno.”

Livorno uma cidade proletária e portuária, tem uma história linda sobre sua população e seu time. Viu nascer o Partido Comunista Italiano (PCI) em 1901. Em meio as fachadas descascadas e roupas coloridas, os pais das crianças de Livorno não entoam canções de ninar, e sim Bandiera Rossa (Bandeira Vermelha), uma canção popular italiana utilizada como hino de comunistas e socialistas na Itália). “Mesmo que você não saiba nada de política e seja ainda criança, consegue ver que quase a cidade inteira é de esquerda. É difícil ser Livornês e não ser de esquerda”.  A declaração de seu pai evidencia a trajetória do filho: “Eu tenho três filhos, e o quarto é o Livorno. Lucarelli sempre alimentou o sonho de dedicar um gol à curva”. A curva (fundo) norte ficavam os ultras livorneses, os mais radicais esquerdistas da Itália.

Então chegou o grande momento de Lucarelli. Após um excelente passe de Fernando Totti, que ele caçou no ar com a perna direita, fuzilou e marcou. Emocionado, foi até a curva norte, subiu em uma placa de publicidade e levantou a camisa da azurra. Por baixo dela, outra: branca com letras bordô, com a imagem do escudo dos ultras livorneses mais a frase “O Livorno é uma fé e os ultras seus profetas” e o rosto de Ernesto Che Guevara. Quando terminou o jogo mostrando já totalmente a efígie do revolucionário, foi até o fundo do campo e pulou com aquela que considera sua curva, seus camaradas, seus amigos. Sonho realizado. A Itália levou as mãos à cabeça.

O último marxista

Ivan Ergic´ nasceu em Sibenik, Croácia, lugar mundialmente famoso por ser a pátria do jogador de basquete Drazen Petrovic. O jogador atravessou crises depressivas, chegando a ser internado por quatro meses. Faz uma avaliação muito cética do sonho de todo jogador, que para ele substituiu o sonho americano: “ O futebol, como outros esportes altamente profissionalizados, serve para entreter e para mostrar às classes mais pobres que elas têm as mesmas oportunidades que os demais de se tornar ricas e famosas. É a maneira mais pérfida de ser explorado, não só pelo propósito ideológico, mas por propagar o conto de fadas de que é possível escapar da miséria. Assim, a indústria do futebol se beneficia daqueles que não podem ter o mais básico. Esse conto de fadas serve para enganar crianças que vivem na pobreza e que nunca terão acesso à educação que necessitam para serem médicos, advogados ou banqueiros. E não vão se queixar por isso”. Critica o futebol moderno, segundo ele, é cada vez mais parecido com um reality show: “Convertem os jogadores de futebol em uma ficção. Cada vez importa menos o que ocorre no campo do jogo: fala-se da vida privada do atleta, fomenta-se sua imagem, sua estética. Uma coletiva de imprensa é tão importante quanto uma partida.  Seguindo uma lógica hollywoodiana, os jogadores são afastados da realidade, mostrados em cartazes publicitários, na televisão, nas revistas e nos videogames. No final, não há diferença entre um jogador de futebol e um personagem da Disney. O jogador é um produto, e o torcedor, um consumidor. A profissionalização separou os dois completamente”.

Desde 2008, mantém uma coluna no jornal sérvio Politika, o mais antigo e prestigioso da Escola de Frankfurt, a corrente de pensamento que segue as teorias de Marx, Engels e Hegel, e que elaborou a teoria crítica da sociedade contemporânea.  Cita com fluência textos de Theodor Adorno, Herbert Marcuse e Erich Fromm e compartilha a visão marxista da sociedade desses pensadores, em seus textos, combate a desideologização da pós-modernidade e procura dinamitar os alicerces filosóficos de um mundo tão competitivo e capitalista como o futebol. Ergic´ cita com desenvoltura Giles Deleuze, Jean-Paul Sartre e Albert Camus. Tem como seguidores um pequeno batalhão de leitores que vêm nele uma curiosa combinação do pensamento marxista, profundidade filosófica na análise e uma visão do futebol convidada a repensar o modelo inteiro, desde o início.

A trajetória do homem que não estendeu a mão a PINOCHET

Carlos Humberto Caszely, um dos expoentes da história do Colo-Colo e um dos maiores goleadores da seleção chilena. Conhecido no chile como O REI DO METRO QUADRADO, um soberano da pequena área, sem dúvida uma figura referencial em seu país.  Em 1973, ano em que foi artilheiro da Copa Libertadores, sua carreira ficaria marcada por um rótulo: o de “vermelho”. Nas eleições daquele ano, Caszely apoia explicitamente o Partido Comunista da professora Gladys Marin e do advogado e escritor Volodia Teitelboim, os dois maiores nomes do comunismo chileno no último terço do século XX. Fala com entusiasmo sobre Salvador Allende: “foi o primeiro presidente socialista eleito democraticamente. Só queria fazer o bem para as classes menos favorecidas. Nunca tive relação pessoal com ele, mas o apoiava, sim. Simplesmente não gosto de ditaduras. Nem eu nem 90% das pessoas. Mas parece que nem todo mundo tem a mesma opinião. Paguei por minhas ideias e ainda hoje continuo pagando”.

