HOME CLUBES PRINCIPAL COPAS MUNDO DO FUTEBOL FUTEBOL FEMININO MERCADO DA BOLA CULTURAL CONTATO

 

 

SERIE A

SUDESTE

NORDESTE

SUL

CENTRO-OESTE

NORTE

Meu batismo santista

Card image

Créditos: www.santosfc.com.br

Meu batismo santista foi aos 13 anos, depois de algumas decepções futebolísticas, pois já fora vascaíno em minha cidade, Itumbiara, no Sertão do Goiás. E o meu padrinho foi Irmão Vicente, do Colégio Marista Diocesano de Uberaba, onde fui internado no ano de 1962. Como santista fervoroso converteu um monte de alunos, inicialmente vendo conosco e vibrando muito com os craques santistas em dois jogos antológicos contra o Benfica, no Rio de Janeiro e em Lisboa.   

Já minha crisma, quando o que era amor virou paixão, foi ao vermos o esquadrão santista do ataque avassalador que todo o santista sabe de cor, de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé  e Pepe em jogo contra o Botafogo de Ribeirão Preto, na calorenta cidade do interior paulista. E, como não poderia deixar de ser, tanto o batismo, pela televisão e a crisma, vendo, sentindo e vibrando e suando muito, no campo do tricolor do interior paulista, foi com lances magistrais, do mais puro futebol  brasileiro.

Dois lances marcaram o meu DNA santista. Por incrível que pareça, o mais marcante não foi um gol do Pelé ou de seus comparsas no ataque memorável, mas uma sucessão de lances de lateral, próximo ao meio de campo. No primeiro deles, ao receber a bola nos pés e tendo o zagueiro, como sempre, colado atrás, o Rei abriu as pernas deixando a bola passar e girando pegou a pelota atrás do seu marcador, que até hj tá tentando entender o que houve. No segundo lance, um atacante do Botafogo, empolgado com o jogo e querendo confrontar o Rei Pelé, tentou o mesmo drible, novamente durante um lateral. Só que ele tinha a marcá-lo, simplesmente um dos maiores  zagueiros centrais que vi jogar, Mauro Ramos de Oliveira, que, em vez de tomar o mesmo drible, enfiou a perna direita no meio das pernas do atacante, tocando a bola e saindo com ela com toda a elegância que Deus lhe deu. Enquanto isso, o atacante girou e não achou nada. E o estádio todo aplaudiu uma simples sucessão de jogadas de lateral.

Diante desse lance, o gol de Dorval, memorável também,  depois de rápida tabela Pelé-Coutinho, num toque magistral do Pelé, sem olhar e livrando-se dos beques a sua frente e dando de bandeja para o ponta-direita executar o goleiro, foi apenas um detalhe do grande espetáculo.

Então, o que posso dizer é que no DNA de todo santista, ao contrário dos torcedores de nosso freguês nessa época, o Sport Clube Corinthians Paulista, que gosta de jogadores que suem sangue, molhem a camisa e etc, tem a mais pura essência do futebol brasileiro. Aliás, esta essência persistiu ao longo de várias gerações, das quais a de Neymar/Ganso, quando este jogou muita bola, é a mais recente.

Tenho dito!

Sobre o autor

Ver mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

 

Siga nossas redes sociais

© 2020 Atras do Gol é uma marca registrada da Atras do Gol Limited Liability Company.  Todos os direitos reservados. O uso deste site constitui aceitação de nossos Termos de Uso e Política de Privacidade