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Não é só futebol

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Créditos: Acervo Estado de Minas

Para a estreia dessa coluna, não poderia fugir da temática que tanto me aflige, que guia minhas pesquisas acadêmicas e minha vivência com o futebol. Se você chegou aqui achando que leria alguma história de superação, de solidariedade ou qualquer outra coisa dentro dessa lógica meritocrática, se enganou. O futebol nunca será só futebol! É sobre isso que escrevo hoje: o futebol é político.

Como podemos nós, atleticanos, discordarmos disso? Uma torcida que tem Reinaldo como Rei não pode acreditar no contrário. Ele sempre foi um atleta subversivo politicamente. Comemorava seus gols com o punho cerrado, fazendo alusão ao movimento Panteras Negras, mas também como forma de protesto ao regime ditatorial da época. Reinaldo sofreu consequências pela sua subversão, como o banco de reservas na copa de 1978, na Argentina, depois de ignorar a orientação do presidente Geisel e comemorar gol com o punho erguido. Não foi mais convocado para a seleção.

Em lado oposto, Dadá Maravilha foi chamado para vestir a amarelinha tricampeã em 1970 depois de um pedido de Médici. O presidente cobrou a presença do centroavante na seleção, mas João Saldanha recusou. Saldanha foi demitido e substituído por Zagallo, que chamou Dadá para a disputa do mundial. O atleticano sequer entrou em campo, mas se sagrou campeão do mundo com a seleção brasileira, aquela que é considerada a melhor de todos os tempos.

Mas nem só de partidarismo e política governamental vive o ser político. Política é mais do que isso. Quando falamos de lutas sociais, estamos falando de política. A mulher reivindicando seu espaço dentro e fora de campo, é político; o homossexual lutando pelo direito de inserção no futebol, é político; o questionamento pelo preço dos ingressos, é político. Isso só para citar alguns exemplos.

Até mesmo o posicionamento de tentar desvincular o futebol da política, é político. Os grupos que reivindicam seus espaços no futebol são silenciados por esse discurso que tenta apagar as lutas daqueles historicamente excluídos. É uma tentativa de barrar o direito ao espaço desses grupos. É sempre bom lembrarmos que nem sempre se permitiu às mulheres a prática do futebol, ou mesmo que ainda hoje, não existe tolerância com a homossexualidade no torcer, ou que os negros estão sendo cada vez mais afastados das arquibancadas.

O simples fato de existir já é, para grande parte dos indivíduos, um ato político! Não permitam que o discurso falacioso que desvincula o futebol da vida política, da vida social, ganhe força. Ele só beneficia um único lado, o lado da cegueira, da ignorância e da leitura equivocada dos fatos. Como bem disse Nelson Rodrigues: “em futebol, o pior cego é o que só vê a bola”.

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