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De Og a Patrick: por um Palmeiras seja cada vez mais de todos

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Créditos: À direita de Oberdan na imagem, Og Moreira é apontado como o primeiro negro a ter jogado no Palmeiras (Reprodução)

Eram 19 minutos do segundo tempo no Pacaembu quando Og Moreira invadiu a área e foi derrubado por Virgílio. O Palmeiras já vencia o São Paulo por 3 a 1 e ficava ainda mais perto da taça do Campeonato Paulista de 1942, mas aquela cobrança jamais seria realizada, porque os tricolores fugiram de campo. Todo mundo obviamente já conhece a história da Arrancada Heroica, do primeiro jogo como Palmeiras, da mudança forçada de nome. Mas este texto não é sobre aquele jogo, e sim sobre o protagonista da confusão que terminou com a saída de campo dos tricolores.

Og, ou “Toscaninho”, como os torcedores da época o chamavam por sua elegância de maestro em campo, chegara pouco antes ao ainda Palestra Itália, vindo do Fluminense, no começo daquele turbulento 1942. Viu de perto a mudança provisória, para Palestra de São Paulo, e foi protagonista na primeira partida em que usamos nosso nome atual. Celebrou o Paulistão, e também os de 1944 e 1947. Disputou 203 jogos pelo clube, segundo o site oficial, passou ainda por Juventus e Nacional e morreu em 1985. É reconhecido como o primeiro jogador negro a ter defendido nossas cores – e já se passavam quase três décadas da fundação.

O tempo passou e o Palmeiras acumulou ídolos negros: Djalma Santos, Liminha, Djalma Dias e Djalminha, Luís Pereira, Jorge Mendonça, Mazinho, Cléber, Junior Baiano, Roque Júnior, Pierre, Gabriel Jesus, Jailson. Foi um negro o responsável por levantar duas de nossas taças mais importantes: César Sampaio, capitão no Paulista de 1993 e na Libertadores de 1999. Outro negro, Patrick de Paula, marcou o gol de nosso título mais recente.

Mais do que colecionar heróis negros em sua galeria de honra, o Palmeiras se tornou mais plural fora de campo: de time “dos italianos”, passou a ser também o time dos migrantes nordestinos, do pessoal do interior, de indígenas na Amazônia, dos ricos e dos pobres, dos empresários e dos zeladores, dos brancos, negros e orientais.

Na verdade, este texto não é sobre Og Moreira ou qualquer um dos outros citados. Neste Dia da Consciência Negra, recordar Og é lembrar que ter aletas negros com a camisa do Palmeiras pode até ter se tornado normal, felizmente, e nosso elenco atual está repleto deles, mas o racismo estrutural no Brasil continua vivo, firme e forte, sinônimo de violência gratuita e brutal, símbolo maior de uma desigualdade social que só faz aumentar.

Desigualdade que se reflete também no esporte, que, claro, não está isolado do mundo. Você, que costumava estar sempre nas saudosas arquibancadas do Allianz Parque antes da pandemia, seja honesto consigo mesmo: quantos negros havia ao seu redor? E não é por sua escolha, é porque eles estão cada vez menos lá, neste tempo de arenas, ingressos caros e planos de sócio-torcedor pela hora da morte. Não é exclusividade nossa, aliás: a pobreza no Brasil tem cor e todas as arquibancadas se embranqueceram nos últimos anos.

Dentro de campo o racismo também segue à toda. É verdade que os negros têm no esporte uma possibilidade de ascensão social, num raro espaço em que existe alguma meritocracia jogando a favor deles. Mas, vira e mexe, eles são “lembrados” de que muitos não os consideram iguais. Felipe Melo, por exemplo, já foi xingado de “macaco” vestindo nossa camisa, contra o Peñarol, na Libertadores de 2017. Na contramão, nosso então zagueiro Danilo proferiu insulto semelhante contra Manoel, do Atlético-PR, num jogo pela Copa do Brasil de 2010. As ações contra o racismo tomadas pelas autoridades da bola, até agora, têm sido o equivalente a enxugar gelo.

O cenário não é promissor, mas é preciso lutar, combater o racismo e buscar igualdade. Que este dia, mais que um feriado de descanso, seja uma data de reflexão em busca de como tornar nossa sociedade mais justa e igualitária. E que o Palmeiras, e nós palmeirenses, de todas as cores, possamos agir com firmeza, de forma concreta, para que sejamos, cada vez mais, um time de todos.

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Comentários

  1. Fubalee disse:

    Ótimo e necessário texto. Parabéns!!!!

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