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A presença da torcida feminina no Grêmio

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Créditos: Grêmio FBPA

A presença das mulheres nos estádios de futebol vêm crescendo com o passar do tempo, mas esse espaço ainda é um desafio diário para as mulheres que amam e acompanham o futebol. Seja como torcedoras ou como profissionais, as mulheres lutam por respeito e liberdade em ambiente predominantemente masculino e machista. Os motivos que afastam as mulheres dos estádios são muitos. Falta de segurança, medo do assédio e, antes de tudo isso, tem também a falta de incentivo para ir assistir a um jogo ao vivo.

No dia 14 de abril de 1941, um Decreto de Lei, número 3199/ art.54, determinava que as mulheres eram proibidas de praticar diversos esportes, entre eles o futebol. Somente no início dos anos 2000 é que elas começaram a frequentar, mais assiduamente, as partidas de futebol. 

Em 2020, a Federação Paulista de Futebol lançou uma campanha intitulada “Elas no estádio”, numa coletiva realizada só para mulheres, com a intenção de fazer os homens sentirem como é assistir a um evento à distância. Uma pesquisa aponta que em 2019, apenas 14% do público total no campeonato paulista foi composto por mulheres. No Rio Grande do Sul, a Federação Gaúcha de Futebol se uniu à Polícia Civil para combater os crimes de preconceito e discriminação no futebol.

Em 2018, no Beira-Rio, 23% dos associados são mulheres e na Arena do Grêmio, também em 2018, o número ficava em 16%. Mas apesar destes números, as ocorrências por injúria, assédio ou difamação são quase nulas. Não por falta de episódios ou da vontade delas. Mas, aqui no Grêmio esse cenário começou a ser mudado a partir dos incentivos de torcidas femininas e núcleos femininos.

Quem me conhece, sabe que minha frequência no estádio é recente. Durante muito tempo, eu só ouvia os jogos pelo rádio ou assistia pela TV, sempre me imaginando nas arquibancadas naquela emoção frenética, porém me faltava coragem para frequentá-la. O medo de ir sozinha, voltar sozinha e estar em um ambiente até então desconhecido. Sempre ouvia que estádio não era lugar pra mulher, que era perigoso e hostil. Mas eu enfrentei o medo, conheci alguns movimentos de mulheres que incentivam a presença na Arena e fui. 

Elis Regina, lá em 1962, aos 17 anos, tornou-se sócia do Grêmio. Hoje, ela é inspiração para muitas torcedoras gremistas. A artista, que é conhecida pela defesa dos direitos das mulheres, dá nome a uma torcida feminina do Grêmio, que combate assédios e todo tipo de preconceito. Em 2018, integrantes da Tribuna 77 criaram o Coletivo Elis Vive.

No seu último mandato como presidente do Grêmio, Paulo Odone disse que a intenção era ter 50% de mulheres no quadro social do Grêmio e presentes nas partidas na Arena.

“Os estádios de futebol, atualmente, são muito machistas. Se uma mulher deseja usar um toalete, ela precisa percorrer grandes distâncias. E quando chega ao banheiro, ainda é um lugar com cheiro ruim. A gente quer que a Arena inaugure uma nova Era no futebol. Queremos que a Arena tenha 50% de mulheres na Arena, sentadas nas cadeiras, torcendo e apoiando.” afirmou o presidente. 

A partir daí, a torcida feminina do Grêmio realmente começou a aumentar e ter mais voz ativa dentro do clube. Em 2018, o tricolor gaúcho ouviu suas torcedoras, que clamaram nas redes sociais pela mudança na carteirinha, de sócio para sócia. O Grêmio mostrou que a torcida feminina é muito importante, que o clube quer que as mulheres estejam na Arena do Grêmio e que sejamos sócias. 

A última ação do clube, em 2020, antes da parada por conta da pandemia foi a linha exclusiva de ônibus para as mulheres, da qual tive a honra de fazer parte de toda a construção da ideia até a execução. O intuito era aumentar ainda mais a participação das mulheres na Arena e garantir a segurança do público feminino nos dias de jogos, então o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, por meio do Departamento do Quadro Social (QS), convocou algumas torcedoras para debater ideias práticas. 

Tudo isso significa que a presença das mulheres nos estádios está sendo abraçada pelos clubes e as mulheres também têm se engajado em agregar mais mulheres ao seu lado. Juntas, podemos mais e somos fortes. O Grêmio é da torcida, da sua gente e das mulheres gremistas!

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