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Afinal, estamos em uma pandemia!

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Créditos: Foto: Pedro Souza / Atlético

Você há de convir comigo que o futebol tem ignorado a existência de uma pandemia! Pouco tempo depois de sua paralisação já havia uma discussão sobre o retorno das competições, muito pressionada pelo Flamengo, é verdade. A retomada dos campeonatos, precipitada a meu ver, fez com que o futebol, mais uma vez, se descolasse do mundo. Tudo ali indicava uma normalidade, no máximo víamos um teatro qualquer tentando seguir regras sem sentidos que buscassem adequar às recomendações de distanciamento social. Coisas como proibição de cuspe em campo, beijo na bola, como se houvesse alguma forma de controle sobre os contatos entre os atletas em campo.

Bobagem tamanha que hoje nada disso importa. Qual foi a última vez que você se incomodou vendo essas imagens que são corriqueiras em um jogo de futebol? Nem mesmo a mídia faz mais o barulho que fez, ou tentou fazer, naquele início.

Fato é que o futebol vive dentro de uma ‘normalidade’ absurda. Os campeonatos têm que acontecer, não importa. Data para adiamento? – caos. Talvez você não saiba, mas o Santos feminino teve um surto na semana passada e contava com apenas sete atletas disponíveis, excluindo as positivadas e lesionadas. SETE! A Federação Paulista de Futebol negou o adiamento da partida da equipe pelo Paulista Feminino por dois motivos que me beiram a absurdo: era a última rodada da primeira fase e todos os jogos deveriam acontecer simultaneamente; e o fato de não haver data para reposição de partida. A pergunta que fica é: como um campeonato é organizado em plena pandemia sem folga de calendário? O Santos perdeu de WO porque se recusou a disputar a partida.

Testagem da equipe feminina para o retorno dos treinos em Agosto. Foto: Atlético / Divulgação

No masculino vários clubes sofreram com surtos. Agora é a vez do Galo.

O Galo já chegou a um total de 25 atletas contaminados nessa temporada. O primeiro foi Cazares, que já não faz parte do elenco e ficou como um caso isolado à época. Semana passada, Rubens Dias, da equipe de transição foi o segundo positivado do ano, o primeiro desse surto atual. No fim de semana apareceram casos de atletas que estavam fora do Atlético: Alan Franco, que estava com a seleção do Equador para partidas das Eliminatórias da Copa e Savinho e Rômulo que foram convocados para a seleção brasileira sub-20.

Na segunda-feira mais nove casos foram identificados. O zagueiro Gabriel, o técnico Sampaoli e mais sete membros do departamento de futebol. No dia seguinte, o auxiliar Carlos Desio, da equipe de transição, também testou positivo.

Assustados com a quantidade de casos revelados, o Atlético resolveu ser mais prudente e realizar nova testagem. Mais dez pessoas também foram identificadas como contaminadas, dessa vez atletas, inclusive titulares que entrariam em campo contra o Athletico Paranaense.

Exames para retorno dos treinamentos em Maio. Foto: Pedro Souza / Atlético

A realidade é tão paralela que nem mesmo os protocolos adotados pela CBF – que já foram revistos e modificados no começo do Brasileiro por identificação de falhas – dão conta de amenizar os problemas. A entidade exige que os clubes façam a testagem 48h antes de alguma partida. Isso significa que atletas contaminados correm o risco de entrarem em campo sem saber que estão com a Covid-19.

A detecção do vírus no organismo de uma pessoa depende de um tempo de presença desse vírus lá, o que os infectologistas chamam de “janela imunológica”. Ou seja, o vírus não é detectado no dia da contaminação, é preciso um período até que ele se manifeste no organismo e possa ser identificado com precisão nos testes. Os funcionários que tiveram o exame positivo divulgado nessa quarta, não foram infectados em 24h, eles já estavam contaminados, mas o vírus só se manifestou nesse período.

Os protocolos da CBF não garantem segurança aos atletas e ao demais que trabalham em uma partida de futebol. Se não fosse a precaução do Galo, atletas infectados entrariam em campo e contaminariam jogadores do time adversário. Não duvido que isso ocorra ainda. Provavelmente há outras pessoas infectadas ali, que não foram identificadas nos testes feitos até terça (o resultado saiu quarta, mas o teste foi feito terça) e que hoje já são possíveis transmissores.

O futebol precisa acordar para a realidade e entender que eles não estão imunes ao que acontece no mundo. Mais do que isso, precisam entender que as consequências dessa doença ainda são obscuras. A gente pode discutir sobre as sequelas para os atletas – no quesito esporte e não –, mas isso fica para outro texto. Todo cuidado é pouco!

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Comentários

  1. Adriana disse:

    Otimo artigo, parabéns!

    1. Renata Lemos disse:

      Muito obrigada!!

  2. Dani Nunes disse:

    Excelente leitura.

    1. Renata Lemos disse:

      Fico feliz que tenha gostado!

  3. Elisete disse:

    Parabens pelo texto

    1. Renata Lemos disse:

      Obrigada!!

  4. José Gabriel Micherif disse:

    Parabéns Renata!!! Sempre surpreendendo positivamente.👏🐓

    1. Renata Lemos disse:

      Muito obrigada!

  5. Marina Rezende disse:

    Importante alerta!

    1. Renata Lemos disse:

      Sempre!

  6. Júlio Sabino disse:

    Muito boa reflexão. O grupo flamenguista, que mais se arvorou em ignorar a seriedade do momento, é a cara do narcomiliciano negacionista que se diz seu torcedor e segue encastelado em Brasília.

    1. Renata Lemos disse:

      E ainda tem gente que acha que futebol e política não se misturam. Tapam os olhos pra realidade!

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