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A relevância do diálogo promovido pela ANATORG

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As primeiras torcidas organizadas nasceram no fim da década de 1930 e começo da década de 1940. Na segunda metade dos anos 1960 e começo dos anos 1970, todavia, alguns grupos de jovens torcedores, inspirados pelo espírito rebelde do período, começaram a criticar as relações (clientelistas) destes primeiros agrupamentos com os dirigentes dos clubes e fundaram novas associações, reivindicando autonomia face a esses dirigentes e, também, estabelecendo novas formas de torcer. Em alguns momentos, todavia, esses novos agrupamentos também se renderam ao clientelismo, além de participarem de diversos conflitos violentos. Conflitos que, principalmente a partir da segunda metade dos anos 1980, ganharam grande visibilidade midiática e chocaram a opinião pública, devido ao caráter dantesco de algumas de suas cenas – como aquelas da “Batalha Campal do Pacaembu”, quando torcedores organizados do São Paulo e Palmeiras invadiram o campo de jogo com paus, pedras e outros artefatos e se enfrentaram violentamente, resultando em um torcedor morto e numa centena de feridos.

O que pouco gente sabe, contudo, é que as torcidas organizadas conseguiram, ao longo da sua história, superar, até certo ponto, seus interesses particulares e suas rivalidades clubísticas, formando entidades representativas – tais como a Associação das Torcidas Organizadas do Estado de São Paulo (ATOESP), a Federação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro (FTORJ), a Confederação Nacional das Torcidas Organizadas (CONATORG) e a Associação Nacional das Torcidas Organizadas do Brasil (ANATORG). Esta última é a mais recente dessas entidades, tendo sido fundada em 2014. Hoje em dia, possui mais de duas centenas de afiliadas e, inspirada no movimento ultra alemão, adota o lema “Fale conosco, não sobre nós”.

Fiel a esse lema, a ANATORG tem como objetivo fomentar o diálogo entre as organizadas e entre elas e o Poder Público. Certamente, esse diálogo é relevante por diversas razões. Destaco, todavia, aquelas três que me parecem mais importantes. Primeira, pode fazer com que as autoridades revejam os atuais planos de segurança para o espetáculo futebolístico e desenvolvam estratégias de prevenção da violência mais justas e eficazes. Segunda, pode permitir que associações com um longo histórico de rivalidade violenta estabeleçam algum acordo a fim de evitar o acirramento dos conflitos entre elas. Terceira, pode ajudar na organização e articulação de práticas coletivas de resistência a um conjunto de processos que são experimentados como insatisfatórios por muitos torcedores, como a elitização dos estádios e a repressão contra uma cultura popular de torcer.

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