HOME CLUBES PRINCIPAL COPAS MUNDO DO FUTEBOL FUTEBOL FEMININO MERCADO DA BOLA CULTURAL CONTATO

 

 

SERIE A

SUDESTE

NORDESTE

SUL

CENTRO-OESTE

NORTE

A tricolor e o Bahia, um amor além da arquibancada

Card image

Créditos: Arte Catherine e Sarah Satrun

Após passar por uma intervenção judicial, o Esporte Clube Bahia iniciou uma série de transformações no seu processo de restruturação e democratização. Com Diretoria deposta, Conselho Deliberativo dissolvido, novo Estatuto, campanha de filiação acessível, eleição direta do torcedor, o clube foi se transformando e permitindo ao torcedor participar novamente do clube para além da arquibancada.

Todas essas transformações que o clube passou, entretanto, não se refletia na pluralidade no Conselho Deliberativo. Pelo novo formato, o Conselho Deliberativo seria formado por 100 componentes, com as chapas ocupando a vaga de forma proporcional aos votos recebidos. Em 2017, das 100 vagas do Conselho Deliberativo somente 9 eram ocupadas por mulheres. Pensando em ampliar a representatividade e atreladas as mudanças que a sociedade vivencia com mulheres cada vez mais ocupando espaços, duas conselheiras: Andrea Cerqueira e Rebeca Assunção, propuseram que obrigatoriamente todas as chapas candidatas ao Conselho Deliberativo fossem compostas por 20% de mulheres. Em 28 de outubro de 2017, a proposta foi aprovada pelos sócios e passou a fazer parte do novo Estatuto.  

As novas modalidades do programa de sócios do clube, promovidas em 2018 (Bermuda e Camiseta) e 2019 (Bahia da Massa), com valores mais acessíveis unindo plano de ingressos e o sócio contribuinte convencional, possibilitaram uma participação feminina ainda maior. Ações para atrair o público feminino aos estádios e para a parte política do clube também foram realizadas como a Campanha contra o Assédio, que contou com site, denúncia pelo aplicativo do clube e Ronda Maria da Penha em dia de jogos, o apoio ao futebol feminino, suporte e espaço para as profissionais no aplicativo do clube, eventos como o Repensando o Bahia, exclusivo para mulheres, as campanhas LGBT+ e contra o racismo, além das ações costumeiras do Dia da Mulher e Outubro Rosa. 

Com tantas transformações, quis trazer um pouco do que algumas mulheres vivenciam e como elas enxergam a mulher na política do clube. Para tanto, entrevistei seis integrantes de grupos políticos do Bahia, uma torcedora que não possui vinculação com grupo político, mas participa ativamente da política do clube, a presidente das Tricoloucas, grupo feminino de torcedoras do Bahia, e uma integrante da LGBTricolor, torcida LGBT do Bahia. A primeira pergunta foi respondida somente por Élida Brandão da RT por se tratar de uma experiência que as outras ainda não tiveram. As perguntas de Arizinha, Bianca e Stefane Coutinho se adaptaram ao papel que elas representam. As respostas foram colocadas por ordem alfabética. 

– Como foi (é) vivenciar esse papel de conselheira?  

Élida Brandão (Revolução Tricolor) – Foi bastante importante para mim, como sócia e torcedora, participar de “perto” do meu clube. Vivenciei divergências, aprendi a conviver melhor com elas. Sabia que todos os 100 conselheiros tinham os mesmos objetivos, e foi excelente ver as divergências e críticas apenas como a visão de um companheiro de Conselho Deliberativo que acha que o melhor caminho para o objetivo comum é diverso daqueles que pensamos, e que sempre, o fim, deveria ser o Bahia. 

– Qual sua opinião sobre a participação da mulher na política do clube até então? 

