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O último “respiro” do America

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Créditos: FOTO: FACEBOOK OFICIAL AMERICA-RJ

Há poucos meses, conversava com um amigo torcedor do Madureira sobre campanhas memoráveis de nossos clubes em tempos recentes. Em outras palavras, no século XXI mais precisamente.

Para o torcedor de time grande, talvez seja difícil compreender o parâmetro que o torcedor de clubes de menor investimento estabelece, uma vez que os principais clubes do país são cobertos extensivamente por grandes veículos de comunicação e com seus jogos televisionados.

Porém, para nós, torcedores dos chamados “menores,” o check de realidade nunca sai de dimensão.

Voltemos a 2006. Em anos esportivos, 14 temporadas de intervalo significam uma senhora eternidade no dinâmico mundo do futebol. Por outro lado, também, marca um período especial para torcedores como eu e marca uma saudade de um tempo e oportunidades que aparentam cada vez mais impossíveis de se replicar.

Ao contrário do America, o Madureira ainda teve outros brilhos ao passar dos anos, como vice-campeonato da Série D em 2010 (no tapetão, uma vez que o clube foi eliminado na semifinal, porém o oponente foi desclassificado posteriormente), os títulos da Copa Rio — a competição que os clubes cariocas menores disputam no segundo semestre para obter uma vaga para a Copa do Brasil e outra para a Série D do Brasileiro – em 2011 e 2015. Além disso, esse mesmo Madura de 2015 não se classificou para as semifinais do Carioca por conta de um mísero confronto direto contra o Fluminense numa época em que a classificação era por pontos corridos.

Flashback: 2006 foi o melhor ano que Madureira e, principalmente, o America poderiam imaginar em muito tempo. Naquele ano, o tricolor suburbano foi vice-campeão estadual enquanto os diabos rubros ficaram com a terceira colocação e com uma real chance de vencer a Taça Guanabara, perda essa muito lamentada pelos americanos caso o pênalti escandaloso não marcado no atacante Chris fosse conferido pelo árbitro William de Souza Nery.

Entretanto, o propósito dessas palavras não é descrever lamúrias de uma derrota de 14 anos atrás. No fim das contas, o Botafogo venceu a decisão daquela Taça Guanabara por 3-1 e de virada. Caso o fatídico pênalti tivesse sido concedido e anotado, o America teria uma vantagem de 2-0 ainda no primeiro tempo.

Até parece que ninguém nunca virou (ou empatou) um revés de 2-0 na história do futebol…

Ao invés de lamentar a derrota, nós, americanos, ficamos muito felizes com a campanha daquele ano no estadual. Houve um breve retorno de ampla cobertura jornalística pelos resultados em campo. O treinador Jorginho conseguiu unir a equipe de forma antes não vista, levando o então presidente do clube – Reginaldo Mathias – a dizer publicamente que o objetivo do America era fazer grande campanha no segundo semestre na Série C do Brasileiro (ainda não existia a Série D) e alcançar o acesso para a Série B.

 O que obviamente não passou nem perto de acontecer. Depois daquele Carioca, boa parte do elenco foi embora, prática comum nos times pequenos, e a campanha na Série C foi um fiasco, com o America eliminado na primeira fase. O clube voltaria a disputar a Série C no ano seguinte (2007), sob o comando de Ailton Ferraz, porém, também numa campanha fracassada.

E assim foi a última vez que o clube disputou um campeonato brasileiro.

O que se seguiu, e ainda segue, no presente do America é uma verdadeira aventura pelo submundo do futebol carioca. O clube foi rebaixado inúmeras vezes entre 2008 e 2019 no campeonato estadual, com algumas subidas nesse intervalo em que o time, como dito, falha em se manter. Além do mais, o clube não disputa a principal fase do estadual desde 2016.

Mesmo com os acessos em 2017, 2018 e 2019, o clube não conseguiu passar da Seletiva – uma espécie de Pré-Libertadores do Cariocão – e para variar, foi de cara rebaixado em dois desses anos, cortesia do inacreditável regulamento da competição.

Felizmente neste 2020, o clube conseguiu se manter na primeira divisão, apesar de novamente não ter passado pela Seletiva pelo terceiro ano consecutivo. E como a Copa Rio foi cancelada devido à pandemia do coronavírus, o clube seguirá sem atividades nos gramados na categoria profissional até boa parte de 2021.

Com o calendário atrasado, ninguém sabe quando os estaduais começarão em 2021. Portanto, nós torcedores ficamos aqui, relembrando dias felizes em 2006, quando vencíamos o Vasco por 2-1 em jogo transmitido na TV Globo; quando nos classificávamos para a final da Taça Guanabara numa disputa de pênaltis de tirar o fôlego contra a Cabofriense em pleno Maracanã com nossa torcida fazendo muito barulho.

Como diz o clichê, recordar é viver, ainda que à espera de dias melhores.

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