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Quando Alvariza se tornou o primeiro fora do eixo Rio-São Paulo a ser convocado

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O cara foi o primeiro campeão gaúcho. Foi o primeiro jogador de fora do eixo Rio-São Paulo a ser convocado para a Seleção Brasileira. E com a camisa do Xavante. Em 2020, completam-se cem anos desde que o ponteiro Ismael Alvariza se juntou à equipe nacional que disputou o Sul-americano de 1920 no Chile – e deixou um gol por lá.

De acordo com pesquisa de Izan Müller, Alvariza nasceu em 16 de abril de 1897 e chegou ao Brasil em 1917, vindo do Grêmio Sportivo Guarany, amparado pela velocidade com que jogava na ponta esquerda. A estreia se deu contra o Foot-ball Club Riograndense, com vitória por 3 a 1. Ao todo, foram 36 partidas e 8 gols com a camisa rubro-negra. Cinco deles marcados no Campeonato Gaúcho de 1919, sendo um na final, contra o Grêmio. Antes do título estadual, o jogador já havia conquistado três citadinos, entre 1917 e 1919.

A qualidade chamou a atenção do país e o levou a ser convidado para o Campeonato Sul-Americano de 1920. Um ano conturbadíssimo para o futebol brasileiro. A Taça Ioduran, disputada entre os campeões de São Paulo e Rio de Janeiro, trouxe rixas após os cariocas alegarem que os rivais não haviam comparecido para a disputa do jogo. Era verdade, mas os paulistas argumentaram não haver para a disputa e exigiram um novo jogo. Sem haver consenso,  a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) não liberou atletas para a disputa do continental de seleções, obrigando a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) a convocar apenas jogadores do Rio, do Santos, que se encontrava em litígio com a associação estadual, e o gaúcho Ismael Alvariza. Foi naquele momento em que, seis anos após a primeira convocação, o País deixava de ter uma equipe bi-estadual para, enfim, formar uma espécie de Seleção Nacional.

A convocação do xavante também teve momentos de tensão.  Os jornais da época noticiavam que a Confederação Riograndense de Desportos havia enviado telegrama para a Liga Pelotense, pedindo disponibilização do jogador à CDB. A entidade municipal, porém, respondeu que nada podia fazer, pois não sabia “o paradeiro do referido jogador.” A própria imprensa, então, tratou de informar à Liga Pelotense que Alvariza havia sido visto em São Paulo, já com destino ao Rio de Janeiro para se juntar à delegação. 

No Chile, a campanha não foi das melhores – talvez reflexo do momento conturbado.  A equipe, enfraquecida pela ausência dos campeões paulistas, ficou marcada pela, até 2014, maior goleada sofrida pelo Brasil em competições oficiais: um 6 a 0 contra o Uruguai. Houve ainda derrota para a Argentina por 2 a 0, mas, na estreia, vitória contra anfitriões chilenos por 1 a 0. Gol do pelotense Alvariza, em chute que desviou no zagueiro.

No retorno do Chile, o Brasil disputou ainda mais um amistoso contra a Argentina, no que seria um jogo beneficente entre dois países irmãos. Uma manchete em jornal de Buenos Aires, chamando os jogadores brasileiros de macacos, transformou o episódio em revolta. Mesmo após um pedido de desculpas formal, parte dos atletas se recusou a entrar em campo. Alvariza, porém, disputou a partida, saindo derrotado por 3 a 1. No mesmo ano, o pelotense se transferiu para o Guarany de Bagé, onde jogou até 1921, quando foi para Esporte Clube Sírio, de São Paulo, lá encerrando a carreira e fixando residência.

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