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Adeus Luxemburgo, mas muito obrigado!

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Créditos: Instagram Palmeiras

Wanderley Luxemburgo está longe de ser uma unanimidade no Palmeiras. Porém, é unanimidade que ele faz parte da história do clube, gostem seus desafetos ou não. Treinador de personalidade forte e que se posiciona, inclusive politicamente, coleciona admiradores e inimigos por onde passa. Eu, de minha parte, embora tenha criticas a certas atitudes e decisões que ele tomou em suas várias passagens de sua carreira, tendo a me incluir mais no primeiro grupo e explicarei o motivo.


Em 1993 caminhávamos para completar 17 anos sem títulos. Isso, para uma torcida que se acostumou a levantar taça quase todo ano e para quem dar volta olímpica era uma rotina se constitui em um terrível pesadelo que parecia não ter fim. Aos jovens torcedores que não viveram essa melancólica época, sugiro assistirem ao excelente documentário 12/06/1993 – O Dia da Paixão Palmeirense. Talvez entendam melhor o que tentarei expressar nestas próximas linhas.

O Campeonato Paulista de 1993 (que na época era Paulistão e não paulistinha como é tratado hoje) começou com o Palmeiras, em parceria com a Parmalat, montando um verdadeiro esquadrão, de fazer inveja aos gigantes da Europa. Para nós, angustiados e sofridos torcedores palmeirenses, a esperança de encerrar a famigerada fila era imensa.


Tive o privilégio de ir assistir a estreia do poderoso elenco que contava com jogadores como Evair, Zinho, Edmundo, Antônio Carlos, Cesar Sampaio, Edilson, Roberto Carlos, Veloso e outros. Foi contra o Marília Atlético Clube e não foi fácil não. Ganhamos de virada por 2 x1 no sufoco.


Nosso técnico, no início da temporada, era Otacílio Gonçalves, mais conhecido como Chapinha. Um grande sujeito, bonachão e simpático e que havia feito um excelente trabalho no Paraná Clube. Porém, diante de um elenco com tantas estrelas, o Chapinha não parecia muito à vontade. O time não engrenava e o sinal amarelo acendeu. Após uma derrota para o Mogi Mirim, em pleno Parque Antártica a casa caiu e Otacílio Gonçalves foi demitido.


É ai que começa a história de Luxemburgo no Palmeiras. Ele já havia sido campeão paulista no Bragantino e representava uma nova geração de técnicos. Deixou a Ponte Preta e veio dirigir o Palestra, com a missão de nos tirar da fila. Foi um trabalho de altíssima qualidade, conseguindo mostrar muita competência em treinar fundamentos, organizar taticamente o time e a parte mais difícil, fazer a gestão de grupo e administrar os egos de tantas estrelas.


Fomos para a final contra nossos maiores fregueses em decisões: os gambás. Tínhamos uma campanha muito superior, mas o regulamento era muito mal feito e a final seria disputada em dois jogos. Tragicamente perdemos o primeiro de forma inacreditável, com um gol de Viola que imitou o porco e provocou nossa torcida. Naquele dia, passou um filme de terror na cabeça dos palmeirenses. Parecia que era uma maldição. Que mesmo com um time espetacular a gente acabaria perdendo de novo.


Mas a semana se passou e Luxa soube motivar o time. O vídeo do Viola imitando o porco serviu para pilhar o elenco e no sábado seguinte, 12/06/1993, dia dos namorados, nosso time entrou em campo com sangue nos olhos e massacrou o gambá sem piedade. O time rival não pegava na bola. Enfiamos 3 x 0 no tempo normal e foi pouco. Mas o ridículo regulamento ainda nos obrigou a disputar uma prorrogação e Evair o matador decretou o fim do jejum. Luxa ainda comandou o Palmeiras nas conquistas do Rio-São Paulo, Bi Paulista e Bi Brasileiro. Depois voltou em 1996 e dirigiu a máquina que fez mais de cem gols no paulista e que tinha Djalminha, Rivaldo, Luisão, Júnior , Müller , Alex Alves e outros. Só espetáculos.


Em outras passagens, Luxemburgo cometeu erros e arrumou inimigos históricos entre conselheiros e corneteiros das alamedas do saudoso Jardim Suspenso. Mas mesmo assim, tenho certeza que é um personagem inapagável de nossa história. Por isso, nessa nova saída dele do verdão me despeço dizendo : Adeus Luxa, mas muito obrigado.

José Carlos Fubalee – Palmeirense desde 1963.


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