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A noite em que o Palmeiras venceu com goleiro improvisado

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Créditos: Gaúcho comemora aliviado após marcar seu gol de pênalti (Reprodução/Youtube)

O Palmeiras deve recorrer novamente à entrada de Weverton no gol contra o Ceará, nesta quarta-feira, apenas 24 horas de ele estar a serviço da seleção. Contra o Coritiba, um mês atrás, a situação se explicava pela crise da equipe, que vinha de duas derrotas consecutivas – no fim o perdeu a terceira seguida, que culminou na queda de Vanderlei Luxemburgo, e nosso goleiro teve a duvidosa honra de levar cinco gols em 24 horas jogando em dois países diferentes. Agora, vai ser por necessidade, já que Jailson e Vinícius Silvestre foram diagnosticados com covid-19 e não podem jogar – e menos mal que Weverton deverá chegar mais descansado, pois desta vez ficou só no banco da seleção.

Bom, há exatos 32 anos, o Palmeiras precisou desesperadamente de um goleiro para os minutos finais de um jogo, teve que recorrer ao centroavante Gaúcho e, por mais inacreditável, que pareça, deu certo. Em 17 de novembro de 1988, o Palmeiras jogava com o Flamengo pelo Brasileirão, então chamado de Copa União, que tinha um regulamento peculiar: no tempo em que a vitória costumava valer dois pontos, ela valia três; e todo empate era seguido por uma decisão por pênaltis que valia um ponto extra.

Como era comum naquela época de fila, o Palmeiras estava numa semana turbulenta. No domingo anterior, o técnico Enio Andrade barrou o meia Edu, craque do time, do clássico com o São Paulo, alegando que ele havia se apresentado com atraso. O jogo acabou 1 a 1, e o Tricolor levou a melhor nos pênaltis. Em busca de reabilitação, o Verdão viajou – ainda sem seu camisa 10 – ao Rio para jogar com um Flamengo que também não vivia um grande momento.

Tinha 10 anos e lembro que esse jogo passou na TV – a quinta-feira era o dia de transmissão dos jogos noturnos na época. O jogo foi bem meia-boca, como o vídeo abaixo mostra, numa improvável reportagem de Marcelo Rezende, ele mesmo. E só entrou na nossa memória porque Gaúcho, centroavante forte e goleador que havia acabado de chegar do Santo André, nos salvou, pegando os pênaltis cobrados por Aldair e, ironia, por nosso futuro ídolo Zinho.

Esse jogo tem também uma nota triste, porque acabou sendo a despedida de Zetti, que havia despontado com brilho no ano anterior, chegando a mais de 1.000 minutos sem tomar gol durante o Paulistão, mas teve problemas com a diretoria do Palmeiras durante a recuperação e acabou indo praticamente de graça para o rival São Paulo, onde virou ídolo e ganhou tudo. Gaúcho, por sua vez, jogou mais um ano no Verdão e seguiu, ironicamente, para o Flamengo, onde ganhou o Brasileirão em 1992. Morreu precocemente em 2016, aos 52, vítima de um câncer de próstata.

A sequência de 1988 para o Palmeiras também não foi das melhores, com o time acumulando mais um caminhão de empates (sem sucesso nos pênaltis) até ser eliminado antes mesmo dos mata-matas. Seu Ênio foi embora, veio Leão para ser o técnico, Edu seguiu ídolo até ser vendido ao futebol mexicano, no ano seguinte. Mas essas são outras histórias. Por ora, fica o lembrete: o Palmeiras é tão gigante que às vezes nem precisa de goleiro para se dar bem.

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Comentários

  1. Fubalee disse:

    Foi bom relembrar esse jogo. O Palmeiras estava uma draga, mas esse jogo foi emocionante mesmo.Essa doideira de todo jogo ter decisão que terminasse empatado ter a decisão por pênaltis acabava dando uma emoção extra. Valeu, Cesarotti!

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