Arizinha (Corneta da Fonte) – Sobre a participação das torcedoras na vida política do Clube, vejo como algo que precisa ser mudado para ontem, não somente no número de conselheiras, mas também na presença em cargos da Diretoria Executiva. Necessitamos de maior representatividade, de alguém (algumas) que entenda o lado feminino de ocupar as arquibancadas sem sermos vistas como bibelôs de porcelana. Torço muito para que nessa eleição o número de conselheiras eleitas cresça e que quem sabe, em um futuro, tenhamos uma presidenta no comando.

Bianca Menezes (LGBTricolor) – Desafiadora. Porque as mulheres embora tenham presença, seguem lidando com uma estrutura que tende a limitar sua livre participação. O número ainda é pequeno e isso contribui ainda mais pra que a voz feminina não tenha força. Apesar disso, reconheço a importância de ocupar os espaços mesmo com todas as limitações porquê a transformação efetiva precisa começar de algum lugar.

Élida Brandão (Revolução Tricolor) – A participação deveria ser cada vez mais acirrada. Independente de gênero. O sócio ter voz, brigar por nosso clube e nosso patrimônio. Nossa democracia ainda é muito jovem. Um ano ruim no futebol que coincida com ano eleitoral, um discurso populista e todo o processo de mudança de modelo de gestão pode ser posto em risco. Sinto que as sócias que vão votar não têm noção nenhuma da parte política do Bahia. Falo isso com convicção. Conheço sócias que não sabem nem o que é RT. Conselho Deliberativo? Acham que são os diretores. Isso sim precisa mudar, mas depende de nós.

Julia Fraga (Nova Ordem Tricolor) – Acho que ainda falta muito para as mulheres chegarem onde merecem na política do clube. Ainda é muito difícil para a gente adentrar nesse ambiente, onde ainda temos que nos esforçar duas vezes mais para que nossa voz seja ouvida. Não é que o Bahia não dê esse espaço propositalmente, porém, como reflexo da sociedade em que vivemos, temos que nos destacar e nos dedicar para termos respeito nesse meio.

Luana Amaral (Mais um, Baêa!) – Até então, a participação das mulheres na vida política do clube é muito pequena. Temos poucas conselheiras e também poucas funcionárias nos cargos de gestão do clube e, ainda que o clube esteja engajado em muitas campanhas em prol da igualdade em todos os sentidos, precisa-se fomentar essa participação, especificamente. A necessidade em se ter um Conselho Deliberativo heterogêneo, com representantes de qualquer orientação sexual, etnia, condição socioeconômica e etc., favorece o pensamento coletivo e aproxima ainda mais o clube do seu torcedor.

Luana Carvalho (Independente Tricolor) – Acho que está muito a desejar esse papel até então, pois, como o âmbito do Conselho Deliberativo, futebol e afins, sempre foi masculinizado. As mulheres ainda tem receio de participar desta esfera. Acredito que o passo inicial foi dado já que as mulheres estão vivenciando mais o futebol, indo aos estádios, participando de grupos políticos, se engajando. Ainda mais nesta próxima eleição onde se é obrigatório a participação de pelo menos 20% de mulheres nas chapas políticas, mesmo que não sejam eleitas no Conselho Deliberativo devido a posição na chapa, acredito que o interesse aumente.

Raissa Visco (Convergência Tricolor) – Penso que a participação da mulher na política do clube seja baixa. Sinto que muitas mulheres se sentem inseguras. Não se sentem abraçadas e incluídas, com isso, causa essa insegurança, o que muitas vezes impede a participação. Acredito que a falta de informação seja um fator relevante nessa questão também, não somente as mulheres, mas muitos torcedores do Bahia não têm noção da importância da política do clube e por isso não se envolvem e não procuram saber sobre. 

Stefane Coutinho (Presidente das Tricoloucas) – A participação feminina em um meio com predominância masculina é de extrema necessidade. O futebol, o estádio e a arquibancada vem deixando de ser um lugar para homens e a presença feminina na política, no Conselho Deliberativo, Diretoria Executiva, e até Presidência é de extrema necessidade para que, de um modo geral, as pessoas entendam que não existe lugar de homem e de mulher, e sim o lugar de todos. São 20% que darão voz a um grupo que hoje é minoria.

