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O Paranismo em memórias que mantém o sonho vivo

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Créditos: Rui Santos/Paraná Clube

Em um momento de nostalgia completa, cabe a mim reviver algumas memórias que me trouxeram até aqui. Alguns de vocês talvez se lembrem de todas, outros podem conhecer elas apenas agora. Independente de qual situação você se enquadre, saiba que através dessas memórias será possível entender um pouco sobre o que é ter o Paranismo correndo pelas veias.

O técnico era Saulo de Freitas, o Tigre da Vila. Naquele fatídico 25 de novembro de 2007 era dele a responsabilidade de escalar o time que definiria a situação do clube. Enfrentávamos um Santos sedento pela vaga na Libertadores, e nós, em contrapartida, jogávamos pela vida. A esperança Paranista se renovou com a vantagem de gols criada por Jumar e Paulo Rodrigues. Mas Kleber Pereira, aos 38 minutos do segundo tempo, decretou nosso luto. Era o fim da linha para o Paraná Clube, estávamos na série B.

Nosso pesadelo parecia estar apenas começando. O primeiro ano passou e amarguramos a 11ª colocação. Nada perto do que imaginávamos. A temporada seguinte veio e nosso pensamento era um só: Esse ano vai! Éramos uma nação unida por um único ideal, nós precisávamos do acesso. Precisávamos restaurar o nosso orgulho. 2009 se passou, assim como 2010, 2011, 2012. E a cada ano que se passava, os guerreiros pareciam se entristecer. Alguns desanimaram, estavam com o orgulho ferido demais para acreditar naquilo tudo que nos acontecia. Mas eu não podia abandonar quem sempre me trouxe alegrias, quem fez parte de toda a minha existência. Eu tinha que me manter firme, eu tinha que apoiar. Eu nunca deixei de acreditar!

Mais uma temporada e dessa vez ficamos no quase. Outras três temporadas se passaram. Sofremos por 9 anos e continuávamos a aturar as canções que diziam que o Paraná iria acabar, o Paraná iria morrer na série B, o Paraná não aguentaria a pressão.

Ao final de 2007, eu prometi a mim mesma nunca desistir. E no dia 18/11/2017, finalmente pudemos soltar o grito que há tanto tempo estava preso. A bola dividida, a arrancada de Alemão e o gol, que mesmo contra, nos levou do inferno ao paraíso. Eu olhei para o céu e agradeci. Agradeci por ter vestido a camisa a cada jogo, por ter me dedicado ao clube, por girar a catraca e estar lá apoiando durante os 90 minutos sempre. Eu agradeci ter o azul, vermelho e branco vibrando nas minhas veias. Eu agradeci a cada um que fez parte desse elenco durante essa temporada, do setor de marketing ao banco de reservas. Da diretoria ao atendente da central. Da família que criamos na arquibancada à comissão técnica.

Eu vivi os dias mais felizes que um fanático pelo Paraná Clube poderia viver. Um dia após o jogo eu me recordei de tudo que passamos. Todos os problemas em campo, extracampo, as vezes que lutamos contra a série C. Me recordei do renascimento de um time aguerrido, com jogadores jovens e em busca de um só objetivo. Me lembrei dos lances decisivos, de cada gol que compôs nossa campanha. Ah, Renatinho…lembra daquele golaço contra o Londrina no minuto final? Era o G4 nos abraçando e dizendo que não largava mais.

 E com todas essas lembranças saí às ruas. Saí com minha camisa, com minha bandeira amarrada nas costas. Saí com o sorriso no rosto e os olhos cheios de lagrimas em direção a recepção mais linda que poderíamos dar aos heróis do acesso. Lotamos o aeroporto e, em pleno novembro, a cidade que não pula carnaval, caiu em festa. Em todo lado que olhava eu só enxergava tricolores. Famílias inteiras, crianças correndo e aprendendo sobre o paranismo. Torcedores deixando o choro rolar, o choro do alivio, o choro da conquista. Abraços em amigos, em conhecidos, em estranhos. Ali éramos um só. Uma nação em festa. Uma nação com 10 toneladas a menos para carregar.

Aquela visão era a mais bela que poderíamos ter. Tudo era tomado por um mar azul, vermelho e branco ao tempo que nossos guerreiros vinham em nossa direção. A carreata seguiu até nossa casa. A Vila Capanema nos aguardava, não poderíamos ir para outro lugar. Foram os 15 quilômetros mais incríveis que alguém poderia percorrer. A alegria se expandia por cada centímetro que atravessávamos. Nem mesmo em nossos sonhos mais lindos poderíamos imaginar uma festa como a que tivemos. Nosso orgulho foi restaurado. Cai no choro ao entrar mais uma vez em nosso estádio. Dessa vez sem catracas, sem revista, sem aflição. Entrava com a alma lavada, com os olhos brilhando e o coração explodindo tamanha felicidade que senti.

Mais três anos se passaram e, outra vez, seguimos na luta em busca do sentimento de conquista, em busca do acesso. Nosso 2020 tem sido marcado como um ano atípico em todos os sentidos. Nossas arquibancadas não podem nos receber, nossa casa precisa se manter vazia e escuta apenas o som do alto falante reproduzindo nossas vozes.

Em um momento tão diferente de tudo que já vivemos, algumas coisas não mudam: o amor pelo Paraná Clube e a força que nossa torcida tem quando se mantém conectada com o time. A esperança de dias melhores, a fé inabalável e a união que sempre nos moveu. Seguimos aqui, no papel de camisa 12 de quem é a nossa maior razão. E é exatamente assim que seguiremos.

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