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América: A instável realidade interna por trás das glórias e escancarada com os fracassos.

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Créditos: Leonardo Bezerra discursa como presidente do América-RN — Foto: Canindé Pereira/América FC

A palavra “renúncia”, historicamente, consiste em um fato bastante corriqueiro no ambiente interno do América Futebol Clube. Dentro do percurso de sua gloriosa historia nos gramados do RN e do Brasil, o clube se depara com um histórico denso de instabilidade executiva. Ou seja, sucessões de renúncias na cadeira presidencial, pautadas pelos mais diversos motivos. Entretanto, marcadamente por divergências entre os grupos políticos existentes no clube. A velha e atual história da inapagável “fogueira de egos”. Em alguns casos isolados, também se deu por questões político-profissionais do presidente. Fato é que, o ato de renunciar é comum dentro da instituição, prova disso, em ¼ de tempo de sua existência (período entre 1994 e 2020), o América protagonizou cerca de 12 renúncias. Isto é, qualquer um que senta na cadeira da presidência executiva, sabe que começa, mas não se termina o seu mandato.

O América é um clube que não impõe estatutariamente a condição de dedicação exclusiva e remuneração aqueles que almeja administra-lo. Quer dizer, é um clube que depende da abnegação de terceiros e que possui um estatuto defasado para as demandas do futebol atual. Consequentemente, embora tenha uma imensa e apaixonada torcida, a qual é impedida de vivenciar o dia a dia político do clube, diga-se, não depende de suas próprias pernas. O que é um comburente fortíssimo para a manutenção da “fogueira” supracitada. Além disso, diferentemente das décadas de 70 e 80, onde o América era um clube sócio-esportivo, hoje, restou apenas a esfera futebolística. Dessa forma, além do conturbado ambiente político interno, os resultados em campo somaram-se como fatores inerentes à continuidade dos mandatos executivos. Dito isto, a saída do ex-presidente Leonardo Bezerra foi o caso mais recente de renuncia, o mesmo esteve à frente do clube por um período de 10 meses do corrente ano.

No que cerne à gestão Leonardo Bezerra, embora tenha despontado como uma gestão bastante promissora administrativamente, em campo a coisa não andou. Administrativamente, Leonardo tentou fugir a regra de gestões passadas, buscou ser transparente, gerir com responsabilidade financeira, tentando inovar dentro das limitações organizacionais, trazer a torcida para dentro do clube – da forma possível -, mas, a falta de resultados em campo minou sua gestão e o fez perder o principal apoio que adquiriu ao longo dos 10 meses de gestão: O torcedor. Erros de avaliação ao longo da temporada fizeram o América não vencer clássicos, consequentemente, perder o estadual, cair na copa do Nordeste, embora tenha avançado à quarta fase na copa do Brasil e saído nos pênaltis para o Juventude/RS, no entanto, o difícil início na Série D foi o estopim. Caiu. Talvez tenha faltado paciência ao torcedor, contudo, pedir paciência a quem está cansado de insucessos é realmente muito duro. Todavia, uma semente de reforma administrativa, mesmo que tímida, estava sendo plantada. Convenhamos, nem sempre o campo reflete paralelamente o administrativo, as vezes é preciso cortar a própria carne em prol de algo a longo prazo. Por outro lado, o “Furacão Roberto Fernandes” junto à falta de resultados, devastou toda a credibilidade por parte do torcedor. Ainda mais um torcedor cansado de desastres.

Em relação a todo esse cenário político, conversando com Ernesto Teixeira, integrante do Movimento Democracia Alvirrubra, o qual luta por uma reforma político-administrativa no América, para ele o panorama interno do América se desenha da seguinte forma: “A grande questão dessa instabilidade no América, se deve a uma grande desorganização organizacional quanto instituição, não há uma definição do quadro social no clube, hoje o clube é um time de futebol profissional e o seu principal acionista, o sócio torcedor, não pode votar para escolher seu presidente, o estatuto é defasado, não se têm eleições para o conselho deliberativo e o executivo é dado por aclamação. Como associação, o América está morto. São sempre os mesmos grupos que dizem se apoiar, mas não se apoiam, e quando os resultados em campo não vêm, a pressão é enorme e o cara não consegue se manter”. E quanto às perspectivas caso esse cenário não mude num futuro breve, Ernesto foi enfático “caso não mude, e não haja uma renovação em seu quadro social e dirigente de forma orgânica, o América tende a acabar”.

Diante de tudo, ser torcedor do América passou a ser um teste para cardíaco, ou até mais, um teste de sobrevivência. As diversas incertezas acerca do futuro do clube deixa o torcedor temeroso, e acredito que um questionamento deve perdurar na cabeça dos “peles vermelhas”, qual seja: Até quando o América se restringirá a impor ao seu futuro a constante repetição do passado? A ver. Ou melhor, a torcer que a renúncia de Leonardo Bezerra tenha sido a última e que o clube caminhe para o progresso da modernização política, por consequência, administrativa.

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