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Consciência Negra: hoje e sempre

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Créditos: Reprodução ECBahia

Nesta sexta-feira (20) é o Dia da Consciência Negra, instituído através da Lei nº 12.519 de 10 de novembro de 2011. Mas esse é um tema que deve será bordado todos os dias e essa violência não deve ficar em silêncio.

A composição étnica e racial da sociedade brasileira é resultado de uma junção de pessoas de várias origens étnicas diferentes, dos povos indígenas, negros africanos, dos colonizadores portugueses e de posteriores ondas imigratórias de europeus, árabes e japoneses, além de outros povos asiáticos e de países sul-americanos.

Somos um dos países mais negros do mundo, mas muito se negam a aceitar a origem. Em Salvador, a cidade mais negra do país, infelizmente ainda existem casos graves de racismo. Especificamente o racismo no futebol é algo muito presente no nosso dia-a-dia e precisa ser tratado com extrema seriedade.

Entende-se por racismo no futebol qualquer prática racista (xingamentos, algum tipo de sinal ou comentários) realizada em campo durante alguma partida de futebol, nas arquibancadas, ou através de comentários em redes sociais. Isso tende a acontecer com certa facilidade mesmo havendo a pressão da mídia e da sociedade contra esses casos porque o futebol é um esporte que facilmente une pessoas de todas as “raças”.

Núcleo de Ações Afirmativas do Esporte Clube Bahia tem objetivo de promover transformações sociais por meio do futebol, mas se consolidar como o time mais democrático e inclusivo do país. O Bahia representa muito da identidade cultural do estado, considerado o Time do povo”, afirma Bellintani. “Por isso, temos obrigação de nos posicionar, frear extremismos e apoiar causas que vão além do campo de jogo.”

Em 2018 o Bahia fez três ações afirmativas voltadas para a Consciência Negra. A primeira, jogadores entraram em campo estampando em suas camisas nomes históricos como Dandara, Luiza Bairros, Mãe Menininha do Gantois, Zumbi dos Palmares e Moa do Katendê. Na segunda, os homenageados foram artistas, integrantes do movimento negro e ativistas, entre eles o cantor Gilberto Gil, o repentista Bule-Bule, a=o antropólogo Kabengele Munanda, a ialorixá Mãe Jaciara e a influenciadora Tia Má. “Fizemos questão de homenagear inclusive torcedores do Vitória, para provar que a luta contra o racismo está acima de qualquer rivalidade”, diz Bellintani. A última ação foi antes do jogo contra o Fluminense, quando 23 ex-jogadores negros que defenderam o clube, como Cláudio Adão, Dadá Maravilha, João Marcelo, Fabão e o camaronês William Andem, foram prestigiados em campo

Foto: Reprodução ECBahia

| Observatório da Discriminação Racial no Futebol
O Observatório da Discriminação Racial no Futebol, foi criado em 2014, após uma sequência de casos de racismo no futebol Brasileiro quando torcedores do time peruano Real Garcilasso imitaram macacos para provocar o volante do Galo, Tinga. Quando o árbitro Márcio Chagas encontrou o carro com as portas amassadas e bananas colocadas no para-brisa e no cano de descarga. No campeonato paulista, o volante Arouca, ouviu os gritos da torcida do Mogi Mirim: “macaco”.

Esses, entre outros casos, chamaram a atenção de Marcelo Carvalho, 44 anos. Na época, ele fazia um MBA em gestão empresarial e tinha contato com o mundo do futebol, administrando redes sociais de alguns jogadores. “Uma das inquietações que surgiram no curso era isso: existe racismo, não existe racismo? Comecei a apontar casos de racismo, mas a lista era muito grande. Comecei a acompanhar o que acontecia com eles, qual era a punição aos envolvidos, ao clube e não achei. Decidi então fazer um canal onde poderia colocar isso, não só os casos, mas o desdobramento deles”, diz Marcelo Carvalho, criador do Observatório de Discriminação Racial no futebol.

Foto: Joana Berwanger

Foi assim que surgiu o Observatório da Discriminação Racial no Futebol. Marcelo e uma colega fazem relatórios listando casos e monitorando as denúncias de racismo no futebol do Brasil. A imprensa tem o papel importantíssimo no ato da denúncia, porém ainda deixa a desejar no quesito de acompanhar e cobrar punições das autoridades. A mesma dificuldade encontrada por Marcelo. Nos relatórios tem na sua maioria casos são ofensas de torcedores a atletas ou árbitros, tanto dentro de campo como nas redes sociais.

| Punições
Um dos casos emblemáticos a mostrar que denúncia pode dar resultado foi o episódio envolvendo o goleiro Aranha, então jogador do Santos, em uma partida contra o Grêmio, disputada em Porto Alegre. Fora de campo, o atleta fez questão de afirmar que os gritos de “macaco” não eram algo “normal”. Patricia Moreira, identificada pelas câmeras de TV como uma das torcedoras que gritava insultos contra ele, a jovem foi demitida e processada por injúria racial. Precisou mudar de cidade, sua casa foi apedrejada, suas imagens rodaram o mundo. Ela excluiu redes sociais e só ficava em casa. Deixou de frequentar o estádio devido à violência das pessoas contra o seu ato, passou por acompanhamento psicológico por muito tempo até voltar a morar em Porto Alegre. Em razão das injúrias racistas sofridas por Aranha, o Grêmio foi eliminado da Copa do Brasil em julgamento do STJD.

Foto: Pedro Tesch | Folha Press

A organização tem como objetivo monitorar e divulgar casos de racismo no futebol. A organização promove ações informativas e educativas para toda população, o diálogo entre os clubes, torcidas organizadas e movimentos sociais para combater a discriminação e buscar sugestões para melhorias das condições.

Acreditamos que o esporte mobiliza e transforma vidas em todo o Brasil. Proporciona melhor qualidade de vida e contribui para aprendizagem, comportamento coletivo e principalmente a inclusão social. Além disso, hoje está sendo uma vitrine para engajamento de lutas sociais e ações afirmativas para conscientização da população.

Diga não ao racismo ! #Vidasnegrasimportam

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Comentários

  1. Thamires Barbosa disse:

    Parabens pelo texto!!! Todas vidas importam

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