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Quando a resposta para todas as perguntas é “rubro-negrooô!”

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Créditos: CARLOS INSAURRIAGA/GE BRASIL

Apesar de algumas adaptações, este texto não foi escrito hoje. Na verdade, isso pouco importa porque não há prazo de validade para algumas das verdades não escritas da vida.

Certa vez, distante de nossa terra, eu e mais 1.999 torcedores rubro-negros estivemos em uma arena. Não era uma de verdade, como o Coliseu ou qualquer outro palco mortal, mas um grandioso estádio com dois telões e músicas de elevador.

Naquele dia (como em tantos outros), fizemos o máximo de barulho possível com os nossos tambores. Colocamos em palavras o nosso orgulho, principalmente com o belíssimo hino. Também aplaudimos o esforço dos nossos jogadores e gritamos o nome do nosso goleiro após ter falhado (e contribuído) para um dos gols – uma exceção para o então melhor da competição.

Normalmente, e em qualquer partida, cantamos para espantar o nervosismo, para jogar junto ou tentar acelerar o tempo; sobretudo, verbalizamos o que sentimos porque temos sangue tão vermelho quanto à nossa camisa. Entoamos “eu grito Brasil eu te amo, tu moras no meu coração”, mas também “vergonha, vergonha!”. Paixão febril.

Um dos momentos mais marcantes dessa partida, especificamente, originou-se da chegada dos mais de 25 ônibus, mais micro-ônibus e vans, oriundos de nossa Pelotas. Eu vi lágrimas serem arrancadas de torcedores com visíveis mais de 40 anos de cancha – e eu não os deixei chorar sozinhos.

Na rua, antes de girar a catraca, aplaudimos e cantamos aos Xavantes das excursões que se somavam a nós. Os iguais, apesar de diferentes, se reconhecem. Enquanto isso, dezenas de torcedores rivais olhavam para nós. Acompanhavam, alguns pela primeira vez, uma torcida do interior que se comporta com o atrevimento que lhe é peculiar.

O futebol interiorano reage, semelhante talvez a um espasmo, uma última reação antes da morte iminente. A teimosia Xavante, porém, identificada ao longo de mais de um século, é uma doença incurável. É uma enfermidade que, apesar de combatida, espalha-se pelas canchas de todo o Rio Grande, e além dele; e que despedaça sem piedade perguntas clichês.

– Azul ou vermelho?
– Rubro-negrooô!
– Ah, mas quem preferes?
– Rubro-negrooô!

Nesse dia, quando o placar já apontava quatro gols a zero, milhares se levantaram de suas cadeiras confortáveis e auto reclináveis para olhar para nós. Com gestos indicavam que a partida estava resolvida. Não contavam, porém, que os nossos gritos fossem ressurgir mesmo assim. Novamente entoamos “eu grito Brasil eu te amo, tu moras no meu coração”.

Gritamos “rubro-negrooô”.

É sempre assim. Sempre foi assim. Desde 7 de setembro de 1911 o futebol gaúcho conheceu novas cores e o seu primeiro campeão. Foi quando surgiu, também, a resposta para todas as perguntas, sejam elas quais forem, independentemente se feitas ontem, hoje ou amanhã.

– Rubro-negrooô!

Estava sempre na boca do torcedor-símbolo Marcola.

– Rubro-negrooô!

Na partida posterior, novamente contra o placar e o tempo, contando com uma reviravolta improvável.

– Rubro-negrooô!

Para estrear a minha coluna aqui, perto da copa, logo Atrás do Gol.

– Rubro-negrooô!

Para todos os momentos da nossa vida, nos bons e ruins, sempre gritaremos rubro-negrooô, rubro-negrooô, rubro-negrooô!

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