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Olha a sua cor

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Nenhuma frase doeu mais no peito do atleticano do que essa. Nós, atleticanos, pré era moderna no futebol, nos acostumamos com a arquibancada sendo um espaço de democracia popular. Aprendemos, indiferentemente da classe social ou da cor de nossa pele que podemos lutar juntos assim como, comemorar ou lamentar em uníssono. O preto e o branco. A ausência e a presença de todas as cores.

O futebol expõe de forma mais evidente os problemas da sociedade. Assim como ajuda na conscientização mais profunda dos mesmos problemas. A elitização nos estádios trouxe muito mais do que a melhoria das arenas cheias de mármore ou banheiros com torneiras galvanizadas. Ou mesmo um lanche de marca e uma cerveja sem álcool. A elitização evidenciou nossas diferenças. Nossos setores. Nossa cor. As cadeiras antes em menor número para uma parcela indiferente da sociedade, agora dão lugar a totalidade do estádio. O conforto oferecido propôs a separação no estádio e hoje ouvimos da boca do torcedor de um time popular, a frase “olha a sua cor”.

Dizem que o futebol é um retrato da sociedade e talvez seja, mas precisamos frisar, ao mesmo tempo que a torcida antirracista ou antifascista é proibida de estender sua bandeira. O imbecil grita “olha a sua cor” e só é penalizado depois de exposto e criticado. Se aquilo não fosse gravado e transmitido para a revolta de toda a massa, o autor passaria impune. Por que o racismo no brasil é estrutural. Ou seja, é naturalizado. Um país extremamente miscigenado, onde o projeto Genoma mostrou que a pessoa com mais gens negros tinha pele branca e olhos claros. O Brasil é o único país que não olha a origem (genótipo) mas a aparência (fenótipo) das pessoas. Quantas, para disfarçar seu racismo, dizem: “tenho amigos negros”, “tenho parentes pretos”, mas na verdade, não os aceitam totalmente. Somos mais que uma cor, mais que brancos, mais que negros, somo uma nação alvinegra e o Galo ainda representa isto.

 Talvez em minha infância inocente, eu não tenha enxergado o racismo ao meu lado. Porém, cantando ali atrás do gol, ao lado da Galoucura, a festa calava qualquer preconceito. Olhe a sua cor. Olhe bem para a sua cor e tenha orgulho de carregar uma camisa que representa todas elas. A luta e a consciência não podem acabar só por que o juiz assoprou o apito final.

Vivemos uma transformação na sociedade assim como, nos estádios de futebol. Os problemas enraizados estão sendo expostos. Seja por quem denuncia, ou seja por quem tem orgulho de profetizar tais preconceitos. Cabe a nós ocuparmos a arquibancada, as cadeiras, os corredores, as ruas e lutar contra qualquer forma de opressão, principalmente o racismo. Pois como diz Angela Davis: “Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista.”

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Comentários

  1. Antonio Candido F Girard disse:

    Brilhante, Guilherme!

    1. mm Guilherme F. Leite disse:

      Obrigado Antônio.

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