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Por alguns dias, o Palmeiras sonhou com Maradona para sair da fila

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Créditos: Maradona só foi ter sua camisa do Palmeiras décadas depois, num presente de Edmundo (Foto: Reprodução/Palmeiras)

Foi uma bomba: a Folha de S.Paulo de terça-feira, 1º de setembro de 1992, estampava no canto inferior esquerdo da primeira página uma pequena manchete, em duas colunas: “Maradona pode retornar ao futebol pelo Palmeiras”. Lá dentro, na seção de Esportes, a chamada evidenciava a co-gestora do clube: “Parmalat tenta trazer Maradona”.

A ideia dos dirigentes da multinacional de laticínios, que chegara no começo do ano prometendo ajudar o Verdão a acabar com o jejum de títulos que vinha desde 1976, era aproveitar a íminente saída do craque argentino do Napoli para, numa espetacular jogada de marketing, trazê-lo para jogar no Brasil. Maradona estava acabando de cumprir sua primeira suspensão por doping, de 15 meses, por uso de cocaína, e parecia farto do clube do sul da Itália, onde jogava desde 1984.

Até de valores se falou: US$ 8 milhões foi a oferta da Parmalat, o equivalente a pouco mais de 1 bilhão de cruzeiros, a moeda de uma época em que o Brasil tinha uma inflação média de 25% – ao mês. Era muito mais do que os US$ 5,5 milhões oferecidos pelo Sevilla e ainda tinha uma atração à parte: era à vista, enquanto o clube espanhol queria parcelar o valor. A ideia é que Maradona assinasse com o Palmeiras até o fim de 1993 e depois seguisse para o Boca Juniors, seu clube de coração e que também contratava com o patrocínio da empresa italiana.

Mas o melhor ficou para os jornais do dia seguinte. O Palmeiras apresentou um novo reforço, o meia Cuca, que chegou prometendo títulos, mas falou tanto de si quando do risco de disputar posição com Maradona. “Nada disso, dá para jogar os dois”, disse o meia em registro da Folha. No concorrente Estadão, o técnico Otacílio Gonçalves, o Chapinha, saiu-se com o velho clichê: “Maradona não é problema, é solução”, e o volante César Sampaio, como bom Atleta de Cristo, apostava numa redenção: “Depois de tudo que passou, Maradona deve ter feito um balanço de sua vida e amadurecido muito”. Veja abaixo esse trecho:

Trecho de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo descreve a expectativa de jogadores do Palmeiras pela possível chegada de Maradona.
Reportagem do Estadão mostra expectativa de palmeirenses por Maradona (Reprodução)

No fim, a bomba foi só um estalinho. Maradona acabou indo mesmo para o Sevilla e criticou publicamente a Parmalat, dizendo-se chateado por ter sido colocado como protagonista de uma ação de marketing. Só seria fotografado com uma camisa do Palmeiras muitos anos depois, num presente recebido de Edmundo em que só vemos as costas do uniforme usado no título brasileiro de 2016.

Sem Maradona, mas com Cuca, o Palmeiras seria vice-campeão paulista daquele ano. O dinheiro seria investido pela Parmalat para contratar Antonio Carlos, Roberto Carlos, Edmundo e Edilson, formando o esquadrão que enfim nos tiraria da fila em 12 de junho de 1993. Maradona, por sua vez, nunca conseguiu completar a redenção esperada por Sampaio, sendo cada vez mais divino e humano ao mesmo tempo. Nesta quarta, dia 25, foi-se para o outro plano. E, nestes dias em que celebramos a vida e a obra de Diego, fica de recordação para o palmeirense o dia em que pudemos sonhar com a possibilidade de ter um dos maiores de todos vestindo nossa camisa. Siga em paz, Diego, e obrigado por tudo.

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