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Com os pés no cimento

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Créditos: Leandro Lopes

O hino do Esporte Clube Pelotas fala em “orgulho” desde a primeira estrofe. Desde a primeira palavra, mais especificamente. Orgulho este que todos nós, áureo-cerúleos, aprendemos a nutrir.

Com o tempo tudo faz sentido. Seja “pela grandeza do ideal”, ou por algo talvez menos abstrato, aceitamos a trajetória de seguir um clube. Entre os bons e os maus momentos, convivemos com a dor e a alegria de vestir azul e amarelo. Intercaladas. Cirúrgicas.

Quando fui ao meu primeiro jogo do Pelotas, lá em 1992, eu não fazia ideia do que me esperava. Pode não ter sido um jogo especial pra maioria do público presente, mas foi pro Leandro de cinco anos. Um triunfo aleatório sobre o Grêmio Santanense, em uma Boca do Lobo muito diferente da que temos hoje. Um jogo cheio de gols – e de altos e baixos. Lembro do meu padrinho me dizer: “isso é o Pelotas”. Na época não devo ter entendido, mas aceitei. Já não havia volta.

O tempo passa. A estrutura de um clube se adapta. O próprio futebol é adaptável, com todos os seus conceitos. E o sentimento, por que não? Afinal, aumentar também é uma adaptação.

Aos poucos, da arquibancada surgiu a companhia – aqueles “velhos” amigos de hoje que já foram novos amigos um dia. Muitos dos que vi pela primeira vez trajados no estádio ainda estão lá. Cresceram. Crescemos.

Sempre que posso, com os pés no cimento, costumo olhar em volta – mesmo em momentos de ebriedade. Faço isso porque é incrível perceber muitas crianças vivendo ali aquele meu momento de 1992. Bandeira em punho, olhos atentos ao jogo… a forma mais inocente e mais bonita de torcer.

Essas crianças ainda vão aprender tanta coisa. Com o tempo vão saber que cada sofrimento vai servir pra alimentar a coragem. E é preciso ter muita coragem no futebol do interior. Nessa idade eles ainda não sabem, mas são – cada um – importantes demais pra desistir.

Ainda antes da adolescência, vão entender que é preciso estarem sempre preparados. O futebol é ingrato. É capaz de nos desarmar. Mas todas as tristezas serão inevitavelmente curadas com abraços. As alegrias serão comemoradas da mesma forma. E poder abraçar uma pessoa, mesmo que desconhecida, no impulso de uma comemoração, justifica tudo. Eles vão aprender.

Esses mandinhos vão compreender aos poucos que, assim como escolheram o Pelotas, o Pelotas também os escolheu e acolheu.

E vai, então, chegar para eles o momento em que já não há alambrado que machuque, ou gramado que atrapalhe. No fim, é tudo sentimento e parceria: é amor nos bons momentos e mais amor ainda nos maus.

Passionais que somos, seguiremos fazendo planos em todas as idades – dos oito aos 80. E muitos desses planos vão ser ingênuos, como as próprias crianças. É incorrigível. O futebol é um disco que toca esperança em um looping eterno.

No fim das contas, sabem o que eu diria pra eles?
– Estou com vocês!

E estarei. Pés no cimento, olhos no campo e amor incondicional.

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