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Só os loucos sabem

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Créditos: Giancarlo Santorum – ECP

Um sábado ensolarado, um estádio vazio e um time sob pressão. Com este cenário começamos a falar sobre o confronto entre Pelotas e Novorizontino, na Boca do Lobo, pela penúltima rodada do grupo 8 da Série D do Brasileiro. O time da casa precisando da vitória pra se manter vivo em busca da classificação, enquanto o adversário, com pontos de sobra pra classificar em todas as outras chaves, queria a vitória por capricho. Porque o futebol é assim. E disso só os loucos sabem.

A necessidade fundamentou as ações ofensivas desde o início. Foram do Pelotas todas as iniciativas nos primeiros minutos. O Lobo atacou pelo meio, pelos flancos, na bola parada, com ela rolando, de tudo que é jeito. E chegou a marcar duas vezes – ambas anuladas pela auxiliar Luiza Reis, de forma milimetricamente acertada. O primeiro tempo sem gols foi um capítulo à parte neste duelo que perderia totalmente o controle na etapa final.

Trilou o apito, meia dúzia de pontapés foram dados e logo aos cinco minutos o Pelotas abriu o placar com Moisés. Um chutaço da intermediária, digno de um nome bíblico. Ele teve tempo, teve espaço e teve, principalmente, habilidade – contrariando os torcedores mais pessimistas, que já imaginavam aquela bola na arquibancada.

O 1 a 0 foi o gol da vibração. Todos sentiram o bom momento. Tanto que o Pelotas encurralou o Novorizontino e criou mais duas chances claríssimas, as duas com Ariel. Na primeira, o atacante foi “fominha”. Na segunda, teve azar. Resultado: ainda 1 a 0, contra o melhor time de todo o campeonato. Difícil, hein?

Não dava pra perder esse tipo de lance. E nem era necessário ser pessimista pra saber disso. O castigo veio em seguida, com o empate dos paulistas. Caíque Oliveira, após cruzamento pela esquerda, subiu sozinho, enquanto o goleiro multicampeão Renan se atrapalhava, também sozinho, para deixar tudo igual.

“Tudo bem. Vamos em frente!”, devem ter pensado os jogadores do Lobo, que seguiram amassando o time de Novo Horizonte em busca da vitória. Foi quando a bola se apresentou para Hugo Sanches, na área adversária. Só que o atacante áureo-cerúleo, que está de volta após uma séria lesão, ainda está em processo de calibragem. A emoção o fez chutar a bola na Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, distante uns 400 metros do estádio.

A chance perdida foi mais uma vez um duro golpe para o Pelotas. Aquela máxima do “quem não faz, leva” não titubeou. O Novorizontino virou em um lance tão ofensivamente primoroso, quanto pateticamente defensivo. Cléo Silva – vê se eu posso com isso! – fez 2 a 1 com o goleiro batido e o estádio já efusivamente silencioso.

Depois disso, tudo virou um bumba-meu-boi. Era chuveirinho, bola aguda e desespero, sem mencionar o dedo aquele e a gritaria. O Pelotas tentou atacar de todas as formas, principalmente com Matheus Goiano, que perdeu o rumo de casa em duas finalizações. O terceiro gol do Novorizontino foi um castigo excedente. Desmerecido. Mas real. Cobrança de falta de Pereira, de longe, por fora da barreira, e Renan não alcançou.

Foi quando todo mundo jogou a toalha. A tão necessária vitória do Pelotas já não parecia mais possível. E é aí, meus amigos, que realmente começa a história desse jogo.

Alguns dirigentes – de cabeça baixa na arquibancada social – nem chegaram a ver o passe magistral de Gabriel Silva para Marcelo, que cruzou para Juliano fazer o segundo do Pelotas aos 41 da etapa final. Os poucos aplausos no áudio ambiente da transmissão entregam a falta de convicção no resultado. Menos mal que dentro do campo o pensamento foi diferente.

Os comandados do técnico Ricardo Colbachini, um louco, um torcedor com melhor acesso, um cara competitivo ao extremo, seguiram buscando os espaços deixados pelo líder. Dois minutos mais tarde, Marcelo recebeu pelo lado e fez um passe que eu me recuso a chamar de cruzamento. A bola perfeitamente erguida na área encontrou a cabeça de Bruninho, que marcou o primeiro dele com a camisa áureo-cerúlea. O áudio ambiente da transmissão, desta vez, teve melhor resposta. Seria possível buscar os três pontos?

Seria.

Aos 46 minutos, quando o empate já parecia um grande negócio, o Novorizontino falhou. A bola espanada da defesa parou em Gabriel Silva. Marcelo mergulhou e tocou para o meio. Em toque rápidos, a bola chegou para Marcão. E ele, meus amigos, é um centroavante com “C” maiúsculo. Um atacante também com “A” maiúsculo. É um Marcão com “M” de “Meu Deus do céu, mas que loucura!”. Com a tranquilidade de um papai, ele tocou na saída do bom goleiro Giovanni e estava feito o milagre. Milagre este que começou com Moisés, personagem bíblico, e acabou em Marcão… que certamente está na bíblia. Eu sei que sim.

A vitória por 4 a 3 não assegura o Pelotas na próxima fase da Série D, mas – poxa vida! – faz todo mundo acreditar em uma sequência. Na rodada decisiva o Lobo joga pelo empate para avançar. O adversário é o Marcílio Dias, em Itajaí. Jogo duro. Boca braba. Bronca na certa. Mas tudo bem. Pra quem tem pensamento forte, o impossível é só questão de opinião.

E disso, meus caros, só os loucos sabem.

mm

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Comentários

  1. Luiz Carlos Knopp disse:

    Porra Leandro, fiquei arrepiado, talvez mais do que quando assisti a virada do Lobo no jogo. Obrigado por nos brincar com um texto tão lindo!

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