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Surreal, digno de Dalí

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Créditos: Giancarlo Santorum/Esporte Clube Pelotas

Na tarde deste sábado, a Boca do Lobo viveu mais um daqueles capítulos memoráveis da história de um clube de futebol. Será, sem dúvida alguma, um daqueles episódios que daqui a 20 ou 30 anos surgirá nas conversas de quem teve o privilégio de acompanhar. Quem não lembra de Pelotas 4×4 Criciúma pela extinta Copa Sul-Minas? Dos pênaltis contra o São José com 2 jogadores a menos? Do título da Recopa Gaúcha, depois de estar perdendo 2 a 0 contra o Internacional e um jogador expulso, sob um chuva torrencial em Pelotas? São jogos memoráveis, que ganharam mais um integrante na tarde de ontem.

O Pelotas recebeu o Novorizontino, líder isolado do grupo 8. Não haveria espaço para que aparecessem as instabilidades que marcaram o Pelotas na competição. Isso, digamos que, na teoria. Na prática, o que se viu foi um show de instabilidades – de ambas equipes – e um jogo com altos e baixos de dar inveja às montanhas-russas da Disney. E embora movimentado e bem jogado pelas duas equipes, o primeiro tempo ficou mesmo com o placar o qual começou.

Na segunda etapa, entretanto, os ataques calibraram seus “Kichutes” e voltaram com tudo. O primeiro ato de surrealismo da partida foi justamente o que abriu o marcador: Moisés, de muito longe, acerta um canhotaço que fez a bola parecer que tinha partido de um canhão de precisão das mais aguçadas, morrendo no ângulo esquerdo do goleiro Giovanni. Um gol de alívio para uma equipe que necessitava dos 3 pontos em disputa.

Entretanto, não ia ser tão simples assim (e como não ia). Poucos minutos depois, em uma pataquada generalizada da defesa do Pelotas, o empate já estampava o placar. A gente sabe bem que esse time do Lobo sofre com as instabilidades, não só dentro do campo. O lado psicológico dessa equipe já deu sinais de fraqueza em algumas oportunidades, e desta vez não foi diferente.

Depois do empate, tivemos três chances claras de gol. Jogamos todas fora. E logicamente, pra seguir o roteiro, em nova trapalhada generalizada sofremos o segundo gol, aos 26. O terceiro gol não demorou, veio aos 36. Estava acabado. O relógio apontava 40 minutos da etapa final, eles eram líderes, abriram essa vantagem, tomaram apenas 3 gols nas 12 partidas que disputaram… estava acabado, para todos. Menos para o Pelotas. E esse é um fator crucial, que às vezes, até a gente esquece. Nós somos o Pelotas!

Aos 41 minutos, Marcelo invade pelo lado direito e acha Juliano, completamente livre no meio da área para descontar. Gol que, sinceramente, arrancou xingamento da maioria dos torcedores do Pelotas. Naquele sentimento de: “Por que só agora?”.

Segue o jogo e, aos 43, Marcelo (que homem!) invade novamente pelo setor que ele sempre domina os adversários e coloca um presente na cabeça de Bruninho, que finaliza com maestria para empatar o jogo. Já era algo totalmente fora curva, aquela equipe de 3 gols sofridos no campeonato, tomou 2 gols em 3 minutos aqui na Boca do Lobo. Entretanto, ser fora da curva e ser surreal, são coisas diferentes. Vinha mais por aí.

Aos 46, Marcão trouxe para a realidade toda essa obra que nenhum dos torcedores acreditava 5 minutos antes, com toda a frieza de um matador, deslocou do goleiro e estampou uma virada épica e inesquecível, que leva o Pelotas para a última rodada precisando de um ponto, em mais uma batalha que está por vir. Foram 3 gols em 5 minutos, na melhor defesa do grupo.

Uma pena estarmos vivendo esse momento tão triste, de estádios vazios, sem festa na arquibancada, sem as tão faladas aglomerações, sem nossos amigos fiéis de cimento no chão e tela de arame. Seria um delírio em massa, que até aconteceu, porém em lugar diferentes, com isolamento. Entretanto, o fundamental é que a página está escrita, com mais um jogo memorável, que fez nosso coração bater, nosso corpo extrapolar.

Salvador Dalí, o mais famoso artista do movimento surrealista, pintou “A persistência da memória”, uma obra que certamente poderá ser representada no nosso dia-a-dia sempre que houver lembranças de momentos marcantes e inesquecíveis jogos como esse: Surreais.

Foto: Giancarlo Santorum

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