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Carta ao torcedor

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Créditos: Felipe Oliveira / EC Bahia

Caro torcedor,

Começo essa carta direcionando a você, homem, e te fazendo um apelo para ler até o final. A violência contra a mulher não é uma temática de mulheres. É sobre vocês.

Eu posso te apresentar dados de como a violência contra a mulher é uma grave questão no nosso país, especialmente aqui na Bahia, 3º estado com maior índice de feminicídios. Mas isso você acompanha diariamente na TV. Posso te falar sobre a relação entre violência contra a mulher e o resultado do jogo do seu time do coração, consumo de álcool, masculinidade tóxica. Isso também é divulgado amplamente.

Talvez um apelo mais próximo, mexendo no amor ao time, com as campanhas que os clubes fazem contra violência, ou citando o protagonismo do Bahia com ações que foram de palestras educativas a suporte no aplicativo e site de denúncia por assédio e agressão durante os jogos, além da Ronda Maria da Penha. O papel deles vem sendo feito, apesar de precisarem rever a questão da contratação de agressores, mas é sobre o seu papel. Isso você também já sabe. Por inúmeras vezes assistimos o debate sobre jogadores envolvidos em casos de violência continuarem em posição de relevância. Tudo recomeça no próximo caso. E de que lado você ficou?

Poderia abrir espaço para milhões de vítimas contarem suas histórias, mas você já ouviu. Não vou te pedir empatia em respeito as mulheres de sua vida, isso tem que partir por uma questão de caráter, não de associação. A violência desencadeia traumas, dores, luto, que vai além da vítima e da família. Todos são afetados. É um ciclo que se repete por gerações.

Reconheço que tivemos algum avanço. O que antes não era falado, hoje pode ser questionado. Meu apelo então parece um grito vazio, mas é a única forma que tenho, uma tentativa de te fazer refletir sobre quanto você colabora na manutenção dessa estrutura violenta. Eu sei que choca, que doi, enraivece e mexe com o orgulho. É difícil pensar que você que ama profundamente as mulheres ao seu redor, que nunca levantou a mão para uma mulher colabora com essa estrutura. Mas colabora. Principalmente quando fecha os olhos, achando que não é problema seu ou que seu amigo, seu ídolo ou o fulano é gente boa/talentoso demais, apesar de. O apesar mata.

E as mulheres que você tem ao seu redor, tão amadas, já foram vítimas de algum tipo de violência: física, psicológica ou verbal. Elas também acabam reproduzindo a violência vivida por elas e outras mulheres, minimizando e descredibilizando. E sim, isso você também já sabe. Então como eu posso vir aqui, fazer um apelo, se tudo que pode ser dito você já sabe?

Por uma questão simples: sobrevivência. 25 de novembro é o dia internacional de combate para a eliminação da violência contra as mulheres. Travamos uma batalha pela vida. É sobre cada um rever o quanto dos seus comportamentos favorecem essa estrutura e mudar. E se possível, seja um agente de transformação. Reflita, escute, estude, mude, oriente. Repita esse ciclo e encerre o da violência. Esse será o maior legado que poderá passar ao seu clube e as gerações seguintes.

Atenciosamente,

Uma sobrevivente.

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Comentários

  1. Cassia disse:

    Muito lúcida e essencial sua carta, nós homens e mulheres não percebemos o quanto mantemos essa estrutura de violência, criticando a vizinha, as amigas ou quem quer que seja por posturas que vc acha que pode levar a violência, mais nada disso tem que existir , a violência contra as mulheres e só por isso, tem que acabar sem mais nem menos, acabar!

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