Com o golpe militar no Chile, em 11 de setembro de 1973, o Colo-Colo, clube em que o jogador comunista era reverenciado, passa por uma transformação. Nomeia Augusto Pinochet como seu presidente de honra, a fim de se blindar contra a previsível perseguição do regime. Esse movimento se torna habitual na América do Sul das ditaduras militares: o Olimpia do Paraguai também escolhe como presidente de honra um ditador, o general Alfredo Stroessner, no Uruguai a junta apoia veladamente o Penãrol, e no Equador, o exército tem seu próprio time, El Nacional.

O atacante decide mostrar sem rodeios a Augusto Pinochet o que pensa a respeito. O general recebia a seleção nacional, que iria viajar a Moscou, onde jogaria a partida de ida das eliminatórias mais politizadas da história. O objetivo de Carlos Caszely era demonstrar seu desprezo pelo general, e ali, contra Pinochet, não jogaria com os pés. Haveria de desafiá-lo com as mãos. Pinochet não era bobo, já sabia que eu não ia cumprimentá-lo. Então passou diante da equipe e todos lhe davam a mão, mas eu fiquei com as minhas nas costas. Passou por mim e deu um meio sorriso. Houve outras recepções, e eu nunca estendi a mão a ele.

Requereu a cidadania espanhola, quando estava no seu terceiro ano no Espanyol, depois de uma boa temporada (duas campanhas antes ele havia sido vendido pelo Levante em um negócio excelente: o clube o comprou por 70 mil dólares e o vendeu depois de duas temporadas por 900 mil), passou a ser vetado na seleção chilena. Depois de muitos conflitos, voltou em 1985 ao Colo-Colo para se despedir no último jogo de sua carreira. Sua despedida se tornou um momento anti-Pinochet, foi quando foi chamado a integrar a campanha do NÃO, um plebiscito pactuado entre os militares e a oposição no qual os chilenos decidiriam se Pinochet deveria continuar na presidência até 1997, ou se o processo democrático deveria ser aberto.

“Os organizadores da campanha do NÃO, disseram que me dariam uma frase para ler, eu respondi: Se vou fazer algo, quero fazê-lo com minha mãe”. Sua aparição ocorre em um anúncio no qual se fala da tortura, uma realidade dolorosa para o país, aparecia a senhora Olga Garrido. Uma mulher desconhecida dos chilenos. Pelo menos até então.

Em primeiro plano, essa mulher morena, miúda, de óculos e com a blusa branca abotoada até o pescoço fala diretamente para a câmera. Seu testemunho, construído de pura dignidade serena, causa um abalo. “Fui sequestrada na minha casa e levada com os olhos vendados a um lugar desconhecido, onde fui torturada e violada brutalmente. Foram tantos os estupros que eu nem sequer os contei, por respeito a meus filhos, a meu marido, a minha família e a mim mesma. As torturas físicas, consegui apagar, mas das morais não posso me esquecer”, pede o voto para o “NÃO” e chama a reconciliação nacional sem nenhum rancor.  A campanha do NÃO foi vitoriosa.

Ainda é preciso aquecer a memória da partida pelas Eliminatórias na Copa do Mundo, quando o Chile compareceu a URSS para disputar a classificação. A partida em Moscou havia terminado 0 x 0 e haveria uma segunda partida no Estádio Nacional de Santiago, quando a primeira partida foi realizada, o estádio já estava sendo usado como campo de prisioneiros, jogadores russos começaram um movimento contrário a realização da partida. O governo soviético enviou um telegrama nos seguintes termos: “Por considerações morais, os esportistas soviéticos não podem jogar nesse momento no estádio de Santiago, salpicado de sangue de patriotas chilenos”, propuseram que a partida fosse realizada em outro local.

O presidente da FIFA, na época, Sir Stanley Rous, nem quis ouvir os argumentos soviéticos e manteve o jogo no Estádio Nacional. O general Pinochet enfurecido, convocou uma comissão de visita ao estádio, quando ainda contava com sete mil prisioneiros. Decidiu realizar o jogo com o time brasileiro do Santos.  O adversário soviético havia cumprido o que tinha prometido, não viajou até Santiago e o Chile se classificou, sem jogar, para a Copa da Alemanha.  A saída 8, se tornou um marco da memória chilena, pois era o lugar onde os prisioneiros desciam para serem executados, em depoimentos de sobreviventes afirmavam que as piores torturas eram feitas no Velódromo. Chamavam as pessoas, uma por uma, por aqueles alto-falantes e levavam pela porta da Maratona. Voltavam quebrados, cansados, ou não voltavam… Alguns eram jogados no rio Mapocho, ou nos canais de irrigação. Um companheiro nosso acordou três dias depois cercado de cadáveres.

Mortos no estádio, onde foi feito o memorial.

Apresentamos alguns episódios de muitos que o livro se refere como um indicativo da diferença espantosa entre nossos atletas candidatos e atletas engajados pelo mundo.  Diferenças que precisam ser evidenciadas, com transparência, dignidade e respeito aos torcedores. Aqueles que no Brasil foram capazes de se alinharem com um candidato que é defensor da tortura, apresentam uma conduta indigna para aqueles que desejam ser representantes políticos do povo.  Um livro para ser lido, relido, presenteado. Imperdível.

FUTEBOL À ESQUERDA

Quique Peinado

Editora Madalena.

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Comentários

  1. Antônio Carlos dos Santos disse:

    Difícil ter esperança, texto esclarecedor infelizmente poucos querem ter memória.

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