HOME CLUBES PRINCIPAL COPAS MUNDO DO FUTEBOL FUTEBOL FEMININO MERCADO DA BOLA CULTURAL CONTATO

 

 

SERIE A

SUDESTE

NORDESTE

SUL

CENTRO-OESTE

NORTE

Time de preto…Consciência negra no Galo

Card image

Créditos: Foto: Pedro Souza / Atlético

“Time de preto, de favelado…”. Assim afirma um cântico da torcida atleticana. Mas será que é time de preto mesmo?

A história do futebol no Brasil é marcada por manchas de racismo. Racismo esse que impedia negros de praticarem o esporte, que embranqueceu jogadores negros e que penaliza em detrimento da cor.

Hoje é dia da Consciência Negra, data da morte de Zumbi dos Palmares e resolvi trazer algumas reflexões sobre o racismo no Galo, não esse racismo explícito, mas o que está na estrutura do clube.

Foto: Reprodução / Instagram

Como sabemos, o futebol não é um fenômeno a parte da sociedade, ele reflete aquilo que somos enquanto coletivo. Como vivemos em uma sociedade que tem o racismo em seus alicerces, o futebol também é ambiente para a descriminação racial.

São muitos os atletas negros que fizeram história com a camisa do Galo: Rei, Dadá, Leonardo Silva, Ronaldinho Gaúcho, Luizinho, Paulo Isodoro…poderia passar horas pontuando. Mas o negro dentro de campo, assim como na arquibancada, não reflete a realidade do clube.

Faltam negros na estrutura de poder!

Segundo reportagem publicada pelo Superesportes hoje, o Atlético declarou ter 83 funcionários pretos (16,5%), 232 pardos (46,1%), 175 brancos (34,7%), 3 asiáticos, 3 indígenas e 5 não declarados. Mas o maior problema é onde eles estão.

Se você for até o site do Atlético e olhar as comissões técnicas de todas as categorias, vai contar nos dedos os negros ali. Além disso, os espaços que eles ocupam são, em maioria, cargos ‘inferiores’ dentro da hierarquia de comando, como: massagista, segurança, roupeiro, auxiliar. Isso tanto no profissional masculino e feminino, quanto nas categorias de base.

Quando passamos para o administrativo do clube, a desigualdade é muito mais escancarada. Presidente e vice são brancos. Segundo a reportagem, o único preto na diretoria atleticana é Idalmo Constantino da Silva, que ocupa o cargo de diretor geral do Labareda, ou seja, não tem poder decisão dentro do departamento de futebol.

Foto: Reprodução / Instagram

Não é à toa que vemos o clube ter uma postura questionável quando o assunto é combate à descriminação racial. As ações do Atlético só aparecem em datas ‘comemorativas’, como ações de marketing – veja, não digo que ele é o único clube a ter essa postura, nem que isso é restrito ao futebol, mas preciso me ater ao tema desta coluna . Na partida contra o Corinthians, ambas as equipes estenderam camisas com o número 23, fazendo alusão à estarrecedora estatística de que a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil. Hoje, o clube publicou em suas redes sociais imagens de atletas dos elencos atuais, tanto masculino quanto feminino, com frases de lideranças negras.

A reflexão que proponho a você que lê este texto é: o que de efetivo isso traz no combate ao racismo? O que de fato o clube tem feito em seu cotidiano para combater a desigualdade racial? Quando e quantas vezes você vê o clube se posicionar fora dessas datas?

O Atlético não tem uma política interna de combate ao problema. Não poderia, também. Não há representatividade interna, não há lideranças negras, e nem mesmo uma política interna para a mudança desse cenário. O Galo é preto e branco, mas ele ainda precisa SER PRETO!

Ver mais

Sobre o autor

Ver mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

 

Siga nossas redes sociais

© 2020 Atras do Gol é uma marca registrada da Atras do Gol Limited Liability Company.  Todos os direitos reservados. O uso deste site constitui aceitação de nossos Termos de Uso e Política de Privacidade