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Tudo começa e termina na esquina da Mauá

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Créditos: Coritiba Oficial

Quem torce para o Coritiba conhece bem a esquina da Mauá. Tomar uma gelada ali, antes e depois da partida, talvez seja um dos hábitos mais antigos da torcida coxa-branca. Essa tradição alviverde foi até eternizada por uma das músicas que mais faz o Couto Pereira tremer e se inicia com os dizeres “Hoje eu vim pro Couto bem mais cedo, beber com a torcida na Mauá.”

O Couto Pereira foi construído em 1932. Naquela época, a esquina da Mauá já estava ali, e inclusive, o imóvel utilizado atualmente pelo bar Varanda’s é muito semelhante com um imóvel da época, como demonstra uma foto que circula por aí na internet.

A maioria dos momentos vividos no Couto passam antes por aquela esquina, é ali que a torcida do Coritiba recepciona o seu time com muita festa e cantoria antes de jogos grandes, e também, discute sobre as besteiras feitas pelas diretorias que passam.

O espaço relativamente pequeno de uma esquina comum, não corresponde às milhares de histórias que já presenciou. Alegrias, tristezas, confiança e desconfiança são alguns dos milhões de sentimentos sentidos e expressados ali. Parece que tudo começa e termina naquela esquina. Os campeonatos se iniciam e tem o seu fim decretado pela “saidera” ali no bar depois do último jogo. No ano seguinte, o ritual da torcida se repete, sempre com o sentimento pelo Coritiba como motor desse ciclo. Gerações vêm e vão e esse costume continua, até parece que ali o tempo não passa. Sob a vista do gigante de concreto armado, que está bem do lado dando o seu ar de grandeza, naquela esquina nada é mais importante do que o amor ao Coxa.

Essa particularidade traz um aspecto até “mágico” para o local, sendo possível sentir uma energia diferente de qualquer outra esquina da cidade de Curitiba. Acredito que torcedores de outros clubes também conhecem um lugar que tenha essa “áurea” diferenciada. Um esporte que envolve tanto sentimento acaba proporcionando esses espaços “ritualísticos” que têm suas próprias energias.

A minha vivência com o Coritiba também começou ali. Ao elaborar essa crônica, decidi resgatar e compartilhar uma das primeiras memórias que tenho com o alviverde.

O Coxa está comigo desde antes do meu nascimento. Como conta o meu pai, o médico ao realizar o ultrassom fez uma daquelas montagens e colocou um boné do verdão na minha cabeça. Porém, apesar de viver o Coritiba desde pequeno, a primeira memória clara que tenho com o clube é de 2003, quando eu tinha 7 anos.

No dia 18 de agosto de 2003, aconteceria a 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Era um domingo de sol em Curitiba, daqueles perfeitos para um jogo de futebol. Um daqueles dias que você acorda e já bate a ansiedade de sair logo de casa. Eu estava trajado de Coxa das meias à cabeça, e, como de costume, fui ao Couto Pereira com o meu pai e lá encontramos seus amigos horas antes do jogo. Tradicionalmente, fomos até a esquina da Mauá e eles logo começaram a tomar a cerveja pré-jogo.

Eu, criança, estava sentado no meio-fio enquanto aguardava o “esquenta dos véio”, mal sabia que acabaria fazendo o mesmo anos depois. O time do Coxa de 2003 era competitivo, naquele ano classificamos para a Libertadores. Entretanto, a partida seria difícil, enfrentaríamos o Flamengo, que havia goleado o Bahia por 6 a 0 no jogo anterior.

Enquanto não chegava a hora de entrar no Couto, sentado e impaciente, me recordo que vi algumas pedrinhas no chão e um bueiro há alguns metros. Não pensei duas vezes, naquelas brincadeiras de criança comecei a jogar as pedrinhas no bueiro, mas antes fiz a seguinte previsão “o número de pedrinhas que eu acertar dentro do bueiro, será de quanto o Coxa vai ganhar hoje”. Devo ter jogado umas 8, e acertei 5. Logo pensei “5 é muito, impossível o placar ser tão alto”.

Ficamos mais algum tempo ali naquela esquina sagrada e entramos no estádio, o jogo já estava para começar. Os amigos do meu pai ficavam na arquibancada perto das cadeiras sociais, mas eu, como toda criança, gostava do agito, da torcida, bateria e bandeiras, fazia o meu pai me levar no meio da organizada. A minha preferência sempre foi sentir o agito da torcida, presenciar e fazer parte daquelas demonstrações incondicionais de amor ao clube, ser uma das vozes que, atrás do gol, se unem por um motivo em comum. Essa prática eu continuo tendo até os dias de hoje.

A partida se inicia, o Couto treme como de costume, o Coxa marca o primeiro gol, o segundo, o terceiro…O resto é história, o bom time do Coritiba tem uma apresentação fenomenal e goleia o Flamengo por 5 a 0 com dois gols do artilheiro Marcel.

Eu não acreditei que aquilo estava acontecendo, mesmo parecendo impossível, o placar correspondia com a previsão que eu havia feito através da brincadeira com as pedrinhas. Nunca mais esqueci desse momento e nunca mais duvidei da magia do futebol. O Coritiba, assim como a esquina da Mauá, continuam fazendo parte da minha vida. Ainda sinto a mesma energia quando vou me aproximando do Couto Pereira e chego até aquele espaço com tanta história. A cerveja ali continua gelada, mas agora sou eu que tomo com o resto da torcida. Tenho certeza que esse sentimento não é só meu. Não importam os altos e baixos, a torcida coxa sempre estará ali, na esquina, “vivendo” o Coritiba. Gerações passam e o amor continua. Afinal, tudo começa e termina na esquina da Mauá.

Para você torcedor(a) coxa, qual é a lembrança mais marcante da esquina da Mauá?

E se torce para outro clube, qual é o local que você identifica essa mesma energia proporcionada pelo sentimento ao time?

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Comentários

  1. Camila Santana disse:

    É muito bonita a sua paixão pelo futebol, e pelo coxa em específico! 💚

    1. João Victor Collita disse:

      <3

  2. Ewerton disse:

    Caraca Jovi!
    Não conhecia essa tua verve clarividente.
    Parabéns pelo texto bro. Excelente.

    1. João Victor Collita disse:

      kkkkk! Valeu, Ewerton!! Grande abraço!

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