Virgínia de Paula (Bahia na Veia) – Na minha visão, hoje, a participação da mulher na política do clube ativamente, como algum tipo de atuação, por exemplo, em conselho, é muito pequena. Não alcança a representatividade que a torcedora tricolor necessita. Temos ganhos em ter sido aprovada a obrigatoriedade de 20% da chapa de Conselho Deliberativo ser feminina, no entanto, isso ainda não obriga a eleição desse percentual, continua a cargo de cada chapa. Acredito que ainda é pequeno o próprio interesse da mulher em participar e nós que hoje integrarmos grupos políticos temos esse desafio de engajar colegas tricolores para nos representar cada dia mais. Há uma busca por isso, no entanto, ainda é um longo caminho a ser percorrido.

– Como é sua relação no grupo que faz parte? 

Bianca Menezes (LGBTricolor) – Futebol sempre foi minha paixão, desde pequena. Minha família inteira é Bahia então ser tricolor é uma questão de símbolos bem fortes. E encontrar uma harmonia da representatividade do clube com mais um eixo da minha vida que é a minha sexualidade reforça a potência que ser Bahia sempre foi pra mim. Minha relação com a LGBTricolor perpassa por isso, e por acreditar que é possível torcer e ser quem é. Sem discriminação!

Élida Brandão (Revolução Tricolor) – A minha relação com a RT é excelente. A RT é uma unidade no sentido de defesa da democracia. Tem uma gestão profissional e respeitosa. “Cada cabeça é um voto”. A RT me permite opinar, ajudar, criticar, sem preconceito.

Julia Fraga (Nova Ordem Tricolor) – O grupo que faço parte é a Nova Ordem Tricolor e ele é bastante acolhedor. Tenho a honra de ter uma mulher, que é Mariana Cardoso, como presidente e isso facilita bastante no momento de expor algumas opiniões. Os homens do grupo também são receptivos para escutar minhas ideias e entender as críticas. É uma relação bem tranquila de troca de opiniões, experiências, ideias.

Luana Amaral (Mais um, Baêa!) – No Mais Um, Baêa!, grupo que faço parte há anos, todos temos o poder de opinar sobre toda e qualquer questão. Sempre levamos torcedores sócios às reuniões do Conselho Deliberativo, assim como para as nossas próprias reuniões. Neste triênio que se encerra logo mais ao final deste ano, mesmo sem ser conselheira, participei, como ouvinte, de um grande número de reuniões. Além disso, das nossas reuniões internas já citadas, de forma contínua, saem opiniões e ideias que são passadas para a mesa do Conselho Deliberativo para que sejam endereçadas à Diretoria do nosso Esquadrão! A participação feminina nessas reuniões também é muito importante.

Luana Carvalho (Independente Tricolor) – O Independente Tricolor posso dizer que foi e é um presente para mim. Um grupo em que sempre foi aberto a opiniões, ideias, diálogos e com as mulheres não seria diferente. É um grupo em que colocam as mulheres no patamar em que somos ouvidas e nossas opiniões ajudam no crescimento do grupo, assim como as opiniões de todos. Eu sou muito assídua no grupo, sempre emito meus pensamentos, vejo que ajudo de alguma forma no andamento no grupo e sempre tenho reciprocidade quanto a isso. Não tenho como agradecer todo apoio que me dão e dão a todas as mulheres que fazem parte do Independente. Um grupo em que sinto que é uma família. 

Raissa Visco (Convergência Tricolor) – Tenho uma relação boa. O grupo me acolheu desde o início. Eles buscam sempre estar valorizando as mulheres, nos incluem, nos chamam, sinto um incentivo muito grande do grupo em si. Me sinto bem. Ainda assim, sou mais tímida, observo mais que falo, mas estou sempre à disposição para estar somando com o grupo. Aprendi e continuo aprendendo muito com as experiências dos integrantes. É um grupo bem democrático e social. Gosto bastante. 

