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CBF e seu amor ao Futebol Feminino

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A vida real poderia ser melhor que a fantasia? Poderia. Estou escrevendo agora sobre um acontecimento que me perturba. Me tira o sono. Me deixa aflita. Não tem nada comovente ao término dela. Nem que te faça sorrir. É uma história real, apenas. Uma história de como o empresário local está me fazendo de boba.

O nome dele? Carlos Bernardo Ferreira. Darei nome aos bois, sem medo e sem pudor. Só isso já mostra o quão desesperador tudo isso é. Talvez vocês não reconheçam pelo nome, nem pelo ramo de atuação. Mas acredito que vão entender minha situação.

O senhor Carlos Bernardo Ferreira é o maior empresário da região de bebidas alcoólicas. Ele vende muito. Ele vende bem. Ele ficou muito rico e poderoso vendendo cerveja. Eu disse que ele vendia bebidas alcoólicas? Desculpa. Isso é o que ele diz. Mas na verdade ele vende mesmo é cerveja. Muita. Sempre. Só isso. Cerveja. C-E-R-V-E-J-A. Grave bem isso.

A cerveja dele não é das melhores, até já foi no passado. Premiada. Cinco estrelas. Mas isso é passado. Agora é insossa. Muitas vezes tem gosto de água. Outras vezes parece adulterada. As reclamações sobre a cerveja são constantes. Mas só temos ele. E os que vendem o que ele permite, são tão ruins quanto. Senhor Carlos Bernardo Ferreira é poderoso. Todo ano as reclamações sobre a sua cerveja aumenta. As desconfianças triplicam. Mas ela nunca para de ser vendida. Nunca deixa de ser assunto em jornais da cidade. Todo mundo reclama, mas todo mundo consome. E seu Carlos? Continua mais e mais rico.

Seria esse meu motivo de estresse? Não. Já me cansei da cerveja dele. Mas continuo bebendo. Toda semana. Todo ano. Já acostumei. O problema é que o senhor Carlos Bernardo Ferreira resolveu vender um produto novo. Uma bebida alcoólica diferente, que por muitos anos foi proibida. E que estão começando a servir por todo mundo. Nome da bebida: Licor. O prefeito até impôs uma lei: Só pode vender cerveja, se tiver licor no depósito. Senhor Carlos Bernardo Ferreira correu pra adquirir o licor.

Ele correu pra adquirir. Correu pra vender. E correu pra mostrar.

“Olha aqui prefeito, eu tenho.”

 O prefeito ficou satisfeito. Senhor Carlos estava dentro da lei. Ninguém sabia sobre, afinal já estávamos acostumados com a cerveja servida. O licor nunca estava a mostra. Ele deixava empoeirado no fundo do depósito. Alegava que ninguém queria, por isso ele não vendia. Ficava ali. Esquecido. Largado. Jogado. Mas se o fiscal da prefeitura chegasse: ele tinha lá atrás.

Um dia viajei pra outra cidade. Conheci o tal licor servido em todo canto. Com um sabor incrível. Me encantei. Voltei pra minha cidade sedenta. Apaixonada. Ainda continuaria bebendo cerveja, mas licor me parecia tão bom quanto. Fui no depósito do senhor Carlos Bernardo Ferreira e perguntei sobre. Ele ficou surpreso. Disse que tinha. Demorou um tempo procurando e me ofereceu. Bebi ali mesmo. Gosto era estranho. Velho. De coisa feita de qualquer jeito. Sabor distorcido. Mas bebi. Queria mais. Pedi mais disso. Ele me garantiu que teria sempre. Acreditei.

E aqui estou eu, ano após ano. mês após mês. Indo ao depósito do senhor Carlos Bernardo Ferreira procurar o tal licor e nada. O sabor não muda. Nunca está a mostra. Nunca está com rótulos corretos. Demoram pra achar. Demoram pra vender. Muitos já desistiram do licor. Muitos acreditam que o sabor não mudará. Mas continuo acreditando. Esperando. Aflita.

Estou aqui mais uma vez no depósito, esperando ser servida. Sentada em cima de um engradado de cerveja vendo o senhor Carlos Bernardo Ferreira passando numa propaganda de TV falando sobre como ele é um empresário de bebidas alcoólicas e não só de cerveja. Ainda que eu só veja cerveja onde estou.

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Comentários

  1. Rosimario disse:

    Excelente texto, Tatinha!
    Triste a vida de quem, sabendo o sabor do licor, sofre com a cerveja ruim que lhe é empurrada goela abaixo!

  2. Welington Leal disse:

    Na boa, esse senhor CBF me dá nojo. Só a variação da cerveja SCCP me atrai e apenas pelos apreciadores da variação.

    A variação Cerveja Seleta já não me atrai, e nem ligo se tá em falta , se tem ou não.

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