HOME CLUBES PRINCIPAL COPAS MUNDO DO FUTEBOL FUTEBOL FEMININO MERCADO DA BOLA CULTURAL CONTATO

 

 

SERIE A

SUDESTE

NORDESTE

SUL

CENTRO-OESTE

NORTE

São-paulinos: entre reaças, isentões e anti-fascistas

Card image

Créditos:

Anos incríveis – Cresci assistindo aos jogos do São Paulo no Morumbi, com meu pai, meu irmão, tio e primas, entre o final dos anos 1970 e os anos 1990. Lá vivi tantas tristezas, como a perda do título do Campeonato Brasileiro de 1981 para o Grêmio, e inúmeras alegrias – como as conquistas de campeonatos paulistas, brasileiros e da Libertadores, jogadores e jogos inesquecíveis. Mas foi lá nas arquibancadas, onde era socialmente permitido xingar, que aprendi a linguagem da homofobia, do machismo e do racismo. Lá eu aprendi a usar isso como ofensa contra os jogadores e a torcida adversária e contra os juízes. E depois contra qualquer pessoa no dia a dia. Claro que essa “educação para a intolerância” foi aprendida também na família e no convívio com professores e com os colegas privilegiados da escola particular.

Bolsonarismo – No dia 4 de novembro de 2018, uma semana após o segundo turno da eleição presidencial que deu a vitória a Jair Bolsonaro, morri de vergonha ao assistir pela tevê, Diego Souza, o centroavante do São Paulo, bater continência e fazer arminha com a mão ao comemorar o gol contra o time do Flamengo. “Cada um tem a sua opinião em termos de política. Respeito a de todo mundo, espero que respeitem a minha”, disse o atacante após o jogo (Folha/OUL, 4/11/2018). O clube disse na época que a posição do atleta não reflete à da instituição, mas que não se via no “direito de cercear a opinião alheia” (Folha/UOL, 5/11/2018). O problema pra mim foi Souza ter usado a visibilidade do papel de jogador de um grande time de futebol, ao comemorar um gol num clássico, para externar sua posição política pessoal. E quanto à parcela dos torcedores desse time que votaram no candidato derrotado e que se sentiram afrontados? Impossível não lembrar da jogadora de vôlei Carol Solberg, punida mais recentemente pela CBV por ter mandado um “Fora Bolsonaro”.

Terror do Morumbi – Em abril de 2020, uma nova treta política envolvendo três ex-jogadores são-paulinos: Raí, Caio Ribeiro e Casagrande. Naqueles meses iniciais da pandemia, Raí, diretor de futebol do São Paulo, tinha dado uma entrevista na qual fez pesadas críticas ao presidente Jair Bolsonaro, dizendo que ele deveria pedir renúncia “por estar no limite da irresponsabilidade”. Aí o isentão e almofadinha do Caio Ribeiro mandou essa: “Eu acho que ele tem que falar de esporte. Na hora que ele fala de renúncia, dos hospitais públicos e tudo isso, me parece que ele tem conotações políticas em relação a preferências.” O resto da história cês conhecem: ele foi unanimemente espinafrado por todos os seus colegas, especialmente por Casagrande no programa Bem, Amigos: “Eu discordo quando você fala que o Raí só tem que falar de futebol, que não pode falar de política. Isso é antidemocrático. Ninguém pode censurar o que o outro está falando.” Essa posição de isentão do Caio, que antes era a norma por aqui, parece andar em declínio…

Tchê Tchê Guevara – No dia 7 de junho, portanto em plena pandemia, houve uma manifestação no Largo da Batata, cidade de São Paulo, contra o racismo, repercutindo o “Black Lives Matter” e as manifestações mundiais contra o assassinato de George Floyd nos Estados Unidos. Assim como milhares de anônimos, Tchê Tchê, volante do São Paulo, estava lá com a sua companheira que vestia uma máscara com o dizer “Anti racism fascism club” (clube anti racista e fascista). Lembro disso porque os resultados da eleição para vereador de São Paulo, que aconteceu neste último domingo, foram muito alentadores pela quantidade de vereadoras eleitas mulheres, negras, LGBTQI+ e oriundas das periferias urbanas. Segundo Erika Hilton, a sexta vereadora mais votada da cidade, as transgêneros na política são resposta ao Bolsonarismo (Folha/UOL, 16/11/2020). Que esse nosso Clube Anti-racista e Anti-fascista, cresça ainda mais e em todas as torcidas do Brasil!

Ver mais

Sobre o autor

Ver mais

Comentários

  1. José Marcos Pires Bueno disse:

    Que possamoa vençar na luta democrática para por fim ao fascismo e seus desdobramentos com a intolerância de gênero e o racismo em quaisquer lugares de nosso país como nos esportes em geral.

    1. Alê Kishimoto disse:

      Oxalá Zé!!!

  2. mm Roney Altieri disse:

    Muito bom!!!

    1. Alê Kishimoto disse:

      Valeu Roney! Estamos juntos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

 

Siga nossas redes sociais

© 2020 Atras do Gol é uma marca registrada da Atras do Gol Limited Liability Company.  Todos os direitos reservados. O uso deste site constitui aceitação de nossos Termos de Uso e Política de Privacidade