Virgínia de Paula (Bahia na Veia) – Dentro do meu grupo, tenho completa liberdade e até prioridade de expressão. Sinto-me não só como mais um número para compor a chapa, mas como uma integrante como qualquer outro a qual os colegas buscam sempre obter minha visão sobre os assuntos para nortear seus debates, principalmente com relação ao espaço à mulher. Foi esse comportamento do grupo que me fez ficar e me sentir à vontade para convidar amigas tricolores para conhecer o projeto.

– Como é presidir um grupo de mulheres? As integrantes estarem inseridas em grupos políticos diversos influencia em algo?

Stefane Coutinho (Presidente das Tricoloucas) – A presidência é bem tranquila (às vezes). São quase 30 mulheres com pensamentos, idades, ideologias diferentes. Em época de eleição nossa regra básica entra em jogo: não usamos o nosso nome TRICOLOUCAS para fins políticos, sendo referente ao Bahia ou não. Foi uma regra criada para que se agradasse a todas. Não é conveniente impor a um grupo tão diverso algum partido, candidato, já que cada uma tem seus pensamentos, ideias e posicionamentos.

– Não estar inserida em um grupo político dificulta que você participe da vida política do clube?

Arizinha (Corneta da Fonte) – Não estar inserida oficialmente em nenhum grupo me faz ter o privilégio de conhecer todos, suas premissas, seus defeitos, observar comportamentos, contudo não me afasta em momento algum de participar da vida política do Clube, apenas me impede de me candidatar à conselheira, que é só uma das vertentes de partição na vida política do Bahia hoje.

– Ser LGBT dificultou de alguma forma a sua participação na vida política do clube?

Bianca Menezes (LGBTricolor) – Sim, porque é uma quebra de normatividade e tudo que foge dos padrões tende a ter o estranhamento.

– O que você enxerga para o futuro da mulher na política do clube?

Arizinha (Corneta da Fonte) – Sempre brinco dizendo que em breve teremos uma presidenta a frente desse Clube, quem sabe, não é uma brincadeira com fundo de verdade?! Comparando com as eleições anteriores, começo a ver mais torcedoras se associando e se interessando pela vida política do clube, querendo participar, se envolver e entendendo que aquele também é um lugar que ela precisa ocupar. Acredito que nas duas próximas eleições teremos mais mulheres ocupando cadeiras no Conselho Deliberativo e em outras áreas do clube e não por uma exigência de 20%, sim por muitas passarem a entender que podem e devem estar lá.

Bianca Menezes (LGBTricolor) – Eu enxergo uma crescente porque há potência na presença feminina nos espaços. São contrastes de olhares e pluralidade de vivências que vão dando régua e compasso.

Élida Brandão (Revolução Tricolor) – Sinceramente, vejo essa questão feminina como uma forçação de barra. Eu gostaria de ver o Conselho Deliberativo com mais mulheres, quanto mais melhor, mas as mulheres precisam querer. Não vejo qualquer impedimento para mulheres virarem sócias do clube, mas não temos que forçá-las. Não acho certo e nem justo com as mulheres essa obrigatoriedade, a pessoa ser eleita a um cargo em função apenas do gênero, deveria ser por sua capacidade. Entendo que podemos incentivar a participação feminina sim, mas depende muito mais de nós querermos do que qualquer outra coisa.

Julia Fraga (Nova Ordem Tricolor) – O que eu enxergo e torço muito, é que ocupemos cada vez mais espaço dentro da política do clube. Que a gente comece tendo mais sócias, depois mais integrantes de grupos políticos, depois mais conselheiras, diretoras e que um dia tenhamos uma presidente no comando do nosso clube. Seria incrível e muito representativo para todas nós. Sei que é difícil, mas podemos chegar.

