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18/11/17: O dia mais inesquecível da vida de um paranista

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Créditos: Paraná Clube Oficial

O que é um dia inesquecível para você? Casamento? Nascimento de um filho? Aniversário de alguém especial? Algum outro acontecimento que tenha sido marcante?

Para a torcida paranista, tenho certeza que o dia 18 de novembro de 2017 foi um dos dias mais inesquecíveis da história. Ou, pelo menos para mim, ele foi inesquecível.

Nesta data, há quase três anos, o Paraná Clube enfim conseguia subir para a Série A do Campeonato Brasileiro. Foram 10 anos de sofrimento. Não foram 10 dias, 10 meses. Foram 10 anos. Só quem é paranista sabe do que eu estou falando.

Passei toda minha vida ouvindo frases dos rivais locais, como “o Paraná vai acabar”, “time sem história”, “vai morrer na Série B”, “Paraná não é rival”. E tantas outras coisas… foram anos muito difíceis, mas que eu precisei engolir a seco e demonstrar meu orgulho em representar estas cores.

Porém, veio 2017. Um ano que acabaria mágico para o Tricolor da Vila. Não foi campeão paranaense. Nem ganhou a Primeira Liga. Muito menos, a Copa do Brasil. Houveram grandes jogos e vitórias nestas competições. Mas a temporada do Paraná Clube deslanchou mesmo durante a Série B.

O time não era apontado como favorito ao acesso. Tinha uma das menores folhas salariais da Série B. Mas mesmo assim, conseguiu se colocar na briga, durante a competição. Muito pela comunhão entre jogadores e torcida.

Após a famosa oscilação acontecer, o Paraná Clube chegou à penúltima rodada daquela Série B, podendo finalmente colocar um fim no seu dolorido martírio. Bastava uma vitória contra o CRB, em Maceió, e que Londrina e Oeste, concorrentes a vaga, não vencessem.

Agora, segue o relato de um torcedor… este que vos fala… o jogo era sábado, às 17h. Eu passei a semana toda nervoso. Não conseguia me concentrar em nada. Estava no penúltimo ano da faculdade, final de período. Mas tudo que eu pensava era no tão aguardado “Dia D”.

Nem dormi direito na noite antes do jogo. Acordei completamente pilhado. Tinha curso de inglês pela manhã. Fui, mas com certeza foi à aula menos produtiva que eu tive. Não me concentrava em nada.

Vim para casa, almocei. E a hora não passava. Ainda fui pego com a triste notícia do falecimento de Malcom Young, guitarrista do AC/DC, uma das minhas bandas favoritas. Será que o dia que era para ser de festa, seria só de tristeza?

O tempo ia passando, devagar… eu já tinha acendido velas e apelado para minha fé. Perto da hora do jogo, estava com o rádio preparado. Não ia deixar de acompanhar esse jogo sem o meu grande companheiro. Mas, aí, um amigo me chamou para ir até o bar que tinha na esquina de casa, para ver o jogo. Acabei aceitando.

Finalmente a hora chegou! A partida iniciava. Entre um e outro copo de cerveja, a tensão aumentava e diminuía, tal qual um termômetro. O Paraná Clube criava chances, mas não aproveitava.

Os resultados iam chegando… Oeste perdendo, Londrina empatando… estava tudo a favor, só o Paraná Clube que não se ajudava. Primeiro tempo encerrou em zero a zero.

A tensão só aumentava. Será que a gente ia conseguir? Começa o segundo tempo… aquele clima estranho só aumentava… até que, quando o relógio marcava 17 minutos, o imponderável aconteceu!

Alemão, atacante, e um dos destaques daquele time, rouba a bola e avança em velocidade, pela lateral. Ele cruza no meio da área. Audálio, zagueiro do CRB, tenta cortar e marca contra! Era o gol que dava o acesso ao Paraná Clube!

No mesmo instante, acabava empatado o jogo em Londrina. O Oeste, seguia perdendo.. Bastava segurar o resultado que o acesso estava garantido.

Ai que o tempo não passava mesmo. Parecia uma eternidade. Quando faltavam uns 15 minutos para acabar, eu já não conseguia mais ficar sentado. Quando faltavam 10 minutos, eu me ajoelhei em frente a TV. Quando o juiz assinalou os quatro minutos de acréscimos, eu não conseguia pensar em mais nada… nunca o tempo demorou tanto para passar. Até que, aos 49 minutos, o árbitro finalmente encerra a partida!!

Eu nem acreditava que isso estava acontecendo mesmo. O Paraná Clube estava de volta a Série A, após dez anos. A ficha não caía. Nesse momento, as lagrimas vieram.

Eu estava, literalmente, de joelhos em frente à TV, sem acreditar. Estava anestesiado. Saí pulando na rua, abraçando quem tivesse na frente. Chorava igual uma criança. Como eu disse, não eram 10 minutos. Eram 10 anos que ficavam para trás naquele momento. Estava tudo preso na garganta. Lavei a alma, literalmente.

Depois desse momento, o resto é história… a noite foi longa… saí para comemorar e cheguei em casa quando o outro dia já estava amanhecendo… uma comemoração justa e necessária. Depois de duas horas de sono (talvez o dia que menos dormi na minha vida), acordei para ir recepcionar o time no aeroporto.

Acesso
Multidão paranista toma as ruas perto do aeroporto, para comemorar o acesso (Foto: Reprodução/Paraná Clube)

Foram horas de baixo de um sol escaldante. Até que os heróis do acesso chegaram. E desfilaram perante seus fieis torcedores. 10 mil, aproximadamente, segundo informações dos órgãos de segurança. Foi um dia surreal. As horas mais insanas que eu vivi em toda minha vida.

Posso afirmar com toda a certeza do mundo. Outro eventual acesso, não terá toda essa emoção. Nenhum título vai ser tão emocionante quanto este acesso. Nada, nenhum momento irá se equipar a este fim de semana de 2017. Talvez, quando eu casar e ter filhos, sinta algo parecido com isso… mas se não ocorrer, não terei dúvida nenhuma que o dia 18 de novembro de 2017, foi o dia mais feliz da minha vida. O dia que o paranismo esteve representado na sua mais pura essência!

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