Luana Amaral (Mais um, Baêa!) – O futuro de nós, mulheres, na política do clube deve ser o de seguir crescendo em participação em todas as áreas. O Conselho Deliberativo já aprovou a exigência de se ter um importante percentual de mulheres nas chapas, mas esse é só o começo! Isso deve crescer e, além de crescer, deve-se determinar que as mulheres estejam distribuídas dentro das chapas em posições estratégicas. Por exemplo, com a atual regra, um grupo pode colocar as mulheres apenas para completar as chapas nas últimas posições, não lhes dando condição de serem eleitas, o que não resolveria a questão da sua representatividade numérica. Neste caso, o meu grupo seguirá a regra com responsabilidade de entender para que ela foi criada, e a cada 5 nomes, em ordem, pelo menos 1 será de uma mulher. Tudo isso é o que parte do Clube e seu Conselho, para as mulheres, mas delas para o clube deve partir o desejo de se associar e participar da vida política. O desejo de participar das reuniões do Conselho Deliberativo como ouvintes, assim como fiz. Pode-se acompanhar também pelas redes sociais do Esporte Clube Bahia. O desejo de opinar, de mostrar o que pode melhorar. Digo tudo isso porque nós, mulheres torcedoras do Baêa, presentes em estádio ou não, queremos e podemos ser ouvidas, mas, mais do que isso, queremos ajudar e apoiar o nosso clube! 

Luana Carvalho (Independente Tricolor) – Bom, como falei anteriormente, o passe inicial foi dado. As mulheres estão cada vez mais cientes que nosso papel é fundamental no Conselho Deliberativo, nos grupos políticos, nas chapas e nossas opiniões são muito importantes para a continuidade da melhoria do Clube. A cada dia, mais mulheres estão frequentando. Acho que o futuro tende a melhorar o número de sócias engajadas na política do Clube e com esses 20% obrigatórios, algo que me incomoda muito, pois poderia partir da vontade de todos de que a mulher tenha um papel importante e não ser uma obrigação, mas que seja pra ajudar às mulheres terem mais vontade de participar e chamar outras para aumentar esse número de sócios engajadas, no qual ainda o número é muito baixo. Espero que futuramente tenhamos mais da metade do Conselho Deliberativo representados por mulheres e dando voz ao que ouvimos muitas vezes partindo dos homens. Espero que se concretize. 

Raissa Visco (Convergência Tricolor) – Acredito que um crescimento. Da mesma forma que temos crescido na arquibancada, que temos ganhado voz e respeito, penso que na política pode acontecer da mesma forma. Os preconceitos estão aí, mas temos que combatê-los, não nos deixar intimidar, e sim, se jogar mesmo. Entrando no espaço, sendo voz ativa, participante ativa, assim, podemos crescer esses números e ser fundamentais nesse processo. 

Stefane Coutinho (Presidente das Tricoloucas) – Com os pés no chão, acredito que nos próximos anos teremos candidatas fortes a presidência do clube. Temos em nossa torcida, mulheres fortes e determinadas, então acredito que nosso futuro é muito promissor.

Virgínia de Paula (Bahia na Veia) – Essa resposta é clichê: o futuro é desafiador. Trata-se de um caminho muito variável. O fortalecimento da nossa participação depende do quanto nos dedicarmos hoje em fazer nossa base dentro da política. Tornar a nossa participação comum e não diferente. Temos mulheres hoje que nos representam muito bem dentro da torcida e que eu enxergo como esperança de um dia se tornarem presidente do clube. Daí o grande desafio é que não sejamos apenas os 20% obrigatórios das chapas e sim integrantes que discutem e vivem a política do clube.

Ver mais

mm

Sobre o autor

Ver mais

Comentários

  1. Pingback: Atrás do gol

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

 

Siga nossas redes sociais

© 2020 Atras do Gol é uma marca registrada da Atras do Gol Limited Liability Company.  Todos os direitos reservados. O uso deste site constitui aceitação de nossos Termos de Uso e Política de Privacidade